sexta, 18 de setembro de 2020

Saúde
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Catapora já pegou mais de 500 paraibanos este ano

Bruna Vieira / 10 de dezembro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
Apesar das vacinas, a catapora ainda está bem presente na vida do paraibano: 517 pessoas tiveram a doença este ano, segundo a Secretaria de Estado ad Saúde, de janeiro a novembro. O cuidado precisa ser redobrado até 1,5 ano de vida, quando as crianças ainda não podem tomar a medicação e na terceira idade, quando o sistema imunológico apresenta mais problemas. Outras doenças relacionadas ao vírus varicela, podem surgir no decorrer do tempo, como a Síndrome de Reye e Ramsay Hunt. Na pediatria, a pneumonia é a complicação mais comum.

Quando a primeira dos dois filhos de Angelita Meira tinha nove meses, contraiu a catapora do pai, que nunca havia se vacinado. O momento exigiu cuidados especiais e muita paciência, já que a bebê ainda não poderia tomar a vacina. “Meu esposo é representante e anda muito em consultório pediátrico. Quando apresentou sintomas, afastamos ela, mas, já tinha transmitido, porque o vírus fica 15 dias incubado. Não podíamos medicá-la de forma nenhuma, só leite materno e vitamina C para fortalecer o sistema imunológico e se recuperar mais rápido. Fiquei desesperada porque é algo que foge do nosso controle, tinha que esperar. Tinha que estar o tempo todo segurando a mãozinha dela, porque ela queria coçar, incomodava para dormir. Hoje, ela tem quatro anos, e tenho um bebê de cinco meses, sempre alerta, para que não aconteça de novo. Evito lugares públicos nesse período”, contou a cake designer.

Angelita cuidou da filha o tempo inteiro em casa. “Não foi uma catapora pequena, a infestação foi grande, desde a pálpebra do olho até à ponta do pé. Tem marquinhas que ela vai levar para o resto da vida. Foi febre forte por dois dias, falta de apetite, ela ficou molinha. Não foi hospitalizada, até porque o risco de contrair outras doenças é maior. O processo todo durou duas semanas, desenvolveu as erupções, estourou, secou e começou a sumir do corpo”, destacou a mãe.

Adultos. Apesar de ser mais comum na infância, os adultos que nunca se vacinaram também podem desenvolver catapora. Os que tomaram a vacina, que tem quase 100% de eficácia, caso apresentem a doença, ela chega de forma branda. A infectologista Alda Lúcia Santos, explicou que a fase aguda da doença dura até duas semanas. “É infectocontagiosa e altamente contagiosa. Também pode comprometer o adulto que não tenha imunização de forma gravíssima. Quanto mais idade, mais grave, porque o sistema de defesa já não está tão ativo. Crianças até dois anos podem ter complicações terríveis e inclusive levar a óbito. As vesículas que se desenvolvem em todo o corpo contêm um líquido cheio de vírus. Quando rompem, favorece o aparecimento e entrada de bactérias na pele, provocando infecção bacteriana secundária ou generalizada. A principal na pediatria é a pneumonia. Em adultos, não são raros os casos de encefalite viral, acometendo o cérebro e fasceíte necrozante, os abscessos na pele”, apontou.

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