domingo, 17 de janeiro de 2021

Saúde
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Comida rápida e sem controle podem trazer riscos à saúde

Lucilene Meireles / 06 de novembro de 2016
Foto: Assuero Lima
Quem nunca salivou ao passar em frente a um ponto de venda de cachorro quente? Em muitos casos, ele serve apenas como lanche, mas a correria do dia a dia leva muita gente a abrir mão de comer em casa. A única alternativa é se alimentar na rua. A questão é que a falta de higiene, armazenamento ou manipulação inadequados desses alimentos pode causar sérios problemas à saúde de quem consome, principalmente, quando quem deveria fazer fiscalizações frequentes só atua de forma eventual, a partir de denúncias do Ministério Público e da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb). A atuação acontece ainda antes de grandes eventos, quando há palestra preparativa, e durante. No verão, especialmente no mês de janeiro, há campanha intensiva, com fiscalização programada.

“As visitas deveriam ser semestrais e temos um calendário, mas por conta da demanda, não conseguimos fazer. Fazemos só uma vez por ano, na renovação da licença”, revelou Alberto José dos Santos, gerente da Gerência de Vigilância Sanitária (GVS) de João Pessoa.

Antes da aplicação da multa, o infrator é notificado e tem um prazo para regularização. Só é autuado, se não cumprir. “Na verdade, o importante é que o estabelecimento funcione de forma adequada”, observou.

Além de alimentos estragados, vencidos, mal acondicionados, a GVS encontra outros problemas durante as fiscalizações. “Condições de manipulação inadequadas; no acondicionamento, alimentos misturados de origem animal com vegetais; mistura de vegetais com embutidos, como salsicha, que é colocada na caixa que veio, contaminada. Mesmo que tenha higienizado as verduras, a caixa contamina o que estava limpo. Tem que observar as condições estruturais, se o lixo sai pelo meio do salão, como acondiciona, como manuseia os alimentos, se tem local para armazenar. Quem manipula deve estar paramentado e se estiver tiver gripado, não pode”, avisou.

A GVS observa ainda as condições das bancadas de cozimento, de acondicionamento, os riscos aos trabalhadores, instalações elétricas e dos banheiros.

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314 denúncias só este ano

Este ano, a Gerência de Vigilância Sanitária (GVS) de João Pessoa recebeu 314 denúncias. Entre os problemas relatados estão alimentos estragados, vencidos e mal acondicionados.

Alberto José dos Santos, gerente da GVS, explicou que os cuidados devem começar na observação das condições de higiene do local, além de verificar se o tipo de alimento é conservado na temperatura adequada. Os quentes devem estar acondicionados em equipamentos que mantenham 60 graus. Já os frios, devem estar entre 18 graus, se for líquido, até 5 graus, no caso dos molhos. Nos locais visitados pela reportagem, catchup e mostarda estavam fora do refrigerador.

Quem vai comer fora, deve observar se o alimento está protegido de agentes externos, como moscas e outros insetos, e o próprio CO2. As condições de higiene dos utensílios utilizados e do próprio manipulador também são essenciais para evitar contaminação. Outro aspecto importante, segundo o gerente, é verificar se os funcionários estão manipulando alimento e dinheiro.

“Não adianta colocar uma luva de plástico. Isso não existe, porque pode haver uma contaminação cruzada, ou seja, quando uma bactéria passa para um alimento que não estava contaminado”, alertou. Por isso, segundo ele, se o alimento estiver com aspecto envelhecido ou com sabor diferente, o ideal é não comer e reclamar. “A bactéria salmonela, por exemplo, presente em derivados de frango, pode levar à morte”, alertou.

Ação da GVS

15 é o número de estabelecimentos fechados este ano.

83 multas aplicadas de janeiro a setembro de 2016.

R$ 300 a R$ 50 mil é a variação do valor da multa.

Riscos. Um dos principais riscos de comer na rua é o de desenvolver uma intoxicação alimentar ou ter uma infecção intestinal. Os sintomas vão de uma diarreia simples até a infecção, causados pelo consumo de alimentos sem higiene. Problemas no fígado também podem ocorrer, conforme a nutricionista clínica e esportiva, do Ministério da Saúde, Heloísa Helena Espínola.

“Se o alimento ficar fora da geladeira, pode trazer riscos sérios à saúde. Na maionese, por exemplo, pode se desenvolver a salmonela. Os cuidados, porém, devem ser também com os produtos embutidos, enlatados”, destacou.

A carne do hambúrguer, por exemplo, precisa estar sob refrigeração. Já o tomate e a alface precisam ser muito bem lavados.

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