domingo, 17 de fevereiro de 2019
Saúde
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Em cinco anos, mais de dois mil novos médicos são registrados na Paraíba

Katiana Ramos / 27 de novembro de 2018
Foto: Reprodução
A Paraíba é o quarto estado do País com o maior crescimento no índice de médicos nos últimos cinco anos. Um levantamento divulgado nessa segunda-feira (26) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostrou que foram 2.222 novos registros, de 2013 a 2018, no Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado. Ao todo, são 6.519 profissionais com registro ativo no órgão, que considera esse quantitativo um bom contingente para atender a demanda. No entanto, as queixas de falta de médicos na Atenção Básica são recorrentes.

Para o presidente do CRM-PB, Roberto Magliano, a falta de médicos atuando nos postos de saúde se deve principalmente aos baixos salários que, geralmente, são pagos pelas prefeituras. “Com esses números nós vemos que não há uma carência de médicos, mas uma necessidade de interiorização. É preciso fazer uma política para estimular os profissionais a serem médicos de família. As prefeituras pagam muito pouco para os médicos porque, geralmente, arcam com os salários da Atenção Básica. Tem prefeitura oferecendo R$1.500 para um médico atuar em um posto de saúde. Além disso, não é só levar o médico para o interior, mas toda uma equipe de saúde da família, como enfermeiros, técnicos, odontólogos”, disse Roberto Magliano.

Sobre o crescimento de 34% de novos registros de profissionais no CRM-PB, o presidente do Conselho considera que esse aumento vem acompanhado dos novos cursos de Medicina que surgiram no Estado, nos últimos seis anos. “A quantidade de escolas médicas é desproporcional ao tamanho do Estado. Então, a quantidade de médicos que temos hoje é bem maior do que a média da taxa de crescimento da população”, acrescentou Roberto Magliano. Segundo ele, a maior parte dos novos registros feitos no CRM-PB são nas especialidades de Cirurgia-Geral, Pediatria, Clínica Médica, Ginecologia e Obstetrícia.

Na contramão dessas áreas está Denise Mota, uma das residentes em Medicina de Família e Comunidade, programa da Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa e que conseguiu o registro no CRM-PB em 2016. Com a conclusão do curso em março de 2019, ela se diz satisfeita com a área que escolheu para exercer a profissão. “A abordagem na Medicina de Família é diferenciada porque a gente trabalha mais com a prevenção de doenças, ensinamentos sobre saúde e troca de experiência com a comunidade. Então, a gente vê que faz diferença na vida dessas pessoas”, revelou.

Estatísticas

Na avaliação do CFM, se comparado com as estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fica evidente que o percentual de crescimento da população médica foi 5,4 vezes maior do que o de crescimento da população em geral, nesse intervalo de tempo, que ficou em 3,7%. Nos últimos cinco anos, o País ganhou mais 7.462.186 habitantes, passando de 201.032.714 (em 2013) para 208.494.900 (em 2018). Com o aumento registrado na população médica, também subiu a razão de médico por grupo de mil habitantes no Brasil, que passou de 1,93 (2013) para 2,24 (2018).

Essa variação aproximou o indicador nacional de países como Coréia do Sul (2,2), México (2,3), Japão (2,4) e Polônia (2,5).

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