quarta, 17 de julho de 2019
Saúde
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Entre 2015 e 2017, número de casos de hanseníase em jovens cresce 7%, segundo SES

Beto Pessoa / 17 de janeiro de 2018
Foto: Rafael Passos
Ao contrário das ocorrências nas demais faixas etárias, o número de novos casos de hanseníase em jovens com menos de 15 anos tem crescido na Paraíba. Segundo dados do Núcleo de Doenças Endêmicas da Secretaria de Estado da Saúde (SES), o aumento foi de mais de 7% entre 2015 e 2017, cenário que preocupa especialistas no assunto, uma vez que a tendência mundial é de diminuição da doença.

O tempo de incubação da bactéria que causa a doença é de aproximadamente 10 anos, ou seja, se jovens menores de 15 anos já têm apresentado os sinais da hanseníase é porque estão, desde muito cedo, em contato com pessoas que não realizaram o tratamento adequado, explica a coordenadora do Núcleo de Doenças Endêmicas da SES, Lívia Borralho.

Transmitida por vias respiratórias, a bactéria da hanseníase tem duas formas no corpo humano: a paucibacilar e a multibacilar. Os pacientes com a primeira, pela baixa quantidade de bacilos, têm baixo potencial de transmissibilidade. Já os que estão em situação multibacilar, por possuírem mais bacilos, têm maior potencial de transmitir a bactéria.

O diagnóstico, explica Lívia Borralho, é facilmente constatado na Atenção Básica, quando as equipes estão preparadas para tal. “Obrigatoriamente este diagnóstico deveria acontecer na Unidade de Saúde da Família mais próxima. Por um atendimento médico ou da enfermagem, a partir de exames clínicos de avaliação da mancha que aparece no indivíduo, é possível identificar a hanseníase”, disse.

Altos índices do Sertão

Cajazeiras, Patos e Sousa, no Sertão, são cidades paraibanas que fazem parte do “Cluster 6”, grupo de municípios do País que chamam atenção pelos altos índices de registro da hanseníase.

O grupo possui ainda cidades dos Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, delimitação que ajuda na prioridade das políticas públicas, explica a coordenadora do Núcleo de Doenças Endêmicas da SES, Lívia Borralho.“São regiões de alta incidência dos casos, quando comparada com as demais cidades. Cajazeiras, historicamente, tem altos índices, por isso temos uma atenção especial para essas áreas. Isso pode estar relacionado a negligência e a falta de diagnóstico, mas há também fortes questões sociais”, disse.

Uma dessas, explica Lívia Borralho, é a imagem social que historicamente foi criada sobre a Hanseníase. “Desde a Idade Média, devido às questões religiosas, a doença é tratada como algo muito negativo. Na época militar, também, os doentes eram afastados dos seus familiares, enviados às colônias. Isso até hoje prejudica o diagnóstico da doença”

Dia de prevenção

No último domingo do mês de janeiro (Janeiro Roxo) é comemorado o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase. Na Paraíba, a SES realizará ações educativas, tanto para profissionais da saúde quanto para a população em geral. A Paraíba tem 4 Centros de Referência, nas cidades de Sousa, Patos, Campina Grande e João Pessoa.

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