quinta, 21 de janeiro de 2021

Saúde
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Câncer vence a ‘guerra’ contra falta de equipamentos para radiocirurgia

Katiana Ramos / 15 de junho de 2016
Foto: Divulgação
Um procedimento menos invasivo e com respostas mais rápidas ao tratamento de câncer. A radiocirurgia, um tipo de radioterapia utilizado principalmente no combate a tumores cerebrais, não é oferecido nos hospitais públicos da Paraíba que tratam o câncer. Conforme o tipo de tumor e quadro de saúde do paciente, há casos em que é necessário apenas uma sessão para combater a doença.

"O efeito colateral, na maioria das vezes, é mínimo e, em casos de tumores cerebrais, há grandes chances de cura do paciente sem o trauma da cirurgia", explicou o presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBR), Eduardo Weltman. Nesse tipo de tratamento, o paciente recebe a radiação focalizada através de microlâminas e os riscos de que outras partes do corpo sejam afetadas pela toxicidade da radiação são menores.

"Na radiocirurgia a radiação é feita em lesão por lesão, o que aumenta a resposta do tratamento e diminui a toxidade. Esse tipo de procedimento é utilizado geralmente em tumores cerebrais, benignos ou malignos, mas também há aplicações em órgãos como o pulmão e próstata, e também no tratamento de metástase", detalhou o médico e membro da SBR, Og Arnaud Rodrigues.

Através da assessoria de comunicação, o Ministério da Saúde confirmou que nenhum dos hospitais públicos que oferecem tratamento de câncer na Paraíba dispõe de aparelhos capazes de executar a radiocirurgia.

No Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, segundo o médico responsável pelo setor de radioterapia, Saulo de Almeida Athayde, cerca de 300 pacientes fazem radioterapia todos os dias. Além da falta do equipamento adequado, o médico lembrou que para a realização de radiocirurgia é necessário também uma equipe multidisciplinar. "É um tratamento muito específico e para realizá-lo é necessário um radioterapeuta, um físico, um neurocirurgião e um radiocirurgião", explicou.

Em Campina Grande no Hospital da Fundação Assistencial da Paraíba (FAP) são 120 pessoas, em média, que fazem radioterapia todos os dias e no local há apenas um aparelho para o procedimento. "Atualmente, nossa demanda é mais voltada para o tratamento de tumores em estágio inicial", disse o presidente da FAP, Helder Macedo.

No Nordeste, apenas unidades hospitalares localizadas nos estados da Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí têm esse tratamento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

De tumores a má-formações

Além dos tumores cerebrais, a radiocirurgia é indicada também para má-formações vasculares no cérebro e tumores benignos nesse órgão, tumores da hipófise, além de lesões nessa gravidade que podem afetar a coluna, pulmões, fígado, pâncreas e próstata. O médico Arnaud Rodrigues lembra ainda que a radiocirurgia pode ser indicada para pacientes que passaram por cirurgias convencionais para a retirada de câncer. Segundo ele, a recomendação desse procedimento é feita a partir da avaliação dos casos.

Congresso

A partir do próximo dia 15 até o dia 18, será realizado a 18ª edição do Congresso de Radioterapia em João Pessoa. O evento discutirá os avanços tecnológicos nos procedimentos de radioterapia, como a radiocirurgia, além da importância desse tipo de procedimento no tratamento do câncer.

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