sábado, 17 de agosto de 2019
Saúde
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Esporotricose: doença causada por fungos afeta gatos e humanos

Katiana Ramos / 29 de maio de 2019
Quase metade dos casos confirmados de esporotricose, doença causada por fungos que contamina principalmente gatos e que afetam humanos que estejam com ferimentos expostos estão localizados em boa parte dos bairros das zonas Sul e Oeste de João Pessoa. O levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) em conjunto com o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), na Capital, revelou que, entre 2018 e este ano 329 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Os dados dos pacientes e a localização dos casos integram um relatório que será enviado para o Ministério da Saúde para que o órgão disponibilize medicamentos para as pessoas infectadas.

De acordo com o gerente da Vigilância Epidemiológica da SMS, Daniel Batista, o tratamento da esporotricose em humanos tem um custo relativamente alto, em média R$ 600 por mês, e pode levar entre três e seis meses. “Este é um levantamento parcial que fizemos em parceria com o HU a pedido do Ministério da Saúde para que este possa disponibilizar os medicamentos. Algumas dessas pessoas diagnosticadas estão em tratamento, outras deixaram ou descontinuaram. São essas informações que ainda vamos complementar. Mas, as pessoas que forem diagnosticadas com a esporotricose, mesmo que façam o exame e o acompanhamento na rede particular, terão o medicamento disponibilizado pelo SUS”, garantiu. Já os pacientes acompanhados pelo HULW terão o medicamento disponibilizado na própria unidade.

Segundo ele, o relatório parcial aponta que a maior parte dos casos confirmados (56) são de pessoas residentes no bairro de Mangabeira. Além disso, um dado importante para as ações de prevenção e acompanhamento da rede municipal é que 18% dos pacientes são idosos. “Neste caso é ainda mais preocupante porque são pessoas que, muitas vezes, não têm uma boa imunidade, o que pode dificultar o tratamento”, complementou Daniel Batista. O município de João Pessoa é referência de diagnóstico para esporotricose em todo Estado da Paraíba.

“Atualmente, temos apenas um equipamento de saúde que realiza atendimento clínico e laboratorial para casos suspeitos. Dessa forma, temos dialogado para ampliar e qualificar outros municípios para avaliar casos suspeitos e, quando necessário, já haver o encaminhamento para tratamento”, informou Daniel Batista.

Saiba mais:

A doença:

A esporotricose humana é uma micose subcutânea que surge quando o fungo do gênero sporothrix entra no organismo, por meio de uma ferida na pele. A doença pode afetar tanto humanos quanto animais, em especial os gatos.

Principais formas clínicas:

Esporotricose Cutânea. Caracterizada por uma ou múltiplas lesões, localizadas principalmente nas mãos e braços;

Esporotricose linfocutânea. É a forma clínica mais frequente, quando são formados pequenos nódulos, localizados na camada da pele mais profunda, seguindo o trajeto do sistema linfático da região corporal afetada. A localização preferencial é nos membros;

Esporotricose extracutânea. Quando a doença se espalha para outros locais do corpo, como ossos, mucosas, entre outros, sem comprometimento da pele;

Esporotricose disseminada. Acontece quando a doença se espalha para outros locais do organismo, com comprometimento de vários órgãos e/ou sistemas (pulmão, ossos, fígado).

Prevenção:

Evitar a exposição direta ao fungo;

Use luvas e roupas de mangas longas em atividades que envolvam o manuseio de material proveniente do solo e plantas;

Utilize também calçados adequados em trabalhos rurais.

Tratamento

Centro de Vigilância Ambiental e Zoonoses (Cvaz) oferece atendimento médico veterinário aos animais com suspeita da doença, além do exame clínico e laboratorial para diagnóstico.

Caso a doença seja confirmada, o dono do animal recebe as orientações necessárias de como proceder e prescrição para o tratamento.

O Sistema Único de Saúde (SUS) não fornece medicamentos para tratamento do animal com esporotricose.

Idade. Os dados apontam ainda que 46% dos pacientes diagnosticados têm entre 20 e 49 anos.

Cura em até um ano



A avaliação clínica pode ser por um médico das Unidades de Saúde da Família (USF) ou Policlínicas Municipais. O tratamento deve ser realizado com orientação e acompanhamento médico. A duração do tratamento pode variar de três a seis meses, ou um ano, até a cura do paciente.

Isolamento do animal. Todo animal doente com suspeita de esporotricose precisa ser isolado das pessoas e de outros animais. As manifestações clínicas mais observadas no gato são feridas localizadas na face, especialmente no focinho, orelhas e patas, embora possam estar localizadas em qualquer parte do corpo do animal. Também podem apresentar áreas de alopecia (sem pelo). O uso de luvas é recomendado no manuseio do animal. Este deverá ser levado ao veterinário para a confirmação do diagnóstico e tratamento.

"A equipe da Vigilância Epidemiológica de João Pessoa identificou pouco mais de 70 casos confirmados de outros municípios paraibanos" falou a chefe da Seção de Doenças Transmissíveis da SMS, Danielle Lucena.

Dez bairros com maior incidência de casos em humanos:

Mangabeira 56

Funcionários 21

Valentina 19

Cristo 14

Costa e Silva 13

João Paulo II 12

B. das Indústrias 9

Gramame 9

José Américo 8

Alto do Mateus 7

 

 

 

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