domingo, 17 de janeiro de 2021

Saúde
Compartilhar:

Epidemia de dengue chega mais cedo e políticas de controle não surtem efeito

Lucilene Meireles / 07 de maio de 2016
Foto: Divulgação
Este ano, a epidemia de dengue chegou mais cedo, na Paraíba, com incidência de 616,45 casos notificados por 100 mil habitantes, maior que o dobro do parâmetro que caracteriza a situação (300/100 mil/hab). Em apenas quatro meses, o número de notificações já é 82% do total registrado durante todo o ano de 2015, e, em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento foi de 269%. Apesar dos números, técnicos da Secretaria de Estado da Saúde (SES) ainda não se convenceram da situação de epidemia. A justificativa é que neste quantitativo estariam incluídos casos de zika e chikungunya, que têm sintomas semelhantes, o que poderia ser compensado pela subnotificação gerada pelas doentes que não procuram as unidades de saúde e não entram nas estatísticas.

“Acima de 300 casos por 100 mil habitantes é epidemia, segundo o parâmetro, mas isso quando há só uma doença. Os mais de 24 mil casos notificados não são só dengue. Tem chikungunya e zika, que antes não tinham notificação específica, nem instrumento para inseri-las no sistema. Por isso, houve um aumento considerável no número de casos notificados como dengue”, afirmou a gerente operacional de Vigilância Epidemiológica da SES, Izabel Sarmento. No último boletim da SES, os casos de dengue, zika e chikungunya são colocados separadamente.

Exige cuidado. Izabel Sarmento ressaltou, no entanto, que o período exige maior cuidado em relação à prevenção e combate ao mosquito, já que a maior ocorrência é nos meses de abril e maio. A gerente disse ainda que só a partir de fevereiro o Lacen conseguiu os kits para realizar o teste de chikungunya. “A Secretaria vem observando aumento no número de casos de dengue e, sabendo da transmissão de zika e chikungunya no Estado, alerta a população a manter os cuidados, evitando a proliferação do mosquito.

Apesar das explicações, os dados do boletim com números até 18 de março já indicavam que a epidemia estava instalada. No período, haviam sido haviam sido notificados 14.593 casos suspeitos e a incidência era 365.447. Izabel Sarmento informou que ainda não há parâmetro para zika e chikungunya. A Portaria Nº 204, que atualiza a lista de doenças de notificação compulsória, incluindo os dois agravos, foi publicada dia 17 de fevereiro de 2016.

Liraa em João Pessoa e Campina Grande

 O Levantamento Rápido do Índice de Infestação pelo Aedes aegypt (Liraa), que avalia o risco de reprodução do mosquito, demonstrou que, em João Pessoa, o índice geral de infestação do mosquito é baixo (0,6%), mas em alguns bairros, como Oitizeiro, em cada 100 casas visitadas 2,5 tinham focos do mosquito. Em Campina Grande, a infestação atinge 6.3% dos imóveis, e o bairro das Malvinas II é o que mais preocupa, com índice de infestação predial (IIP) de 10.5%.

De acordo Izabel Sarmento, o Liraa, que é preconizado pelo Ministério da Saúde desde 2011, é amostral, atingindo só 33% dos imóveis de um município, mas tem sido efetivo e, por isso, os dados são importantes.

“O de João Pessoa, por exemplo, é 0.6%, mas ao verificar por bairro ou área, estará mais alto, o que justifica os números da doença. Além disso, pessoas de outros municípios frequentam a Capital e ficam muito tempo em universidades, por exemplo. Elas se contaminam em suas cidades e transmitem a doença onde passam o dia”.

A situação de Campina Grande, segundo a gerente, é preocupante. O município tem Liraa geral de 6.3, índice de 10.5 no bairro das Malvinas II e outros 12 bairros com percentuais entre 8% e 8.9%. “É preocupante a situação de alguns bairros de CG. No momento que tem índice acima de 4, sabemos que há transmissão. O dado da cidade indica que, a cada 100 imóveis inspecionados, havia seis com foco. Uma casa infecta uma rua inteira”, constatou.

Saiba o que significam os índices

Inferiores a 1% - condições satisfatórias

De 1% a 3,9% - situação de alerta

Superior a 4% - risco de surto de dengue

 

Leia Mais

Relacionadas