quinta, 27 de junho de 2019
Saúde
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Dificuldades em tratamentos de câncer preocupam idosos

Katiana Ramos / 21 de maio de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
Na caminhada rumo à terceira idade, a dificuldade financeira para acessar os serviços de saúde e custear medicamentos é a principal preocupação dos brasileiros ao atingir os 70 anos. Esse é um dos resultados da pesquisa “Saúde dos Brasileiros”, divulgada este mês pela Datafolha com apoio da biofarmacêutica AbbVie, em São Paulo, para jornalistas convidados. Ainda faltam duas décadas para Auxiliadora da Costa chegar lá, mas, a paraibana está entre os milhares de brasileiros que sentem na pele o drama de quem depende da saúde pública no País.

Aos 50 anos, Auxiliadora da Costa aguarda o Sistema Único de Saúde (SUS) autorizar a cirurgia de cateterismo, solicitada pelo médio há cerca de um mês. Os exames e a consulta foram todos realizados em clínicas particulares. “Como era uma coisa urgente, eu não poderia esperar pelo SUS. Fiz o sacrifício e paguei tudo. Só a cirurgia que eu não tenho como pagar”, comentou a paciente. Ela ainda sofre de hipertensão e revelou que até então não ia com frequência ao médico.

A pesquisa da Datafolha revelou que a principal preocupação dos brasileiros com relação à saúde foi considerada por 23% dos entrevistados, sendo ainda maior entre mulheres (26%), pessoas na faixa de 25 a 34 anos, com nível superior e moradores de regiões metropolitanas.

Além de apontar dificuldades financeiras como possível empecilho para a saúde, o câncer aparece como a segunda maior preocupação informada pelos entrevistados ao alcançar os 70 anos. Também jovem e ainda distante da terceira idade, Alana Cláudia Souza leva uma vida ativa com atividades físicas e alimentação saudável. Mesmo com histórico de câncer na família, ela afirmou que toma os cuidados preventivos. Contudo, não tem medo da doença.

“Eu faço tudo que posso com relação à prevenção e sempre me cuidei. Se tiver de acontecer, é por que tinha que ser. Mas, não penso nisso”, disse Alana, que tem 47 anos.

O aposentado Tarcísio Frazão também esbanja vitalidade. Aos 71 anos, ele sofre apenas de hipertensão. Mas, afirma que mantém uma dieta equilibrada e faz pedaladas todos os dias.

“Jogo bola, ando de bicicleta todos os dias. Não tem essa de ficar parado não. Medo de doença, todo mundo tem. Mas, a gente vai vivendo e fazendo a nossa parte para ter saúde”, disse o idoso.

Dois tipos de leucemia são frequentes



A última estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontou 210 novos casos de leucemia na Paraíba, sendo 50 para moradores de João Pessoa. Os dados são estimados para 2018 e para este ano. A Leucemia Linfóide Crônica (LLC) e Leucemia Mieloide Aguda (LMA) são os tipos da doença que mais afetam os idosos. Contudo, não há estimativa de dados específicos dessa patologia.

Ainda assim, há uma esperança de sobrevida para os portadores da doença, por meio de um medicamento desenvolvido pela Biofarmacêutica AbbVie que já está em uso por alguns pacientes no Brasil.

O hematologista oncológico e professor da Unifesp, Otávio Baiocchi, explicou que os sintomas da LLC são inespecíficos, podendo gerar desde uma anemia, até cansaço, fadiga, perda de peso, dor óssea, infecções frequentes. “O diagnóstico preciso só com o hematologista. Geralmente é assintomática, a maioria dos médicos que me mandam pacientes são cardiologistas e geriatras. Geralmente eles pedem um hemograma e ao invés de terem 4 mil linfócitos, vão ter 16 mil linfócitos. Não é uma doença que aparece da noite para o dia”, frisou o médico. Ele destacou ainda que, por esse tipo de leucemia acometer mais idosos, o tratamento é voltado para reduzir os sintomas, como uma doença crônica. Dessa forma, o impacto dos efeitos colaterais é reduzido e o paciente ganha uma sobrevida.

“Na LLC você controla a doença. O nosso papel principal é acolher o paciente e explicar a ele. E, muitas vezes, não tratá-lo. Então, por que é que vou expô-lo à drogas se ele está bem? Trate quando ele tiver fadiga, anemia. E falando sobre o tratamento pode ser desde a observação do paciente até um transplante de medula óssea. Mas, nesse segundo caso é muito difícil. Tenho pacientes que estão há dez anos só na observação”, relatou Otávio Baiocchi.

*A repórter viajou a convite da AbbVie

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