domingo, 17 de novembro de 2019
Saúde
Compartilhar:

Casos de esporotricose estão aumentando em JP; doença é transmitida por cães e gatos

Bárbara Wanderley / 01 de novembro de 2017
Foto: NALVA FIGUEIREDO
João Pessoa está passando por um surto de esporotricose. É o que afirma o veterinário André Braga. Ele contou que recebe casos suspeitos da doença quase todos os dias na clínica veterinária onde atua. A Gerência de Vigilância Ambiental e Zoonoses (GVAZ) da capital informou que casos de esporotricose, registrada principalmente em gatos, têm sido mais recorrentes no local desde o final do ano passado.

Segundo a veterinária da GVAZ, Suely Silva, os Centros de Zoonoses ainda não possuem uma política de combate e vigilância para esse tipo de doença. Ela alertou ainda que, no caso de humanos, o problema é mais comum em jardineiros. “A esporotricose é uma doença transmitida por um fungo que fica no ambiente. Como essas pessoas lidam muito com a terra, podem acabar se contaminando. No caso dos gatos, eles são mais afetados justamente por conta do hábito de ficar na terra”, explicou a veterinária. Ela disse ainda que a maior parte dos animais deixados no Centro de Zoonoses da capital com a doença são levados pelos proprietários. “O tratamento é simples, mas muito longo. São pelo menos seis meses. Nesse período o animal tem que ser isolado e há risco de contágio para o tratador e outros animais. Se o animal não for tratado vem a óbito porque fica debilitado”, explicou.

A dermatologista Francilidia Lima explicou que antigamente o problema era mais comum no interior, em áreas rurais, e principalmente na região Centro-Oeste, atingindo principalmente vaqueiros. Atualmente a doença se espalhou e se tornou muito mais comum. “Já recebi alguns casos no meu consultório”, contou, destacando que trata-se de um consultório com hora marcada e não um atendimento de urgência e emergência que provavelmente recebe ainda mais casos. Nos gatos de rua, maiores vítimas da doença, a Esporotricose pode chegar a ser fatal se não for tratada. “O fungo pode atingir o pulmão e o coração e levar à morte”, disse André. O profissional explicou que o tratamento é feito com uma cápsula de antifúngico ao dia, durante 90 a 120 dias, e com a limpeza dos ferimentos, para evitar que o fungo se espalhe através da secreção. Ele frisou que caso um animal infectado venha a morrer, seja pela doença ou por outro motivo, o ideal é que ele seja crema do e não enterrado, para não deixar a doença no solo. Algumas clínicas veterinárias oferecem o serviço.

Contraiu o fungo

O músico Joeudson Gama contraiu esporotricose de seu gato, antes mesmo de saber que o animal tinha a doença. Ele contou que percebeu uma feridinha na perna, mas pensou se tratar de um pelo encravado e ficou tratando dessa forma. Ele percebeu também um ferimento no gato, mas achou que o animal havia brigado na rua. Como o gato não apresentava melhora, Joeudson o levou ao veterinário, que diagnosticou o problema através de um exame citológico. Ele então começou a fazer o tratamento recomendado pelo veterinário. Em uma das consultas, o músico resolveu mostrar a perna ao veterinário, já que o suposto pelo encravado só piorava.

O veterinário o encaminhou a um infectologista para ter um diagnóstico preciso. “Passei três meses tomando remédio. Também usava uma pomada que o médico disse que era para fechar a ferida para não entrar outras bactérias, e um curativo vazado, para não abafar”, explicou. Segundo ele, o tratamento é simples, e ao final dos três meses, tanto ele quanto o gato estavam curados. Francilidia também afirmou que não adianta jogar toda a culpa no gato ou achar que vai contrair a doença só por conviver com ele. “Uma senhora veio me procurar dizendo que queria fazer um tratamento porque o gato dela estava doente. Expliquei que não é assim, se ela não tem nenhum sintoma não precisa fazer nada. Não é por ter um gato doente que a pessoa também vai pegar”

O que é?

A esporotricose, uma doença de pele causada pelo fungo Esporothrix Scenckii, atinge animais e também seres humanos, ocasionando feridas que se espalham pela pele. Entre os animais, a maior parte dos casos – 98% segundo o veterinário – ocorre em gatos.

Relacionadas