segunda, 10 de dezembro de 2018
Saúde
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Depressão afeta quase 5% da população da Paraíba

Beto Pessoa / 01 de abril de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
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A depressão ainda é um tabu e o tratamento medicamentoso da doença também não está imune ao preconceito. O temor dos efeitos colaterais dos remédios, de que ele torne o indivíduo incapaz de ter uma vida normal, ainda é o pensamento de muitos. Porém, segundo um estudo feito pela seguradora de saúde SulAmérica, o uso dos antidepressivos cresceu 74% no Brasil entre 2010 e 2016. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2013, a depressão afeta 7,6% da população brasileira e 4,8% da paraibana.

O universitário Gustavo de Figueiredo, que lida com a depressão há aproximadamente sete anos, explica que a doença é inconstante. “A depressão se caracteriza por períodos de atividade e inatividade. Passo a maior parte do tempo sem me sentir depressivo, mas alguns períodos da minha vida a depressão se manifesta. Fico sem vontade de levantar da cama, uma grande indiferença às coisas, sem vontade de viver o dia a dia. Perco a vontade de viver, por isso o tratamento e o acompanhamento psiquiátrico são necessários”, disse.

Outro problema é que as pessoas que sofrem com depressão vivem em estado de constante vigilância, sensação provocada pelo medo daqueles que os observam e criticam, que atrapalha os tratamentos explicou o psiquiatra Givaldo Medeiros. “Falta preparo da sociedade e preparo institucional, as pessoas e as empresas ainda não sabem como lidar com o doente mental. Se tem realizado campanhas contra a psicofobia, mas muita gente ainda acha que toda doença mental está associada à loucura”, disse.

Fatores desencadeantes

Pré-disposição, fatores genéticos, neurológicos ou situações específicas da vida, como uma perda familiar, fim de namoro ou alguma frustração pessoal, podem desencadear a depressão. A psicoterapia trata todos os casos e nas depressões leves pode ser suficiente para curar o paciente. Em outros casos, aliado à psicoterapia, são utilizados os medicamentos, a depender do perfil do paciente e da sua depressão.

“Nós falamos em depressões, não em depressão, porque ela vai variar. Você pode ter uma depressão como reação a uma situação de vida. Você pode ter um episódio de depressão na vida e não ter mais. Você pode ter um transtorno depressivo recorrente, depressões que vão se repetir ao longo da vida. E você pode também ter a depressão do transtorno bipolar do humor, que é uma outra doença que cursa com períodos eufóricos e períodos longos de depressão, melancolia profunda”, explicou o psiquiatra.

Independente do nível, o especialista explica que a depressão é uma doença do humor e não pode ser confundida com tristeza. A tristeza é passageira e não costuma atrapalhar a rotina da pessoa, que come, tem vida social e trabalha. Alguém com humor depressivo passa a ter mudanças limitantes no seu dia a dia, passa a comer muito ou nada comer; o desejo pelas coisas desaparece; a sexualidade diminui e o sono costuma ser alterado: se passa a dormir muito ou a não dormir nada.

Depressão não tem uma ‘cara’

Apesar dos sintomas, é preciso entender que traçar um perfil da pessoa com depressão nem sempre é fácil, pois muitas vezes elas não demonstram seu estado de humor. Só sabe o que sente quem passa.

“A pessoa com depressão nem sempre está no leito, nem sempre terá uma ‘cara’ de depressivo. Tem gente que trabalha, vai a faculdade, tem uma vida comum, mas está com depressão. Ela muda de pessoa para pessoa, dependendo do nível. Ela pode ser leve, moderada ou grave”, explicou Givaldo Medeiros.

O importante, em qualquer dos casos, é buscar ajuda. Isto porque a pessoa com depressão costuma ser duplamente cobrada: pela sociedade, que exige que ela aja de determinada forma; e por si, quando não consegue corresponder àquilo que lhe impõem. “A pessoa se cobra e é cobrada. A depressão gera muito sofrimento, mas o pior de tudo são as cobranças. Normalmente as pessoas ao redor não aceitam e não entendem, acabam menosprezando, tendem a negar, chamam de frescura”, destacou o médico.

Lista dos 10 medicamentos para sistema nervoso mais adquiridos entre julho de 2015 e julho de 2016

Tipo                                      Quantidade

Analgésicos                        90.071

Antidepressivos              61.859

Ansiolíticos                         36.179

Antiepilépticos                 0.469

Hipnóticos                          17.344

Antienxaquecosos         14.360

Antivertiginosos              8.071

Antitabagismo                  5.296

Nootrópicos                      4.790

Anestésicos                       4.095

Fonte: SulAmérica

Dados da pesquisa SulAmérica sobre antidepressivos



  • Em 2010 foram adquiridas 35.453 antidepressivos, enquanto que em 2016 esse número saltou para 61.859


  • Os antidepressivos representam 6% de todos os medicamentos para os tratamentos das desordens do sistema nervoso


  • Há predominância de utilização na faixa etária de 50 a 59 anos (mais de 15 mil unidades em 12 meses) e entre mulheres (mais de 38 mil unidades em 12 meses)


  • A comercialização de ansiolíticos também apresentou elevação, passando de 17.197 unidades em 2010 para 36.179 nos doze meses anteriores a julho de 2016


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