quarta, 26 de junho de 2019
Saúde
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Cheiros ruins podem ser resultado de higiene mal feita ou alterações metabólicas

Aline Martins / 05 de maio de 2019
Foto: Thiago Casoni/Arquivo e Nalva Figueiredo
Todos os seres humanos exalam bons ou maus cheiros do corpo e esses são sinais indicativos de como está a saúde. Há situações em que uma pessoa tomou banho, se perfumou, colocou desodorante e bochechou enxaguante bucal, mas, mesmo assim, um odor desagradável permanece. Na rua ou no trabalho alguns olham ‘torto’ ou de baixo para cima já julgando, tachando de desleixado com a higiene pessoal. No entanto, não levam em conta que pode se tratar de alguma doença. As alterações no cheiro do corpo pode ser provocadas por uma série de fatores, desde o que se consome ao estresse.

O odor desagradável pode ser resultado da higiene inadequada, consumo de determinados alimentos ou alterações do metabolismo. O mau cheiro pode existir nas axilas, pés, na urina, na expiração ou no couro cabeludo. “O odor mais comum é o fisiológico que exala quando uma pessoa sua e percebemos um cheiro diferente. Esse cheiro pode ser muito leve ou mais intenso”, observou o dermatologista Otávio Sérgio Lopes.

A ação de micróbios, a existência do diabetes, o alcoolismo, os alimentos, os antibióticos e hormônios resultam em características peculiares e olfativas desagradáveis. A isso denominou-se de bromidrose.

“Há pessoas que têm uma secreção sudoral mais intensa e a ação de bactérias faz o cheiro realmente ficar diferente no corpo e isso é uma bromidrose generalizada, que não fica só na região da axila. Você senta perto da pessoa e sente um cheiro diferente”, frisou. O médico ainda informou que a bromidrose também ocorre nos pés, a partir do efeito da bactéria no suor dos pés. Além disso, o especialista destacou também o odor corporal provocado pelos alimentos. “Por exemplo: quem come muito alho, além do hálito, também na sudorese esse cheiro desagradável exalado. O mesmo ocorre em pessoas que tomam vitaminas do Complexo B. É tanto que essas substâncias do Complexo B são usadas como repelentes de insetos como muriçocas, maruim e demais hematófagos”, afirmou.

No entanto, é possível o tratamento. “Ocorre a partir da diminuição da população bacteriana do corpo de uma pessoa. Diminuindo a população bacteriana, tem a melhora do odor. É bom lembrar que esses odores do corpo, que são provocados pelas bactérias, têm muito a ver com a higiene, mas nem sempre. Não é porque você deixou de tomar um dia banho que vai ficar, mas se passar muitos dias, aumentam as chances do odor fétido”, disse. O tratamento pode ser por meio da medicação oral ou tópica.

O cheiro de uma pessoa pode denunciar a existência de algumas doenças metabólicas. As pessoas que têm diabetes, por exemplo, tem um cheiro diferente. Parece bom, mas indica um problema de saúde. “Pode exalar um cheiro cetônico parecido com acetona tanto na respiração quanto na sudorese. Isso está ligado ao descontrole do diabetes. O médico, na avaliação, leva em consideração o cheiro”, revelou.

Alimentação influencia nos odores





Os que se consome diariamente influencia diretamente no tipo de cheiro que o corpo exala. No entanto, tudo depende se o indivíduo já tem uma tendência a ter odores desagradáveis. Mas é possível adotar medidas que ajudam a melhorar esse quadro. Para a nutricionista e delegada do Conselho Regional de Nutrição, 6ª região, que inclui a Paraíba, Roberta Lins, o reflexo dos odores corporais recorrentes podem ser em virtude do que se consome pela manhã e isso influenciar no dia inteiro. Ela ressalva que, no caso das pessoas que transpiram mais como os homens, é necessário ter um cuidado diferenciado.

De acordo com a nutricionista, os alimentos podem influenciar no aparecimento de cheiros desagradáveis e cheiros agradáveis.



É bom consumir água sempre, pois ajuda nesse processo de antioxidante. O ideal é consumir, por média, um litro e meio a dois litros por dia. O que também pode ajudar, principalmente para quem tem dificuldade em tomar água, é saborizar com algumas frutas ou tomar chás, como de hortelã, jasmim, pois são mais cheirosos e também vão ajudar no processo de digestão. Roberta Lins . Nutricionista e delegada do Conselho de Nutrição.





“Para aquelas pessoas que tem uma tendência a transpirar um pouco mais e já tem algum mau cheiro na parte da axila ou até mesmo no estômago (o mau hálito) evitem leites e derivados no período da manhã porque eles acabam fermentando. Para quem tem refluxo e gastrite crônica é bom evitar. Também é bom evitar carnes gordurosas como carne de porco ou com bastante gordura, pois também acabam tendo um aumento na fermentação e também provocam alguns maus cheiros”, revelou.

O consumo de alguns vegetais como repolho, brócolis, couve-flor, alho, cebola, que tem uma quantidade maior de enxofre na sua composição, contribuem para o mau cheiro estomacal e axilas, principalmente naqueles com tendência. Além disso, Roberta Lins ainda comentou sobre a questão dos temperos.

“Para as pessoas que usam condimentos muito fortes, temperos muito forte também tem que ter um pouco de cuidado, principalmente em que parte do dia está se utilizando. Se está um dia muito quente, você utiliza uma comida com temperos, especiarias diversas em uma só preparação também no decorrer da tarde pode ter um mau cheiro”, observou.

Já os alimentos que podem melhorar o cheiro são aipo, alface, acelga e espinafre.

“Os alimentos verdes, de coloração escura, têm um teor de clorofila e eles agem fazendo uma limpeza no nosso organismo. Eles agem como um antioxidante no organismo. Além de que eles ajudam no trato do intestino, fazendo com que não se tenha constipação, servem como laxante natural e também são diuréticos”, informou.

Frutas. Sobre as frutas, Roberta Lins recomendou a ingestão de manga, maçã, goiaba, abacaxi e mamão.

“A maçã é bem interessante. Há vários estudos do poder da maçã para o tratamento de algumas doenças sexualmente transmissíveis que provocam o mau cheiro. É interesse a gente fazer o uso da maçã pelo menos uma unidade ao dia”, frisou.

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