quinta, 15 de abril de 2021

Saúde
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Campina Grande apresenta alto risco para arboviroses

Wênia Bandeira / 10 de abril de 2019
Foto: Chico Martins
“O que não falta aqui é história de quem já adoeceu. Meu filho já teve zika, o outro e meu marido tiveram dengue e eu passo os dias ainda sentindo as dores da chikungunya que tive no fim do ano. Aqui, a vizinhança inteira já teve alguma coisa”. A declaração é da diarista Geruza Bernardo, 47 anos, moradora do Distrito Industrial, em Campina Grande, local com maior incidência do Aedes aegypti na cidade.

Geruza mora com os dois filhos e o marido em frente a um terreno baldio com poças de água e muito lixo jogado. Ela contou que já solicitou a visita da Secretaria de Saúde do município, mas não foram atendidos. “A última vez que passou um carro fumacê por aqui foi há uns quatro anos. Eles não vêem nem para limpar esse lixo todo e a noite não tem quem aguente. A quantidade de mosquito parece com um enxame de abelhas”, falou Geruza Bernardo.

No Distrito Industrial, de acordo com o 2º Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) de 2019, teve a maior incidência do mosquito, com um índice de 11% (no primeiro LIRAa foi 3,9%) das casas com focos encontrados. O número de depósitos encontrados com esses focos nas casas do bairro, o chamado Breteau, foi de 12,7%.

O bom exemplo ficou por conta do Catolé, Itararé, e distrito de Galante, onde só foram registrados focos em 1,4% dos pontos vistoriados.

O levantamento foi realizado entre os dias primeiro e 5 de abril em imóveis de 51 bairros e localidades de Campina Grande e totalizou 5,6%, o que é considerado alto e aponta para risco de proliferação das doenças transmitidas pelo Aedes. O primeiro LIRAa do ano aconteceu entre os dias 7 e 11 de janeiro e teve como resultado geral 3,2%. “Nós atribuímos esse aumento no índice ao início da ocorrência de chuvas associado ao calor que ainda está fazendo, que são componentes que oferecem o acúmulo de água e o ciclo reprodutivo mais rápido do mosquito”, avaliou a coordenadora de Vigilância Ambiental, Rossandra Oliveira.

Ela afirmou que a maioria das larvas, mosquitos e ovos foi flagrada nos reservatórios que estavam no nível do chão, que poderiam ser limpos pelos moradores. Quase 90% dos criadouros estavam em tonéis, cisternas, baldes, caixas d’água, garrafas e piscinas.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde informou que a Prefeitura dispõe de um carro fumacê e de uma equipe para prevenção. Segundo a assessoria, este trabalho é intensificado nos locais de maior risco. A Secretaria criou o programa Denguezapp, pelo número 99884-9535, que possibilita denúncias da população quanto a focos.

Além do Distrito Industrial, o ranking segue com os bairros Presidente Médici, Quarenta e Santa Cruz, todos com 11% das residências com focos.

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