domingo, 19 de maio de 2019
Saúde
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Hospital Universitário confirma caso de malária em JP

Katiana Ramos / 03 de abril de 2019
Foto: Assuero Lima
A Paraíba registrou o primeiro caso de malária este ano. Uma mulher, moradora do município do Conde, no Litoral Sul, foi diagnosticada com a doença na última sexta-feira (29) e está internada no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), em João Pessoa. A informação foi confirmada pelo hospital e pelas Secretarias de Saúde do Estado (SES) e do município do Conde. De 1994 até 2018, foram 175 notificações de casos suspeitos de malária na Paraíba, de acordo com a SES.

De acordo com a SES, as ações de vigilância para combater o vetor que transmite a doença e identificar novas suspeitas de casos já foram iniciadas, entre as quais está a busca ativa de possíveis novos casos no município de origem da paciente, além da pulverização com inseticida específico no local de residência da mulher e adjacências para combater o mosquito transmissor da doença.

O coordenador do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do HULW, Clodoaldo de Oliveira, informou que a paciente, que tem 35 anos, está reagindo bem ao tratamento e, de acordo com os exames, ela foi contaminada com o protozoário Plasmodium Vivax, que causa a forma da doença de maneira menos agressiva.

“A paciente chegou com suspeita de dengue e tinha um quadro de febre alta, dor de cabeça, dor no corpo e calafrios. A fraqueza chamava atenção e ela tinha uma palidez. Iniciaram-se os exames e viu-se que o quadro não era de dengue e a partir daí se suspeitou que a paciente tivesse malária. Foram solicitados exames e o resultado foi confirmado”, explicou o médico.

Clodoaldo de Oliveira lembrou ainda que mesmo com o diagnóstico positivo para a doença não há motivo para pânico. “A paciente começou o tratamento ainda no domingo e se encontra em boa evolução. O que nos traz tranquilidade. Lembramos que não há motivo para pânico e que é uma situação controlável. Todas as atitudes foram tomadas dentro do que é padronizado nos protocolos de combate a malária e a população precisa ter cuidado com a presença de mosquitos”, destacou.

Vetores. De acordo com a SES, a Paraíba não é área endêmica para a doença, porém possui quatro espécies de vetores do gênero Anophelis: Anophelis aquasalis; An. albitarsis; An.bellator e An. Argyritarsis. Do total de 175 notificações registradas no Estado, de 1994 a 2018, 70 são de pacientes residentes na Paraíba e todos foram registrados como casos importados, ou seja, pessoas que se deslocaram para regiões endêmicas, foram infectadas e retornaram para o estado de residência. Nenhum óbito foi registrado na Paraíba nesse período.

Medidas. Em nota, a SES e a Secretaria de Comunicação do Conde informaram que estão priorizando o tratamento da última notificação, com vistas a evitar o surgimento de novos casos.

A Secretaria Municipal de Conde formou Comissão Especial de Investigação para a Malária, composta pelos trabalhadores da Atenção Básica e Vigilância Epidemiológica, que terá o prazo de 60 dias para elaborar relatório acerca do assunto.

Ações emergenciais

Levantamento de dados e exames da paciente junto ao Hospital que realizou a notificação;

Visita domiciliar para levantamento de informações e investigação sobre sintomatologia dos comunicantes;

Disponibilização de testes rápidos para malária pelo Lacen-PB para triagem e avaliação dos casos suspeitos que surgirem no município;

Disponibilização de medicamento pela SES para tratamento presuntivo de acordo com clínica sugestiva para o agravo;

Pulverização com inseticida de efeito residual do local de residência e de adjacências no endereço do caso positivo, como ação de combate ao vetor;

Utilização UBV costal e pesado no território após discussão junto a vigilância ambiental do município;

Busca ativa de possíveis novos casos no Litoral do Conde.

Informações importantes

O que é?

A malária é uma doença infecciosa febril aguda, causada por protozoários transmitidos pela fêmea infectada do mosquito Anopheles. Toda pessoa pode contrair a malária.

No Brasil, a maioria dos casos de malária se concentra na região Amazônica, nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Uma pessoa doente não é capaz de transmitir a doença diretamente a outra pessoa, é necessária a participação de um vetor, que no caso é a fêmea do mosquito Anopheles (mosquito prego), infectada por Plasmodium, um tipo de protozoário.

Estes mosquitos são mais abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer. Todavia, são encontrados picando durante todo o período noturno, porém em menor quantidade.

Sintomas

Febre alta; calafrios; tremores; sudorese; dor de cabeça, que podem ocorrer de forma cíclica; náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite (podem vir antes dos sintomas anteriores).

Como prevenir?

Uso de mosquiteiros;

Roupas que protejam pernas e braços;

Telas em portas e janelas;

Uso de repelentes.

Já as medidas de prevenção coletiva contra malária são:

Borrifação intradomiciliar;

Uso de mosquiteiros;

Drenagem;

Pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor;

Aterro;

Limpeza das margens dos criadouros;

Modificação do fluxo da água;

Controle da vegetação aquática;

Melhoramento da moradia e das condições de trabalho;

Uso racional da terra.

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