quarta, 17 de outubro de 2018
Saúde
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Complexo Juliano Moreira está superlotado

Lucilene Meireles / 15 de setembro de 2018
Foto: Assuero Lima
A direção do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, em João Pessoa, vai abrir uma sindicância para apurar a morte de um paciente, ocorrida na última quinta-feira (13). Dependente de álcool, ele estava internado há 14 dias, havia fugido após pular o muro e saltou do veículo do hospital ao ser resgatado por um profissional de saúde. A decisão da investigação interna da morte foi tomada pelo diretor da unidade, mesmo considerando que o caso foi uma fatalidade. Com capacidade para abrigar 72 pacientes, o número de internos no Complexo oscila 80 e 90.

“A partir de agora, virá o inquérito policial. Será feita a perícia, o exame cadavérico, e o laudo vai dizer o que, de fato, levou o paciente à morte. No Juliano Moreira, será aberto um inquérito administrativo para constar se há alguma responsabilidade de algum funcionário do hospital”, informou o diretor geral do Juliano Moreira, Walter Freire.

No resgate, não foi cogitada a possibilidade de usar alguma medicação calmante. “Ela só é usada se o paciente estiver agressivo, quando é necessário um cuidado maior. Mas, segundo o diretor, é imprevisível quando o paciente surta, principalmente se for dependente de álcool. “Aconteceu essa fatalidade, embora tenhamos todo o cuidado para que isso não ocorra”, lamentou.

Ele afirmou, inclusive, que atitudes como amarrar o paciente para garantir sua segurança ou evitar uma nova fuga poderia ter um efeito contrário ao esperado.

“O paciente que tem um nível de excitação alto, de irritação, se a equipe for tentar colocar alguma contenção, ele pode ficar fora de controle, mas ele estava sentado ao lado do apoiador, tranquilo”, enfatizou. Walter disse ainda que, quando o paciente está agitado e há o risco de se machucar ou ferir alguém. Por isso, ao chegar na unidade, fica numa sala de observação até passar o momento de excitação.

“Nós temos trabalhado para, cada dia mais, avançarmos no processo de humanização. Nesse momento, estamos abrindo um espaço de convivência onde cada enfermaria antiga será transformada em sala de ioga, reiki, oficinas, dança, salão feminino e uma barbearia que já está funcionando. Esse tem sido o trabalho. Vai ficar lindo o espaço”, disse.

Raio X da unidade

“Às vezes, vamos além dos leitos, mas nós temos camas, alimentos, toda uma condição de receber esses pacientes um pouco acima da capacidade, buscando diminuir o tempo de hospitalização com terapêuticas como dança, oficinas, entre outras”, declarou o diretor geral, Walter Freire.

O local, considerado de referência no tratamento de pacientes com problemas psiquiátricos, atende a todo o Estado da Paraíba e, em apenas um dia, pode receber até seis novos pacientes. O tempo de internação pode chegar a 30 dias, mas pode durar apenas oito, dependendo das condições de cada interno.

Um dos problemas observados pelo diretor é que há famílias que abandonam o parente no hospital. “Algumas famílias têm dificuldade de receber seu parente de volta, mesmo estando de alta. A família precisa estar presente. Compreendemos que, muitas vezes, a família chega à exaustão, mas é preciso dividir as responsabilidades”, destacou. No local, ha seis moradores, pacientes que foram levados por familiares há mais de 20 anos e permaneceram na casa até hoje.

Apesar de ser referência no Estado, o Complexo precisa de parcerias para atender a demanda. “Os serviços municipais, os Caps (Centros de Atenção Psicossocial), se fortalecendo, vão acolher mais no acompanhamento junto com a família. Isso nos auxiliaria muito, porque assim o hospital ficaria apenas com os casos que realmente precisassem de internação”, declarou Walter Freire. “Não estamos aqui na dependência química dos psicotrópicos. Nós auxiliamos com outras terapêuticas exatamente no sentido de diminuir o tempo de hospitalização”, emendou. Além dos profissionais do hospital, há grupos de extensão em estágio de todas as áreas como psicologia, assistência social, enfermagem, psiquiatria.

As alas

O Juliano Moreira conta com uma ala específica para dependentes químicos. As demais, que são a competência maior do hospital, são para acompanhamento de transtorno mental, com sofrimento psíquico, como esquizofrenia, transtorno bipolar, desajuste químico e de emoções. As visitas acontecem na Praça de Convivência Nise da Silveira.

SES apura

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarece que o óbito do paciente do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, Elifran Ferreira Lira, foi ocasionado durante resgate após fuga da unidade.

Durante o retorno ao Complexo, o paciente se jogou do carro em movimento e veio a óbito, na Avenida Pedro II, em João Pessoa, na tarde de quinta-feira (13).

Elifran tinha 36 anos e era morador do sítio Alma, em Cajazeiras.

A Secretaria informa que todas as providências estão sendo tomadas no sentido de apurar as responsabilidades e esclarecer o ocorrido ao mesmo tempo em que se solidariza com a família neste momento de dor.

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