quarta, 25 de novembro de 2020

Saúde
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CRM-PB contra exames para recém-formados

Lucilene Meireles / 19 de fevereiro de 2016
Foto: Assuero Lima
O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) divulgou, esta semana, o resultado do exame 2015, que reprovou quase metade dos recém-formados que fizeram a prova. Segundo o Cremesp, o resultado do exame não impede os reprovados de exercer a profissão, mas a participação na prova já começa a ser exigida para acesso a residência médica, concursos e no mercado de trabalho. O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) não pensa em adotar avaliação semelhante para egressos de faculdades de medicina do Estado. Mas alunos e professores da Universidade Federal da Paraíba concordam com a avaliação e dizem mais: os reprovados deveriam voltar para a escola e não receber o registro, assim como ocorre com o exame da OAB.

O teste para novos profissionais de qualquer área agrada a sociedade que paga pelos serviços prestados, seja diretamente ou através de seus impostos, mas os médicos são mais cobrados, porque lidam diretamente com a vida de pessoas e um erro pode ser fatal.

O despreparo dos recém-formados, segundo o presidente do Cremesp, explicaria o aumento das denúncias de erro médico. Em 1993, eram cerca de cinco por dia. “Atualmente, recebemos uma média de 17 diariamente, uma situação alarmante. No Brasil, não existe uma lei que impeça que este indivíduo, identificado como incopetente, entre para a atividade médica. O Conselho lamenta”, destacou Bráulio Luna Filho.

O presidente do CRM-PB defende outro tipo de exame: o de progresso, feito em períodos distintos da formação. João Medeiros explicou que a implantação desse teste está em fase de discussão, e o programa Mais Médicos, do Governo Federal já prevê a partir de 2018. “É um teste feito fora da instituição, no segundo, quarto e no sexto ano, dando a possibilidade dele se recuperar e se capacitar durante o curso”.

Ele não arriscou afirmar que percentual de egressos seria reprovado na Paraíba, mas disse que é preciso manter a vigilância em relação às escolas médicas públicas e privadas.

"A aplicação do exame não é legal porque não está prevista na lei 3268, dos Conselhos de Medicina do CRM. O exame é para ter uma ideia, mas instituir como obrigatório é ilegal. É importante a avaliação de egressos, mas tem que avaliar as escolas. E esse teste não avalia bem o médico. A medicina é muito prática. É possível ter um conhecimento teórico muito grande e não ser bom na prática", disse João Medeiros.

Exame na Paraíba

Este ano, duas instituições da Paraíba – UFPB e Famene – devem participar d e um projeto-piloto que vai testar o ensino: O ‘Sistema de Avaliação de Escolas Médicas (Saem)’, que envolve 20 instituições de ensino superior (IES) do País, distribuídas assim:

6 do Sudeste

4 do Nordeste

4 do Sul

3 do Centro-Oeste

3 do Norte

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