quinta, 26 de novembro de 2020

Saúde
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Escoliose, desvio no eixo da coluna, deve ser tratada logo

Lucilene Meireles / 15 de junho de 2019
A escoliose é um desvio no eixo da coluna, geralmente em mais de um plano e para o lado. Costuma ter início na infância e, apesar de não causar dor, traz sérias consequências para o paciente. No aspecto estético, afeta o convívio social, mas as alterações podem atingir a parte respiratória, dependendo do grau, o que exige um tratamento além do colete e da fisioterapia: a cirurgia. Junho é o mês da conscientização da escoliose e um alerta médico é que os pais observem se há sinais de desvio na coluna da criança. Se houver qualquer deformação, a orientação é procurar um profissional.

O ortopedista pediátrico e traumatologista Francisco Laécio Vieira Damaceno, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia na Paraíba (SBOT-PB), informou que existem dois tipos principais de escoliose. “O primeiro é a escoliose congênita, aquela que a pessoa já nasce com ela. O outro tipo é a idiopática, que não tem causa conhecida e acontece mais em menina na fase pré-menarca”, disse. Além disso, pode ocorrer durante o desenvolvimento rápido do crescimento, menos comum em meninas. Há ainda as causas neuromusculares e por sequelas de fraturas. A escoliose costuma aparecer com mais frequência justamente entre 11 e os 14 anos, nas meninas.

Nos meninos, entre 14 e 15 anos, de acordo com o especialista. A notícia ruim é que não há como prevenir o problema, e a única forma de diagnosticar precocemente é observando a criança em casa. Quando há qualquer alteração, é preciso procurar um médico para fazer outros exames, como a ressonância.

Tratamento

O tratamento é baseado na fisioterapia, mas além dela, dependendo do tipo e grau da curva, os coletes são indicados. O presidente da SBOT-PB, Francisco Laécio Vieira Damaceno observou que hoje os coletes mudaram e são mais confortáveis.

“A tendência é usar esse colete moldado, dependendo do nível da escoliose que não afeta o queixo da criança. Alguns são feitos após escanear o corpo da criança”, acrescentou.

O colete deve ser usado por um período entre dois e três anos, até o final da fase de crescimento. Nesse intervalo, é preciso avaliar se a curva progrediu dentro do colete ou se manteve. Caso não tenha havido piora, o colete é retirado, mas o paciente fica em observação. Segundo o médico, o uso do acessório não garante a cura. “Não tem atestado de garantia”.

Como a escoliose é um problema que tem início na infância, assim que o problema é diagnosticado, o paciente é encaminhado ao Hospital Infantil Arlinda Marques, que conta com dois ortopedistas.

“Toda criança que aparece com o problema, já é direcionada para este serviço”, disse o ortopedista Francisco Laécio, que também é coordenador do setor. No setor privado, a parte clínica é feita em consultório.

Em fases mais críticas, a escoliose pode causar dificuldade para respirar, porque comprime a parte cardiopulmonar.

Mais adiante, pode dificultar a realização de atividades comuns do dia a dia. Hoje com os modernos coletes e a fisioterapia, se prolonga um pouco mais a indicação da cirurgia, mas quando está acima de 45 graus, é necessário operar.

“Trabalhamos muito a parte fisioterápica e, se observarmos que não responde, que aumenta, partimos para a cirurgia que consiste em tentar corrigir até determinado nível para não comprometer a medula”, ressaltou Francisco Laécio.

A correção é fixada com hastes e parafusos na estrutura óssea da coluna. “É como se desentortasse e colocasse uma escora. Com isso, mantemos na melhor posição possível. pegamos os corpos vertebrais e fazemos a artrodese, unindo um osso com o outro, fixamos um corpo vertebral no outro para manter a coluna na posição”, explicou o ortopedista.

Tipos

Idiopática

Surge na adolescência durante o estirão do crescimento e, como o nome diz, não tem causa conhecida.

Congênita

É causada por algum problema na formação dos ossos.

Neuromuscular

Tem origem neurológica, como em casos de poliomielite e paralisia cerebral.

12 é o número de óbitos na Paraíba entre 2010 e 2018, tendo como causa a escoliose, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB).

Cirurgia deve ser último recurso



Apesar de ser a única forma de curar o problema, a cirurgia é arriscada, principalmente na fase adulta, podendo, inclusive, levar à morte. “Colocar a pessoa sob anestesia, é uma agressão. Às vezes, chegam paciente com deformidade gravíssima e analisamos se vale a pena fazer um sacrifício para saber se o benefício compensa o risco”, alertou o profissional.

A jornalista Kaliandra Moura sabia de todo esse risco, mas não tinha mais como adiar o procedimento, porque a deformidade já estava afetando o pulmão. Ela fez a cirurgia há dois meses.

Quando teve a indicação da cirurgia, os graus da curva da escoliose da jornalista eram altos. A lombar estava em 82 graus e após a intervenção ficou em 30. A cervical tinha 67 graus e reduziu para 24.

“Não era só uma necessidade. Era um sonho. Desde que descobri a questão da curvatura, quando eu olhava o raio X, sabia que teria que fazer. Era uma necessidade porque já estava comprometendo o pulmão. Se não tivesse feito agora, programada, teria que fazer de urgência, com idade mais avançada e poderia ser bem mais arriscado”, constatou.

"Na fase adulta, é estudado caso a caso. Não é fácil e tem que ter uma indicação. Muitas vezes, a pessoa vive a vida toda com essa limitação." - Francisco Damasceno, presidente da SBOT-PB

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