sexta, 14 de maio de 2021

Saúde
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Conheça o drama dos transplantados na Paraíba

Aline Martins / 25 de agosto de 2017
Foto: Nalva Figueiredo
A ausência de medicamento que reduz o risco de rejeição do órgão e a falta de transporte tem preocupado pacientes transplantados na Paraíba. Um deles é Felipe Valério Ferreira, 52 anos. Há um ano e meio recebeu um novo coração. Entrou na lista de espera em estado crítico, mas conseguiu passar pelo transplante em um hospital na cidade de Recife (PE).

O que era mais difícil, um órgão, ele conseguiu. Já a assistência de transporte para deslocamento até o outro Estado para consultas e exames frequentes que são necessários para o acompanhamento do comportamento do coração transplantado e do organismo, tem sido precária. Ele já perdeu diversas consultas e exames por conta disso.

Assim como ele, outros estão sofrendo com a falta de fármaco.

Desde a semana passada, Felipe Valério Ferreira havia marcado com funcionários do TFD a ida ao Recife no dia de ontem. Na quarta-feira, para se certificar que estava certa a vaga no carro e teve uma surpresa.

“Como eu tenho o número do telefone dos três motoristas eu liguei na noite da quarta e todos eles me falaram que o meu nome não estava. Quando você faz um transplante você precisa ter uma vida regrada, calma. Mas como? Um desrespeito com o paciente”, relatou, acrescentando que conseguiu transferir a consulta para o período da tarde, mas a responsável pelo serviço na SES disse que todos os carros estavam fora da cidade e do Estado. “Disse que caso eu quisesse ir fosse por conta própria. Só que já é final de mês e não tinha dinheiro guardado”, comentou.

A consulta era de extrema importância. Na última consulta o médico percebeu alteração no índice do colesterol e precisava saber o acompanhamento. Segundo o paciente, o medicamento que toma para evitar a rejeição consegue no Estado vizinho. “Eu recebo em Recife. Embora eles não tenham nenhum convênio com a Paraíba e eu não esteja contribuindo. Estão tendo um gasto comigo”, afirmou.

A responsabilidade é do Governo do Estado, mas segundo Felipe Valério constantemente falta fármaco e transporte. Aos 45 anos, ele descobriu que tinha problemas cardíacos. Antes do transplante passou por três hospitais: Hospital de Cabedelo e Hospital Santa Isabel em João Pessoa. Por último, no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), em Recife. “Assim que entrei no Imip recebi o coração em 23 dias. Fiz a cirurgia no daí 23 de fevereiro de 2016 e recebi alta em 18 de março de 2016”, contou.

Medicamento em falta. O sofrimento dele é também o de outros pacientes na Paraíba. De acordo com a presidente da Associação Paraibana de Transplantados e Familiares (AphetoPB), Danielle Paiva, além do problema do transporte do TFD, desde a semana passada, está em falta na Paraíba o ‘Tacrolimo’ – um fármaco imunossupressor utilizado por pacientes transplantados para reduzir a atividade do sistema imune e, assim, reduzir o risco de rejeição. Ele pode ser utilizado por pacientes de transplantes de coração, fígado e rins.

Danielle contou que entrou em contato com as cidades de Recife e Fortaleza e o fornecimento estava normal. “Porque eles poderiam dizer que é culpa só do Ministério da saúde, mas já checamos que nos estados vizinhos está normal. O que acontece na Paraíba é desorganização e falta de respeito com os pacientes”, lamentou.

Essa é a terceira vez somente neste ano que falta o medicamento. O pai dela também é transplantando e toma o medicamento. “A gente tem um grupo e quando falta aquele que vai pegar mais tarde cede ao outro e assim vai levando, mas ninguém pode ficar um dia sem tomar”, alertou.

 O que diz a SES

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) explicou que o Tacrolimo é um medicamento para pacientes transplantados, fornecido, exclusivamente, pelo Ministério da Saúde, por meio do Cedmex. A entrega será normalizada hoje, de acordo com o cronograma do próprio Ministério. Já sobre o paciente Felipe Valério Ferreira, houve uma falha no sistema de informação, mas o TFD entrará em contato com o serviço em Recife pra remarcar o atendimento para hoje e ligará para o paciente passando os detalhes.

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