segunda, 10 de maio de 2021

Saúde
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Casos de agressão física sobem quase 7% em relação ao ano passado

Lucilene Meireles e Ainoã Geminiano / 13 de dezembro de 2018
Foto: Reprodução
As agressões estão entre as causas que mais geraram atendimentos no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (HTSHL), em João Pessoa, este ano. Os casos registrados até o mês de novembro indicam um aumento de 6,75% em relação ao mesmo período de 2017. Só no último final de semana, foram atendidas 10 pessoas em decorrência desta causa. A instituição não disponibiliza dados por tipo de agressão.

A maior parte das vítimas que chegam em busca de atendimento na unidade é do sexo masculino, totalizando 76% dos pacientes. Considerando apenas o número de mulheres, 94% delas têm entre 13 e 59 anos de idade. Ao todo, foram atendidas 264 mulheres no período, 250 (94%) delas na faixa de 13 a 59 anos. Das entradas no hospital, 76 atendimentos foram a jovens com idade entre 13 e 25 anos; e outras 174 com idade entre 26 e 59 anos.

Crianças

Houve também criança vítima de agressão, sendo 6 meninas e 21 meninos com idade entre 0 e 12 anos.

Para o psicólogo, especialista em criminologia e psicologia criminal, Deusimar Guedes, o aumento de quase 7% nos casos de agressão é parte de um contexto geral de violência, sempre crescente no Brasil, principalmente nos últimos anos.

“Seria leviano pontuar um motivo específico para esse aumento, porque são vários fatores. Mas um deles, tenho certeza que é a grande divisão social entre ricos e pobres. Se existe uma política eficaz de prevenção à violência, está é a geração de emprego, principalmente para jovens. Sem emprego, a tendência é que os jovens pobres fiquem sem expectativa de vida, muitos abandonam a escola e a saída mais comum que enxergam é o tráfico de drogas, que traz consigo um leque de violências. Quando não é o tráfico, eles partem para a prática de roubos e furtos. Nas duas situações, eles agridem e são agredidos, quando não são mortos ou matam”, explicou.

Sobre o número de mulheres agredidas, Deusimar lembrou a mudança do padrão de rotina das mulheres. “Antes elas ficavam mais em casa, onde é um ambiente mais protegido. Com as justas conquistas no mercado de trabalho e em outras atividades, elas estão mais nas ruas e, por consequência, mais expostas à violência. Há também aquelas mulheres que conquistaram espaços não muitos bons, como as que comandam bocas de fumo e até facções criminosas. Essas também estão nas estatísticas crescentes de violência”, acrescentou.

Para o especialista, não há outra solução para isso que não seja maior presença do Estado nas comunidades mais pobres, com políticas de assistência, emprego e proteção.

Deusimar Guedes finalizou dizendo que até mesmo as estatísticas oficiais sobre violência são apresentadas sempre com a intenção de proteger o gestor público e não a população. “Os dados nunca mostram o que de fato acontece onde a violência está”, pontuou.

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