terça, 12 de novembro de 2019
Saúde
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Cedmex sofre com a falta de medicamentos; fármacos para hemodiálise faltam

Aline Martins / 13 de setembro de 2017
Foto: Reprodução
Se já é difícil passar por sessões de hemodiálise, imagine ainda ter que enfrentar a falta de medicamentos para o tratamento da doença? Essa é a realidade frequente de diversos pacientes renais crônicos do Estado da Paraíba.

Atualmente, no Centro Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcional (Cedmex), ligado a Secretaria de Estado da Saúde (SES), estão em falta dois fármacos: o calcitriol injetável (nome comercial Calcijex) e o hidróxido de ferro (conhecido por Noripurum).

Segundo os pacientes, isso ocorre há mais de cinco meses. Dados do Cedmex confirmam o cadastro de 1,5 mil pacientes renais crônicos. O Noripurum é um medicamento para evitar a anemia dos pacientes que passam por hemodiálise. Todas as vezes que passam por uma sessão há uma perda de sangue. Fábio de Souza Carvalho, 36 anos, foi ontem no Centro Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcional, no bairro da Torre, em João Pessoa, e mais uma vez não conseguiu esse fármaco. “Consegui outros medicamentos que tomo, mas esse não. Já faz uns cinco meses que não tem e não tomo.

Eu já fiquei até doente porque a cada sessão a gente perde um pouco de sangue e corre o risco de ter anemia por isso temos que tomar”, relatou. Ele destacou ainda que todas às vezes é informado que no final do mês é normalizado o serviço, mas desde o momento nada mudou nesse período.

De acordo com o presidente da Associação de Renais Transplantados e Doadores da Paraíba, Carlos Roberto da Silva Lucas, a falta de medicamentos ocorre frequentemente com os pacientes renais, seja aqueles que estão em hemodiálise ou os transplantados. “Hoje que mais está sofrendo são os que estão na hemodiálise”, frisou, destacando que no caso dos transplantados no momento está normal, mas todas as vezes que falta principalmente no interior, onde demora a chegar os medicamentos, há uma troca ou empréstimo via um grupo de whatsapp de pacientes renais. “Quando falta a gente vai vendo quem pode emprestar e vai se mobilizando”, afirmou, acrescentando que os médicos preferem receitar o Calcijex – calcitriol injetável – porque tem um efeito rápido e superior ao em comprimidos que tem um resultado mais lento. “Embora eu tenha sugerido aos pacientes para tomar no caso de falta”, comentou.

Explicação

A diretora do Cedmex, Gilcélia Maria Menezes, confirmou a falta do calcitriol injetável e do hidróxido de ferro e explicou o motivo. “Nós temos que passar por licitação e tem um preço máximo de venda ao Governo. Não podemos comprar além desse valor. Então ocorrem muitos fracassos na compra de medicamentos, o que desprograma o abastecimento e foi o que ocorreu com o calcitriol injetável.

Apesar disso, temos o medicamento em comprimido, que dá para adequar ao tratamento enquanto ocorre o reabastecimento”, observou. Ainda segundo a diretora, após não conseguir a compra dos medicamentos no pregão, reabriu ontem dos dois itens. “Em contrapartida para ocorrer o abastecimento de imediato nós solicitamos um emergencial desses dois itens no dia 6 de junho de imediato após o fracasso desse pregão”, frisou, acrescentando que dentro de um mês normaliza o serviço. “Diante da tramitação, dentro de um mês estamos abastecendo esses dois itens. Nós também estamos recorrendo a outros Estados para ver se conseguimos empréstimos ou troca desses medicamentos, mas até então não foi tido sucesso”, finalizou. Os demais estão normalizados dentro do estoque de segurança.

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