sexta, 19 de abril de 2019
Saúde
Compartilhar:

Coordenação Estadual da Saúde da Mulher fala sobre planejamento familiar

Aline Martins / 15 de março de 2019
Foto: Arquivo
Embora o número de nascidos vivos no ano passado (60.572) na Paraíba seja o maior dos últimos cinco anos, a quantidade de procedimentos irreversíveis realizados em 2018 como a laqueadura (1.424) é a menor desde 2014. Isso mostra que as mulheres têm procurado menos esse tipo de procedimento. Para a Coordenação Estadual da Saúde da Mulher, o planejamento familiar é um serviço importante para a prevenção da gravidez indesejada e isso é repassado na rede básica de saúde. Lá são fornecidas informações sobre os métodos contraceptivos, mas também uma conversa com as pessoas interessadas em constituir família.

Na Atenção Básica, homens e mulheres recebem orientações sobre os métodos preventivos de gravidez e também de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Nesse local eles conhecem tanto os métodos contraceptivos reversíveis quanto os irreversíveis. Se mesmo assim, após participar de reuniões, por exemplo, decidir por uma laqueadura ou vasectomia, a pessoa é encaminhada para um dos serviços públicos que realizam as cirurgias. Dentre os critérios para fazer a laqueadura ou vasectomia estão ter acima de 25 anos de idade ou ter três filhos, segundo informou a coordenadora Estadual de Saúde da Mulher, Fátima Moraes.

Hoje, cada vez mais, as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho e se capacitando com o objetivo de aumentar os níveis profissionais. A maternidade é algo sendo experimentado aos 30 anos de idade ou mais. “Vemos hoje que quanto maior o nível de informação da mulher, de estudo, mais prolongada a espera por ter um filho quando isso ocorre de forma planejada”, comentou.

A coordenadora Estadual da Saúde da Mulher disse que em relação a gravidez indesejada, que ocorre sem planejamento, ela acontece principalmente na adolescência. Segundo Fátima Moraes, é necessário que todas as pessoas busquem se informar sobre o planejamento familiar e saibam de todos os métodos contraceptivos.

“Muitos adolescentes iniciam cedo a vida sexual e têm vergonha de buscar informações de prevenção nas Unidades de Saúde da Família porque é perto de casa, têm medo que os pais saibam, mas o serviço tem o sigilo profissional. É necessário que os adolescentes saibam disso. Ele também pode se informar em outras unidades da família”, contou.

A coordenadora Estadual da Saúde da Mulher ainda destacou a importância do trabalho que é realizado pelo serviço de saúde nas escolas. E de acordo com ela, é necessário que a orientação da prevenção da gravidez não seja só de responsabilidade da mulher, mas também do homem. “Não é uma gravidez unilateral, de apenas uma pessoa. O adolescente não deve só ir na unidade de saúde buscar a camisinha, mas também se informar sobre o planejamento familiar para ter filhos quando os dois decidirem juntos”, frisou, acrescentando que as pessoas podem conhecer os métodos reversíveis como a pílula (diária), os injetáveis (mensais ou trimestrais), camisinhas (feminina e masculina), o DIU, a pílula do dia seguinte (que não deve ser tomada como um comprimido preventivo diário) e diafragma, e ainda os irreversíveis como a laqueadura ou a vasectomia. Nos dois casos os procedimentos são conversados com as pessoas que têm interesse em passar por eles.

O que diz a lei

A legislação federal não permite a esterilização cirúrgica feminina durante os períodos de parto ou aborto ou até o 42º dia do pós-parto ou aborto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores. Essa restrição visa à redução da incidência de cesárea para procedimento de laqueadura, levando-se em consideração que o parto cesariano, sem indicação clínica, constitui-se em risco inaceitável à saúde da mulher e do recém-nascido. Além disso, esses momentos são marcados por fragilidade emocional, em que a angústia de uma eventual gravidez não programada pode influir na decisão da mulher. Ademais, há sempre o risco de que uma patologia fetal, não detectada no momento do parto, possa trazer arrependimento posterior à decisão tomada.

Laqueadura após parto

Gestante de oito meses, Talitha Eleonora Borges Pereira Lucena, 35 anos, decidiu fazer a laqueadura após o parto. Ela tem um filho de 4 anos de idade e já sofreu um aborto espontâneo. A escolha para que se submetesse a essa intervenção cirúrgica pós-parto foi para que evitasse nova cirurgia meses depois. “O meu desejo, sempre foi de ter dois filhos. Então, eu e meu esposo já tínhamos a intenção de evitar definitivamente a possibilidade de futuras gestações, por meio da laqueadura, mesmo ciente da existência de outros métodos contraceptivos”, comentou.

Como fará o procedimento por meio do plano de saúde, Talitha Lucena, comentou que para o plano de saúde não é suficiente a manifestação exclusiva do casal.

“No ato da solicitação do pedido de laqueadura, exigem laudo psicológico atestando que a paciente está ciente dos riscos e irreversibilidade do procedimento. E nos dá 60 dias para autorizar o procedimento, bem como, nos deixa livre para revogar a solicitação a qualquer tempo, antes do procedimento”, frisou. Além disso, o serviço ainda pontua exigências para que encaixe no procedimento como idade mínima e determinada quantidade de filhos.

 

 

Relacionadas