terça, 24 de novembro de 2020

Saúde
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Cirurgia bariátrica pode ajudar a controlar diabetes

Redação com assessoria / 26 de dezembro de 2015
Foto: Assuero Lima
Segundo dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 9 milhões de brasileiros possuem diabetes, número que representa 6,2% da população do país. A Paraíba tem cerca de 210 mil pessoas com a doença, que matou mais de mil pessoas no estado em 2015.

Sobrepeso e obesidade são apontados por especialistas como os fatores que mais contribuem para o surgimento da diabetes tipo 2, que representa 90% dos casos registrados.  “Diversos prejuízos podem ser causados pela obesidade, dentre eles a apneia do sono, AVC, infertilidade, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, vários tipos de câncer (mama, útero, próstata, intestino), doenças pulmonares, diabetes, entre outros”, explica a nutricionista do Hapvida Saúde, Paula Viana.

Segundo uma pesquisa divulgada pela revista médica The Lancelet, 50% dos casos de diabetes em   pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica entraram em processo de remissão. “80% dos pacientes conseguiram controlar os níveis de glicose sem usar medicamentos ou usando apenas um deles”, explica Adriano Trajano, Diretor do Centro Gastrobariátrico da Paraíba.

Inicialmente a cirurgia tinha como objetivo tratar apenas a obesidade mórbida em pessoas com o Índice de Massa Corporal acima de 35, cálculo feito a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.  No entanto, foi observado que o procedimento também altera a flora intestinal, que melhora o metabolismo de glicose e gordura, o que ajuda a manter as doenças metabólicas sob controle.

Mesmo em casos de remissão, os níveis de glicose devem ser monitorados periodicamente. “O procedimento demanda uma mudança de estilo de vida, não existe milagre nesses casos. Uma rotina sedentária e má alimentação podem fazer com que o paciente volte a ter diabetes e também apresente reganho de peso”, orienta Adriano.

A cirurgia bariátrica é um tratamento multidisciplinar que envolve diversos especialistas como endocrinologista, nutricionista e psicólogo. “O acompanhamento com esta equipe é feito antes, durante e depois do procedimento cirúrgico.  É importante que o paciente continue tendo esse acompanhamento mesmo depois que comece a perder peso”, finaliza o especialista.

A Austrália e alguns países asiáticos já permitem cirurgias para pacientes com o IMC entre 30 e 35. No Brasil, o procedimento é permitido apenas para pacientes com IMC acima de 40 e casos de IMC entre 35 e 40, em casos que apresentem outras comorbidades, como diabetes.

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