segunda, 20 de maio de 2019
Saúde
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Epilepsia afeta 3 em cada 100 paraibanos; ‘Purple Day’ promove conscientização

Lucilene Meireles com assessoria / 24 de março de 2019
Foto: Divulgação/PMJP
Três em cada 100 paraibanos têm epilepsia, uma doença neurológica que se origina no cérebro, produzindo descargas elétricas anormais. Estes espasmos ocorrem de maneira excessiva e provocam as crises ou convulsões. A estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) inclui adultos e crianças. Também conhecido como Purple Day, o Dia Mundial da Epilepsia é lembrado próxima terça-feira, dia 26, como forma de promover a conscientização e diminuir o estigma.

O problema traz uma série de complicações que vão além das crises. Sem contar com o preconceito que o paciente ainda sofre, muitas dúvidas inquietam quem convive com ele. Porém, é possível à pessoa com epilepsia conviver com a doença e ter qualidade de vida. Familiares e pessoas próximas precisam conhecer mais sobre a doença e como agir em situações de emergência.

A neurologista Luciana Rodrigues, do Hospital Santa Paula (SP), explicou que a origem da epilepsia pode ser congênita, isto é, presente desde o nascimento, ou adquirida por meio de traumatismos cranianos, infecções, uso excessivo de álcool e drogas, entre outras causas.

“As crises epilépticas podem se revelar como eventos motores, alterações da consciência, da sensibilidade ou sensoriais. A manifestação clínica vai depender da área do cérebro geradora da atividade neuronal excessiva. Por exemplo, crises da área motora do braço se manifestam com movimentos repetitivos do membro superior; crises do lobo temporal se manifestam com alterações da consciência e movimentos sutis de boca e mãos; já crises da área da visão se apresentam com fenômenos visuais e oculares”, esclareceu.

O tratamento, conforme a especialista, não deve visar apenas o controle dos sintomas, mas também a melhora da qualidade de vida do paciente.

“A doença, quando estigmatizada, pode causar um conflito crônico e o indivíduo começa a duvidar de suas verdadeiras capacidades, sintoma que pode passar despercebido no ambulatório ou consultório”, ressaltou.

"Infelizmente, ainda existe preconceito social e familiar quando uma pessoa é diagnosticada com epilepsia. Na maioria dos casos, o indivíduo é capaz de trabalhar e levar uma vida normal." - Luciana Rodrigues, neurologista do Hospital Santa Paula (SP)

Sema fazer cirurgia



A Secretaria de Saúde de João Pessoa (SMS) informou que o atendimento aos pacientes é feito no Hospital Municipal Santa Isabel (HMSI), por neurocirurgiões. Porém, a unidade hospitalar não realiza cirurgia de pacientes com epilepsia, pois o procedimento não é habilitado pelo Ministério Saúde.

Avanços no tratamento



Nos últimos 20 anos, houve avanço importante com relação ao tratamento medicamentoso e cirúrgico. Os novos medicamentos apresentam menos efeitos colaterais e melhor biodisponibilidade, ou seja, no que diz respeito à interferência da droga no organismo do paciente. Isso leva à maior tolerância e adesão ao tratamento, segundo a neurologista Luciana Rodrigues.

Ela explicou que, na maioria dos casos, as crises epilépticas são facilmente tratadas com medicações orais. Caso não tenha resposta, existem diversas abordagens cirúrgicas que estão reservadas para pacientes com crises refratárias ao tratamento medicamentoso. Neste caso, há critérios rigorosos para sua indicação que incluem exames especializados como avaliação neurofisiológica, com eletroencefalograma, por exemplo, exames de imagens e avaliação neuropsicológica.

“Um desses exames é a monitorização por vídeo-eletroencefalograma. Neste exame o paciente é internado em uma unidade hospitalar e monitorizado continuamente para detectar e caracterizar o início e o tipo de crise. É com essa investigação minuciosa que a equipe multidisciplinar, formada pelo neurologista, neurofisiologista, neurocirurgião, psicólogo, radiologista e assistente social, decidirá a conduta cirúrgica”, concluiu a especialista.

Purple Day



Com o objetivo de orientar e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, a jovem canadense Cassidy Megan, uma criança que na época tinha nove anos, criou em 2008 o Purple Day. A iniciativa, apoiada pela Associação de Epilepsia da Nova Scotia, no Canadá, é representada pela cor roxa e é associada à solidão e aos sentimentos de isolamento vivenciados por quem tem a doença. Na data, as pessoas são convidadas a se vestir de roxo nos eventos em prol da consciência da epilepsia para desmistificar a doença e mostrar que é possível ter uma vida normal.

Saiba o que fazer durante a convulsão



Coloque a pessoa deitada e retire de perto objetos que possam lhe machucar. A área ao redor deve ficar livre.

Deixe a pessoa se debater. Não a segure, não dê tapas, não jogue água nem qualquer outra substância líquida.

Evite que a cabeça bata no assoalho com os movimentos ou abalos. Coloque uma almofada ou travesseiro para impedir que ele se machuque.

Não insira nenhum objeto na boca do paciente. Isso pode aumentar o risco de aspiração pelas vias aéreas superiores.

Levante o queixo para facilitar a passagem de ar e vire a pessoa para o lado. Limpe toda a saliva ou sangue que sai pela boca. Essa região deve permanecer seca para facilitar a entrada de ar e evitar a aspiração de sangue ou saliva pelas vias aéreas.

Afrouxe as roupas.

As crises podem acontecer na primeira manifestação da doença, quando o paciente abandona o tratamento ou mesmo em uso regular das medicações, quando há alguma outra doença associada, como uma infecção, por exemplo.

Crises com duração maior que cinco minutos devem ser tratadas como emergência médica, assim como as que se repetem em um intervalo de cinco minutos sem que o paciente recupere a consciência. Nesses casos, chame uma ambulância.

É normal ocorrer sonolência após a crise.

Para quem sofre do problema

Casa com carpete é mais segura porque diminui o impacto em caso de queda. Caso resida com mais gente não tranque a porta do banheiro nem do quarto para facilitar os primeiros socorros na possibilidade de uma crise.

Leve uma vida normal: interaja de forma plena em todas as atividades escolares ou do trabalho.

Pratique esportes e atividades de lazer com os amigos. Evite apenas entrar no mar ou na piscina sozinho porque, em caso de crise, existe o risco de afogamento. Entretanto, nada o impede de estar na praia junto de pessoas que possam socorrê-lo e ajudá-lo quando necessário.

Não permaneça em grandes alturas sem grade ou proteção.

Não manuseie máquinas que possam feri-lo no caso de perda da consciência.

Use sempre o bom senso e tenha em mente que a crise, na maioria das vezes, é inofensiva. É a alteração da consciência ou a queda que podem levar a acidentes com consequências graves.

Números



3 em cada cem pessoas no mundo têm epilepsia;

25 % recebem tratamento adequado

120 mil paraibanos (3%), entre crianças e adultos, são epilépticos;

30 % dos pacientes não melhoram com remédios e são candidatos à cirurgia;

80 é o percentual de cura para quem é operado;

200 mil é o número de novos casos por ano no Brasil.

 

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