terça, 16 de julho de 2019
Saúde
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Cuidados com higiene do colchão evitam doenças

Lucilene Meireles / 17 de fevereiro de 2019
Foto: Rizemberg Felipe
Dormir bem depende de vários fatores como silêncio, pouca iluminação, temperatura agradável e, principalmente, um bom colchão. No entanto, além de adquirir um produto de boa qualidade, também é necessário investir na sua manutenção, se não quiser acabar dormindo com os inimigos - os ácaros. Com o passar dos anos, é possível que o colchão dobre de peso, porque os ácaros podem estar vivendo e se proliferando nele. Para se ter ideia, em apenas 1g de poeira são encontrados até 40 mil destes organismos que, se não forem eliminados, podem causar doenças respiratórias e dermatológicas.

O alerta é de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e é reforçado pelo otorrinolaringologista Marcus Sodré e pela dermatologista Francisca Estrela Dantas Maroja. Ambos ressaltam que os cuidados com a higiene do colchão são fundamentais para garantir menos proliferação dos ácaros e, em consequência, menos crises alérgicas.

Sodré explicou que rinite, sinusite, faringite, bronquite, entre outros problemas respiratórios, podem surgir quando não cuidamos bem do quarto e, principalmente, do colchão. Por isso, cuidar de todos os ambientes da casa é fundamental para evitar o acúmulo de poeira. O quarto, porém, é o mais preocupante, pois é nele que permanecemos por mais tempo.

“Se temos oito horas de sono, isso representa um terço da vida dentro do quarto, ou seja, a cada 30 anos, são 10 dentro do quarto. Pelo inspirar, respirar, quanto mais o ambiente estiver limpo, arejado, mais luz solar, janelas abertas, vai ter uma melhor qualidade do ambiente”, observou.

Efeito dominó. Uma recomendação importante a seguir é a regra dos três ‘A’, ou seja, Ambiente, com todos os cuidados para manter a higiene; Alimentos – evitando, por exemplo, camarão , embutidos, enlatados, que têm alta carga alérgica; e Atividade física, que ajuda a melhorar a capacidade respiratória e a limpeza do nariz e pulmão, segundo Marcos Sodré. “Tudo isso pode ajudar o alérgico. Tirando essas observações, quando a pessoa apresenta um grau de alergia, incômodo, irritação, coriza, olhos lacrimejando, nariz entupido quando deita, atrapalha a vida e pode ser incapacitante. Nestes casos, o ideal é procurar orientação de um especialista”, aconselhou.

Ele ressaltou ainda que é importante pensar nas crianças que estão dormindo mal e se desenvolvendo mal, se elas dormem de boca aberta à noite, roncando, se têm crises de garganta, de ouvido.

“O fato de respirar mal atinge ouvido e garganta. É o efeito dominó: o nariz entupido faz dormir de boca aberta, o que leva a roncar e isso afeta a garganta, sufoca, acorda cansado. Respirar é fundamental para a saúde da pessoa como um todo”, acrescentou.

Maratona diária



Nem foi necessário um estudo para que a dona de casa Laís Targino descobrisse que os ácaros são a causa das alergias de seu filho Arthur, de 11 anos. Ela sabe bem o que é lutar contra os ácaros e realiza uma maratona diária de cuidados.

“Meu filho tem asma e rinite. Por isso, troco o lençol e a fronha três vezes por semana. Limpo a cama com pano úmido para retirar alguma poeira. Quando dá, coloco o colchão no Sol e sempre mantenho o quarto limpo, mas não varro, só passo pano”, relatou.

Com esses cuidados, Laís garante ter percebido um a melhora considerável na saúde de Arthur. As crises alérgicas, segundo relatou, se tornaram menos frequentes e, em consequência, o filho tem usado menos a bombinha. “Tomar precauções é realmente muito importante, tanto que a última crise dele foi há três meses”, comemorou.

É preciso saber escolher



Na hora de escolher o colchão, a pessoa deve se atentar para a densidade do colchão, ou seja, o quanto de peso a espuma ou mola pode suportar. Uma densidade errada pode prejudicar a saúde, assim como um produto que já passou da validade. É o afirma Gerson Marçal, CEO, no Brasil, da Pro-Aqua, empresa multinacional alemã que atua com tecnologias inovadoras, entre elas, um equipamento desenvolvido especialmente para a limpeza de colchões e estofados em geral.

“Não há como limpar o colchão profundamente sem o uso de um aparelho especial. Ele não pode ser lavado, pois a água deixa o objeto úmido e proporciona um habitat perfeito para os ácaros. É importante manter o colchão arejado e não deixá-lo úmido”, ensinou.

Segundo Marçal, o colchão é o local da casa onde mais tem ácaros. Os aspiradores de pó comuns, segundo ele, conseguem remover apenas a sujeira superficial, enquanto no interior do objeto os ácaros continuam se proliferando. Atualmente, há aspiradores de alta tecnologia que alcançam até 20 centímetros abaixo da superfície e são capazes de remover 99% dos ácaros, fungos e bactérias do ambiente, incluindo em estofados, travesseiros, bichos de pelúcia, almofadas e ainda purificam o ar enquanto limpam.

“Para quem não possui o aparelho, indico o uso de uma solução caseira: borrifar sobre o colchão uma solução de bicarbonato com água oxigenada 10 volumes e depois deixar secar naturalmente por algumas horas. Mas reitero: essa solução remove apenas a sujeira superficial”, frisou Gerson Marçal.

Problemas até na pele. Colchões que não vão para o Sol e não são higienizados corretamente podem acumular ácaros que, além de desencadearem problemas respiratórios, também afetam a pele.

“Podem provocar alergias cutâneas, prurido, ou seja, coceira na pele e vermelhidão. Porém, causa mais problema respiratório. Na pele, acaba sendo em menor grau”, explicou a dermatologista Francisca Estrela Dantas Maroja.

Ela ressaltou que a resposta alérgica ao ácaro é mais preocupante em crianças que são alérgicas, que podem ter uma crise, principalmente as que têm dermatite atópica.

A médica reforçou que uma dica importante é usar capa de proteção no colchão para evitar o contato com os ácaros e, no período chuvoso, essa opção é ainda mais indicada por conta da umidade. Além disso, expor o colchão ao sol quando for possível.

“Se aparecer algum sinal de alergia na pele, o ideal é procurar um dermatologista, pois esses sintomas podem se agravar dependendo do grau de alergia que a pessoa, criança ou adulto, tem”, completou.

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