sábado, 16 de janeiro de 2021

Saúde
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O drama do idoso que espera há mais de 4 meses por uma cirurgia no Hospital Universitário

Luís Eduardo Andrade / 29 de março de 2017
Foto: Arquivo
O dom de esperar não é para todos, requer paciência e tolerância. Porém, a espera pode ser tornar um sentimento angustiante, quando se está em uma fila para realização de uma cirurgia, onde fica em jogo a vida e o bem-estar de um ser humano. E é justamente essa a situação que o aposentado a quem iremos chamar de José Francisco para preservar a identidade do idoso de 78 anos, está vivenciando. Ele já aguarda uma cirurgia de parafimose desde dezembro do ano passado.

16 de dezembro

A doença do senhor José é grave e causa bastante desconforto ao aposentado. A parafimose ocasiona um estrangulamento na região peniana, que é agravada pelo mau cuidado do idoso devido ao Alzheimer que afeta seu psicológico. Contudo, uma intervenção cirúrgica resolveria facilmente os problemas de seu José. E foi justamente isso que ele e sua família procuraram fazer. E após passarem por diversos geriatras e urologistas, conseguiram marcar a cirurgia para o dia 16 de dezembro no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW).

31 de janeiro

Porém, as expectativas de melhora na saúde que viriam depois do procedimento foram pro água a baixo. “No dia da cirurgia nós fomos ao Hospital e chegando lá disseram que o bloco cirúrgico estava em reforma e não poderiam fazer a cirurgia.”, declarou desapontada a filha de José Francisco. Eles foram informados que a reforma não tinha previsão de término e que só serão realizadas cirurgias de emergência, contudo, a vez de seu José seria remarcada para o dia 31 de janeiro.

6 de fevereiro

E cheia de esperança, a filha do aposentado ligou para o Hospital fim de confirmar a cirurgia do seu pai, mas foi informada que novamente o procedimento deveria ser reagendado, pois a reforma ainda não chegara ao fim. “Disseram que ia ser no fim desse mês, ligamos e não poderia novamente fazer a cirurgia. E falaram que seria no dia 6 de fevereiro. E pediram para ficar ligando e perguntando se a reforma já tinha acabado. Já estamos em março, e nada. Enquanto isso, tivemos que procurar outros médicos e pagar consultas, porque o ferimento dele inchou e inflamou.”, disse ela.

25 de fevereiro

Sem aguentar ver seu pai em uma situação degradante, no dia 25 de fevereiro, a filha do paciente o levou para outro hospital, a fim de obter resposta de outro profissional. E lá foi constatado que ele estava com uma obstrução na uretra que o causava bastante desconforto. O procedimento para alívio do idoso foi realizado, porém a cirurgia ainda se faz necessária. E enquanto os familiares sofrem junto com seu José, dona Márcia recebe as mesmas respostas do Hospital Universitário. “Dizem que a construtora responsável atrasou ou que a reforma já está quase pronta, mas nunca dão previsão de quando ele poderá fazer a cirurgia”, afirmou a filha.

Resposta do Hospital

De acordo com a assessoria da imprensa do HULW, as reformas tiveram que ser feitas porque o bloco cirúrgico nunca foi reformado, e precisava ser modernizado. Além disso, foi informado que parte das obras já foram concluídas e que algumas cirurgias de pacientes mais graves já estão sendo realizadas. Contudo, a filha de seu José segue sem ser contatada pelo hospital enquanto seu pai tem sua situação agravada a cada dia.

Desesperança

A filha de seu José alega que se sente preocupada e vê seu pai injustiçado por estar sendo tratado dessa maneira. “A gente fica preocupada por conta da idade dele. Ele trabalhou a vida toda, contribuiu com impostos e de repente quando acontece uma necessidade dessas, ele não tem o tratamento adequado.”, disse.

Aflita, a filha do seu José cogita possibilidades de conseguir dinheiro para pagar a cirurgia do pai em algum hospital privado. “A gente quer resolver logo porque pode gerar outra doença, nos rins por exemplo. Pensamos até em fazer empréstimos, mas não temos condições”, desesperançosa, finalizou.

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