quinta, 21 de novembro de 2019
Saúde
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CRM desinterdita UPA, mas fará nova fiscalização

Redação / 15 de maio de 2019
Foto: Assuero Lima
O Conselho Regional de Medicina (CRM) desinterditou eticamente nessa terça-feira (14) a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro de Cruz das Armas, em João Pessoa, após reavaliar o plano de segurança da unidade. A UPA tinha sido interditada na última terça-feira (7) após o Conselho receber reclamações de médicos que trabalham na unidade, de que estariam sendo vítimas de agressões, praticaras por pacientes. Nessa terça-feira (14) pela manhã, a Prefeitura escalou um reforço de guardas civis no local e os atendimentos estavam previstos para serem retomados à zero hora desta quarta-feira (15). No próximo dia 25, o CRM fará nova inspeção na unidade, para verificar problemas na escala dos médicos e pode voltar a interditar a UPA.

O chefe de Fiscalização do CRM, João Alberto de Morais Pessoa, disse que, em uma das reclamações dos médicos, uma pediatra chegou a levar o marido para o trabalho, para protegê-la de eventuais agressões de pacientes.

“Na unidade existem dois problemas. Um deles é a falta de um plano de segurança que garanta a integridade dos profissionais. O outro é a escala dos médicos que está incompleta, caindo bastante a quantidade de profissionais nos finais de semana. Essa falta de médicos aumenta a demora na espera por atendimento, o que irrita os usuários e dá origem às agressões. Uma coisa está ligada à outra”, explicou.

Por conta disso, o Conselho fez a desinterdição da unidade, mas já programou uma nova vistoria, para o dia 25.

“No quadro de servidores haviam quatro guardas. Ontem encontramos um reforço de outros seis e nos garantiram que esse reforço ficaria lá. Por isso os médicos disseram se sentir seguros para retomar as atividades. Esperamos que assim seja. Mesmo assim, se no dia 25 a escala de médicos continuar incompleta, infelizmente teremos que interditar novamente”, acrescentou João Alberto.

Um servidor da Unidade de Pronto Atendimento, que não quis ser identificado, conversou com a reportagem do CORREIO e disse que o problema mais comum na unidade são atritos verbais entre pacientes e funcionários.

“Tem muitas questões envolvidas nisso. Primeiro as pessoas não entendem que UPA é um lugar de atender emergência e chegam aqui com problemas que deveriam ser tratados nos postos de saúde. Isso sobrecarrega a UPA, principalmente nas segundas-feiras. Quanto mais gente, mais demora para atender. Também há pessoas que não entendem o sistema de classificação de urgência e quando chega alguém que precisa ser atendido mais rápido e passa na frente, começa o tumulto. Outros simplesmente não atentam para a chamada da senha de atendimento no quadro e vem discutir com a gente. Enfim, é preciso mediar o tempo todo os ânimos por aqui”, contou.

Mediação de conflitos



O secretário de Saúde, Adalberto Fulgêncio, disse que esteve reunido com o comando da Guarda Municipal e que será cobrado dos guardas plantonistas da UPA que façam a mediação de conflitos. “Havia lá alguns guardas que entendiam que não era função deles intervir nos casos de conflitos entre médicos e paciente, que a função deles era apenas a guarda patrimonial. Mas isso não pode ser assim e quem estiver lá terá que garantir a segurança dos servidores. Com relação à escala, estamos com problema na especialidade Pediatria, com falta de profissionais no mercado. Mas já estamos tentando solucionar isso, com expectativa de já ter resolvido no dia 25”, disse.

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