segunda, 17 de junho de 2019
Saúde
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Bancos de leite não suprem demanda e 30% dos bebês recebem fórmulas artificiais

Lucilene Meireles / 15 de dezembro de 2018
Foto: Assuero Lima
Trinta em cada cem recém-nascidos que estão nas maternidades da Paraíba não contam com doações dos bancos de leite. O problema é que, apesar de ter aumentado a quantidade doada nos últimos anos, o volume é insuficiente para atender a demanda de prematuros ou daqueles cujas mães ainda não conseguiram produzir. As fórmulas especiais têm sido a única alternativa para garantir a sobrevivência dessas crianças. Por isso, o Banco de Leite Humano Anita Cabral, em João Pessoa, chama a atenção para a importância da doação.

“A quantidade de leite que recebemos de doações no Estado nunca é suficiente. A gente sempre precisa de um aumento da coleta. Com isso, distribuímos para mais bebês, e o tempo de permanência oferecendo é maior. A meta é aumentar em 30% para atender a todos”, observou Thaise Ribeiro, diretora geral do Banco de Leite Humano Anita Cabral.

Quando o estoque fica crítico, os bancos de leite entram num processo de racionalização. “Junto com a equipe clínica, fazemos uma avaliação dos casos mais críticos, dos que precisam mais, os bebês menores, com menos de 30 dias, menos peso ou com casos mais graves de infecções. Nesta situação, para os demais, usamos fórmulas infantis especiais”, explicou.

Todas as mães que dão entrada na maternidade passam por um trabalho informativo para entenderem um pouco mais a importância de doar. “O convencimento, em primeiro lugar, é para que elas amamentem. Uma vez amamentando, uma boa porcentagem – em torno de 20% - terão excedente de leite para doar. A partir daí, vamos para o convencimento nas palestras nas maternidades, para que se tornem doadoras”, explicou.

Apesar de não haver uma região mais preocupante em relação à falta de leite humano, Thaise afirmou que na grande João Pessoa é maior a necessidade, porque tem mais leitos neonatais. Outro município onde há grande demanda é Campina Grande.

Reconhecimento. Quando teve o primeiro filho, a dona de casa Aine Macêdo de Oliveira, 24 anos, conseguiu amamentar sem problemas. Porém, na segunda gestação, teve dificuldades e precisou recorrer ao banco de leite para alimentar a criança. Há quase um mês, nasceu o terceiro herdeiro e, mais uma vez, foi necessário contar com a ajuda das doadoras.

Nesses primeiros dias, o pequeno João Guilherme ganhou peso e está se desenvolvendo bem, mas a mãe ainda tem dificuldades para amamentar. “Todos os dias, tento estimular a amamentação, mas enquanto não consigo, ele tem recebido o leite que outras mães doaram. Doar é um ato de amor, é muito importante e eu só posso agradecer imensamente”, declarou.

Doações são facilitadas

Uma grande dificuldade das mulheres logo após o parto é sair de casa. Por isso, o serviço vai até a casa delas. A equipe oferece o Kit Doação, composto por frascos de vidro esterilizado, luvas, gorro e máscara, além de orientações. “Além disso, vamos buscar as doações através do serviço da rota domiciliar”, declarou Thaise Ribeiro. Até mesmo quando vai viajar, a doadora pode continuar fazendo a doação, caso tenha um banco ou posto de coleta no local onde esteja.

Expansão. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde e do Centro Estadual de Referência para Bancos de Leite Humano Anita Cabral, responsável por coordenar a Rede de Bancos de Leite do Estado, tem como meta em seu plano de saúde o fortalecimento da saúde materno e infantil e a redução da sua morbimortalidade, com uma de suas diretrizes a expansão da rede de bancos de leite no Estado.

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