quinta, 15 de abril de 2021

Saúde
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Câncer de colo é o segundo que mais afeta mulheres na PB

Wênia Bandeira e Lucilene Meireles / 20 de março de 2019
O câncer de colo do útero é o segundo que mais afeta mulheres na Paraíba, perdendo apenas para o de mama. A neoplasia também está entre as que mais matam. Em dez anos, o número de óbitos no Estado teve um aumento superior a 60%, saltando de 90 vítimas fatais, em 2009, para 145 em 2018.

A doença pode ser diagnosticada em fase inicial com o exame preventivo, mas muitas mulheres não fazem o acompanhamento e acabam tendo o diagnóstico quando o mal está avançado. Este ano, de acordo com o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), já são 9 mortes.

O oncologista Rodrigo Maroja destacou que o tratamento do câncer de colo de útero precisa ser preventivo, porque a doença é silenciosa, só demonstrando sintomas quando o câncer está avançado. A esta altura, a cura se torna mais difícil.

“O desenvolvimento é lento e, por isso, é necessário fazer o exame preventivo. Apenas quando está em estágio avançado a doença apresenta sintomas que podem ser dor e sangramento fora do período menstrual”, alertou o especialista. Na maioria dos casos, o câncer de colo de útero é curável, mas é preciso que o diagnóstico seja precoce.

Rodrigo afirmou que as principais causas são as doenças sexualmente transmissíveis, a exemplo de HIV (vírus da imunodeficiência adquirida, causador da Aids), herpes e, principalmente, o HPV (Papiloma vírus humano). “Por isso, o tratamento preventivo é feito pelo ginecologista em mulheres que adquiriram o vírus do HPV, para que não chegue a apresentar a lesão. Quem tem múltiplos parceiros ou não se previne precisa se preocupar”, aconselhou.

370 novos casos de câncer do colo do útero é a previsão do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2019.

Pacientes devem levar biópsia

No Hospital Napoleão Laureano, na maioria das vezes, as pacientes já chegam com o diagnóstico de câncer. “Como tem a Atenção Básica, que faz o exame citológico, elas trazem o resultado positivo. Outras, porém, vêm apenas com o teste suspeito. Para as que têm o diagnóstico, adiantamos os procedimentos, abrimos prontuário e iniciamos o tratamento que pode ser cirúrgico, quimioterápico e radioterápico”, explicou a diretora geral do Laureano, Tereza Lira.

Ela ressaltou, porém, que o ideal é que as pacientes já levem o resultado da biópsia. “Mas, muitas chegam só com a suspeita. Nesse caso, elas passam pelo nosso ginecologista e têm que aguardar o resultado da biópsia. Só então iniciam o tratamento. Tudo isso atrasa o início da terapia. O mais certo é chegar já com o resultado da biópsia positiva”, acrescentou.

A duração do tratamento, conforme a diretora, depende de cada caso e do estágio em que a doença se encontra. “A paciente passa pelo especialista, que define o tratamento. Se for cirúrgico, o médico pede os exames pré-operatórios, como raio X, eletro, e tudo é feito no Laureano. Se for necessário outro exame, como tomografia, tem que ser solicitado pela Unidade de Saúde da Família (USF)”, ressaltou.

Outro tratamento, além da quimioterapia e da radioterapia, é a braquiterapia. “São aplicações programadas pelo médico da radioterapia e pelo físico nuclear”, completou Tereza Lira.

Convenceu família a vacinar crianças

A administradora Adriana Gomes (nome fictício), de 37 anos, convive com o vírus HPV há 12 anos, e confessa que sempre dá medo quando começa a irritação provocada pelo vírus, que, segundo ela, é de difícil controle.

“A primeira coisa que a minha médica me disse quando o resultado do exame foi positivo é que eu tinha uma possibilidade maior de desenvolver o câncer. Quando ouvi este nome, eu decidi que iria controlar, mas a coceira e a irritação aparecem de forma repetitiva. O tratamento é feito corretamente, mas não é fácil”, constatou.

Adriana relatou que, com essas informações, conseguiu convencer toda a família a vacinar as crianças. A sua irmã, que tem uma filha de nove anos, contou que a menina já recebeu a dose necessária. “Assim que ela me falou sobre, eu já levei minha filha ao posto de saúde e garanti que fosse imunizada. Eu acho que o preconceito só existe quando a realidade está longe da gente. Não é porque ela foi imunizada que vai começar agora a vida sexual”, declarou a mãe.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta a vacina às crianças nas unidades de saúde dos municípios. As meninas podem ser vacinadas de nove a 14 anos e os meninos de 11 a 14 anos de idade.

154 Foi o número de pacientes com câncer de colo do útero atendidas no Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, em 2018. A unidade é referência, no Estado, em tratamento de câncer. Este ano, já são 19 casos.

Terceiro mais frequente

Este mês é dedicado à prevenção do câncer de colo de útero com a campanha Março Lilás, realizada pelo Governo Federal. A doença é o terceiro tumor que mais atinge a população feminina no país, ficando atrás apenas do de mama e o de intestino, além de ser a quarta causa de morte de brasileiras por câncer. A prevenção é feita através da realização dos exames preventivos, como o Papanicolau. O exame deve ser realizado uma vez por ano por mulheres que já iniciaram a sua vida sexual, especialmente as que têm entre 25 e 59 anos. A cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia são as principais formas de tratamento contra o câncer oferecidas pelo SUS. O tipo dependerá do estágio de evolução da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade da paciente e desejo de ter filhos. Quando confirmada a presença de lesão precursora, ela poderá ser tratada por meio de uma eletrocirurgia.

 

 

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