terça, 16 de julho de 2019
Saúde
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Emagrecer com dietas não recomendadas pode virar problema

Aline Martins / 17 de março de 2019
Foto: Assuero Lima
Na luta diária contra a balança muitas pessoas recorrem a dietas nada recomendadas para a saúde. Alguns nem consultam um especialista em alimentação e acabam fazendo apenas uma pesquisa na internet e adotando uma receita, que deu certo para um artista, por exemplo, acreditando que dará o mesmo resultado para si. As “dietas da moda” ou as dietas com “fórmulas e soluções mágicas”, retirando carboidratos, lipídios e gorduras estão aos montes em sites. Já foram contabilizadas pelo serviço de saúde mais de mil dietas para perder peso. Mas que riscos uma dieta com restrições de nutrientes pode trazer para o organismo?. Pesquisa Vigitel mostrou que 71% dos pessoenses estavam com excesso de peso ou obesos.

A retirada de um determinado nutriente da alimentação pode trazer danos a saúde. A nutricionista e doutora em Nutrição Clínica, Juliana Padilha Ramos Neves, explicou que os especialistas trabalham com a Lei da Nutrição que tem como base quantidade, qualidade, harmonia e adequação. “Ela prevê que o indivíduo deve ingerir todos os macros nutrientes de forma equilibrada. Conduzimos uma dieta obedecendo algumas regras que são determinadas por órgãos que regem nutrição. Temos uma quantidade x para ingerir de carboidrato, de proteína e de lipídios. Dizemos que é uma dieta normoglicídica, normolipídica e normoprotéica”, comentou.

Se um nutriente foi ingerido em excesso ou em falta há uma mudança de funcionamento do metabolismo. Juliana Padilha Ramos Neves, que também é proprietária da Nutrir (Centro de Nutrição Especializada), exemplificou que a ingestão menor de proteína pode causar em um indivíduo um quadro baixo de imunidade, de reserva muscular e de resistência. “Se dou menos gordura, menos lipídio eu posso implicar em uma quantidade de energia menor para ele, eu posso comprometer as vitaminas lipossolúveis”, informou, acrescentando a necessidade de se ter uma avaliação individual.

No entanto, se ocorre o inverso, ou seja, o aumento da gordura ou de carboidratos na alimentação, há um risco de doenças cardiovasculares e de esteatose hepática que é a gordura no fígado. “Os carboidratos mais refinados, os açúcares aumentam a glicose, triglicerídeo e as chances de resistência a insulina e possivelmente um diabetes. Se você dá muita proteína, você corre o risco de sobrecarregar a função renal e a função hepática porque o fígado metaboliza e o rim excreta. Quando você dá mais, você acaba comprometendo a saúde do paciente nesse sentido”, frisou.

Em algumas “dietas da moda” há a exclusão do carboidrato como se a retirada fosse sinônimo de perda de peso. A doutora em Nutrição Clínica explicou que o corpo funciona com a presença de glicose. “Se eu dou pouco carboidrato, o corpo vai reagir numa outra via de metabolismo que vai converter outras reservas, que não a reserva de carboidrato, para gerar energia. Quando você perde o controle disso, você dá muito menos do que o corpo precisa, essas vias alternativas podem ser perigosas. Isso quando a gente faz diminuição”, informou.

Evitar açúcares



De certa forma, o que deve ser evitado na dieta são os alimentos ricos em açúcares refinados (doces, guloseimas – os chamados açúcares simples). “Devemos dar preferência à açúcares complexos ou carboidratos complexos que são aqueles que têm fibras, por exemplo, arroz, arroz integral, macarrão, macarrão integral, pães, pães integrais. Quanto mais fibra ele tem, menor vai ser a taxa de glicose pós ingestão desse alimento. A glicose fica mais controlada. Isso é um benefício”, orientou, acrescentando que também deve ser retirado as frituras, que são gorduras saturadas que fazem mal para as artérias e são responsáveis pela formação de placas de gordura no sangue.

“Deve-se aumentar as gorduras boas, as gorduras que vem das oleoginosas, as gorduras dos peixes, pois são gorduras saudáveis. Evitar o leite integral, trocando pelo leite desnatado, porque a gordura do leite é a gordura saturada que é a gordura que faz mal. Além disso tudo, a gente fala que as pessoas precisam ter um hábito de vida saudável”, recomendou.

Mais de mil dietas para emagrecer



De acordo com o médico endocrinologista João Modesto Filho, existe no serviço de saúde catalogado mais de mil dietas para fazer perder peso. “Se tem mais de mil dietas é que, com certeza, elas não estão dando a resposta correta”, observou, destacando que não existem dietas mágicas. “Não é porque algum famoso fez que vai dá certo para a outra pessoa porque cada dieta é individualizada para cada um. Dietas da moda como da lua, do limão e outras são um perigo para o organismo”, afirmou, destacando que cada dieta é indicada para indivíduos específicos e leva em consideração as fases da vida, da idade, se tem alguma patologia (diabetes, hipertensão). “Têm dietas que são restritivas que podem causar dano a saúde”, frisou.

Reeducar é mais recomendado



Embora tenha feito algumas “dietas da moda”, a advogada Ana Márcia Fernandes Rolim, 37 anos, hoje acredita que é necessário um acompanhamento de um profissional que indique a alimentação correta a seguir. “Não acredito em dietas da moda, acredito na reeducação alimentar. Naturalmente até chegar a essa compreensão já fiz vários tipos de dietas malucas (da sopa, dos 13 dias etc), mas todas trazem um resultado imediato que logo é perdido. A nutricionista nos ajuda a pensar saudável e a longo prazo”, comentou.

Hoje ela é acompanhada pela dra Juliana Padilha Ramos Neves, pois seu objetivo é perder peso. “Sempre procuro fazer acompanhamento nutricional com especialistas, já fiz dieta com vários objetivos diferentes (ganho de massa, perda de percentual de gordura, emagrecimento etc). Dessa vez, o meu objetivo é emagrecimento. Engravidei em 2017 e então ganhei mais de 30 kg por ter negligenciado totalmente da dieta. Após o nascimento de minha filha naturalmente perdi um pouco de peso, mas não estava mais conseguindo progredir, então procurei dra Juliana para me acompanhar”, revelou.

Para a advogada é fundamental a presença de um nutricionista. “É essencial para ajustar a dieta às nossas necessidades, pois já na entrevista eles colhem todas as informações e começam a identificar onde estão os maiores vilões da alimentação saudável. Além disso, a cada reavaliação a gente consegue se motivar com os resultados e aprende a valorizar cada conquista”. Além de cuidar da alimentação, Ana Márcia também realiza atividade física. “Como não tenho tempo para fazer os dois no mesmo dia, alterno entre as atividades. Geralmente segunda, quarta e quinta faço corrida e terça, sexta e sábado Cross Fit”. AM

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