quinta, 22 de abril de 2021

Saúde
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Confirmado sexto caso de malária na Paraíba

Lucilene Meireles / 28 de maio de 2019
Foto: Divulgação/Portal Biologia
O sexto caso de malária foi confirmado na Paraíba e, desta vez, a pessoa infectada é de João Pessoa. A paciente, de 26 anos, mora no Bairro dos Estados e possui casa em Carapibus, no Conde, Região Metropolitana da Capital. Internada no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), no Campus I da UFPB, desde o último sábado, dia 25, com sintomas sugestivos da doença, ela teve o resultado confirmado no exame de Gota Espessa e iniciou imediatamente o tratamento na unidade de referência. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) alerta a população sobre as medidas de prevenção a serem adotadas.

A gerente executiva de Vigilância em Saúde da SES, Talita Tavares, observou que quem trabalha no Conde e mora em outro município, ou os turistas que visitam a cidade devem reforçar os cuidados, porque existe o risco de contrair a doença e levar para onde moram.

“Desde o primeiro caso confirmado, fomos in loco e vimos que os casos se concentravam em Jacumã e Carapibus. Alertamos que o residente ou visitante deveria estar sempre atento, pois estava acontecendo a transmissão, e a prevenção individual é importante para evitar a infecção de pessoas saudáveis”, disse.

De acordo com ela, quando se estabelece uma área de transmissão, se o usuário ou visitante que esteve no local apresentar sintomas sugestivos que reportem à malária, deve procurar um posto de saúde para realizar o teste.

“Sintomas como febre, mialgia, fadiga podem ser confundidos com virose e, por isso, as pessoas deixam para procurar atendimento quando têm sudorese, tremor. Existe uma demora da busca assistencial desses pacientes”. O ideal, segundo Talita, é iniciar a medicação o mais rápido possível.

“Quando fazemos a Gota Espessa vemos o resultado para carga parasitária de duas cruzes, isso significa que ele não buscou assistência quando teve febre e mal estar, mas quando o parasita já estava na corrente sanguínea. Nesta situação, a fêmea do mosquito vai se alimentar e contaminar outras pessoas. Esse ciclo tem que ser quebrado. Quando o exame dá positivo e é iniciada a medicação, a pessoa não vai mais transmitir”, esclareceu.

O teste

Se não tiver o teste rápido no posto, a Gota Espessa deve ser realizada. Talita afirmou que é um teste rápido, feito com uma gota de sangue que é enviada ao Laboratório Central do Estado (Lacen) para leitura. Confirmada a malária, a medicação é gratuita e disponibilizada pelo Ministério da Saúde por meio da SES.

Retomada do fumacê

A SES vai retomar o fumacê no Conde, com três ciclos. Na primeira semana, serão três dias de aplicação. Interrompe uma semana e, na seguinte, serão mais três dias. Este esquema deve ser mantido até o São João. Em João Pessoa, foi aplicado inseticida no Bairro dos Estados. A região está sendo monitorada.

Sempre que um caso é confirmado, é colocado inseticida no local da casa do paciente.

“Mas, só isso não é o bastante, porque diminui o adulto, mas o Anopheles faz parte do ambiente. É preciso tomar os cuidados individuais de prevenção contra o mosquito. Caso se sinta doente, tiver histórico de ida ao Conde ou mora lá, tem que fazer o exame para ter diagnóstico ou de malária ou de outra arbovirose”, ressaltou Talita Tavares.

Saiba

Não existe exame na rede privada para diagnóstico de malária, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB).

"Existe um ciclo de desenvolver os sintomas. Quando o mosquito pica, o parasita se desenvolve no fígado. Depende do sistema imunológico, os sintomas demoram, em média, 30 dias para aparecer, mas pode ser em 15, 20 dias. A doença é transmitida quando o parasita está na corrente sanguínea." - Talita Tavares, gerente executiva de Vigilância em Saúde da SES.

Risco potencial no conde



O município de Conde caracteriza-se hoje com risco potencial de transmissão da doença, cabendo a todos os usuários e visitantes a tomada de medidas de prevenção contra picada de mosquitos como: o uso de calças e camisas de manga longa e de cor clara, uso de repelentes, evitar locais próximos a criadouros naturais dos mosquitos, principalmente nos horários a partir do final da tarde até o amanhecer, entre 17h e 6h, uso de telas protetoras nas portas e janelas e o uso de mosquiteiros.

Saúde monitora e busca focos em JP



A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de João Pessoa informou que continua fazendo ações como acompanhamento epidemiológico. A equipe vai colher as informações com a moradora, saber por onde ela andou.

Quando há qualquer suspeita, os técnicos acompanham, observando o território, verificando se há focos.

Ao surgirem sintomas, o paciente pode procurar qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS), Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para ser avaliado. Se os sintomas estiverem no perfil da malária, as unidades de saúde encaminham para o hospital de referência no tratamento de malária, o Hospital Universitário Lauro Wanderley.

Gota Espessa

Para descentralizar o atendimento, a SES realizou uma capacitação de coleta da lâmina de Gota Espessa para profissionais de equipamentos hospitalares do município de João Pessoa e região. A qualificação aconteceu em abril e foi ministrada pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB).

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