domingo, 13 de junho de 2021

Saúde
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Policiais civis sofrem de problemas psicológicos; Depressão está entre as doenças

Katiana Ramos / 03 de novembro de 2017
Foto: Reprodução
O Núcleo de Saúde Ocupacional da Secretaria Estadual de Segurança e Defesa Social (Seds) está com a capacidade máxima de atendimento aos policiais civis da Paraíba. São 28 profissionais em tratamento no local, que fica em João Pessoa. Contudo, este número é bem maior, segundo informações da Associação dos Policiais Civis de Carreira da Paraíba (Aspol/PB).

“Temos muito mais do que esses que fazem tratamento pela Secretaria. Têm policiais que fazem acompanhamento em clínicas particulares, porque não podem vir a João Pessoa para o Núcleo, ou até mesmo porque têm vergonha de procurar ajuda ou sofrem preconceito dentro da própria instituição”, revelou a presidente da Aspol/PB, Suana Melo. Ela defende a criação de outros núcleos de saúde com atendimento psicológico nas regionais da Polícia Civil no interior do Estado e afirmou que muitos policiais que precisam desse serviço não têm como se deslocar até a Capital para fazer o acompanhamento. “Em torno de cinco a dez anos de profissão, os policiais já vão tendo a necessidade de ter esse acompanhamento psicológico porque é uma profissão muito estressante. A Secretaria precisaria ampliar esse núcleo para o interior do Estado para atender a todos os policiais que precisam”, frisou.

A depressão, o estresse e os transtornos de ansiedade são os problemas mais frequentes nos policiais atendidos no Núcleo de Saúde Ocupacional da Seds e diversos fatores, além do trabalho, desencadeiam os transtornos. “Quanto à causa, são diversas, não há como atribuir apenas ao trabalho. Cada um traz sua história de vida e familiar que impactam no trabalho e vice-versa. Se houver necessidade, a família também recebe acompanhamento”, explicou uma das psicólogas do Núcleo da Seds, Danielle Lucena. Ela alertou ainda que as doenças psíquicas que afetam os policiais civis e outros profissionais da área de segurança podem surgir em conseqüência das situações de estresse e risco no dia a dia da profissão. “Essas profissões envolvem o lidar diariamente com o risco, situações de estresse, o que gera no organismo do indivíduo uma ativação do Sistema Nervoso Simpático, responsável pela resposta conhecida como Luta-fuga, que desencadeia todo um processo fisiológico que, persistindo por dias, meses e anos pode acarretar sérios prejuízos para a saúde mental e física desses profissionais. Por isso, é importante que haja uma atenção especial para a saúde mental até como forma de prevenção”, alertou.

Apoio

A psicóloga do Núcleo de Saúde Ocupacional da Seds, Danielle Lucena, lembrou ainda que o local dispõe de terapia em grupo para ajudar os pacientes a lidarem com suas emoções. “Nesse grupo, procuramos desenvolver a autoconsciencia emocional, a atenção plena (indfulness), projeto de vida, assertividade, gerenciamento do tempo. Espera mos ampliar nossa capacidade de atendimento, pois acreditamos que um policial que tem a oportunidade de cuidar da sua saúde mental e física, certamente, será um profissional melhor preparado e isso se refletirá diretamente no seu trabalho”, destacou a psicóloga Danielle Lucena.

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