terça, 24 de abril de 2018
Saúde
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Aumento de casos de microcefalia coloca a Paraíba em estado de emergência em saúde

Rammom Monte / 11 de novembro de 2015
Foto: Reprodução
A Paraíba foi incluída na lista dos Estados que tiveram Estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional declarado pelo Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (11). A medida foi tomada por conta do aumento no número de casos registrados de nascimento de bebês com microcefalia, uma malformação em que o recém-nascido tem o crânio menor do que natural (caracteriza quando o crânio é igual ou menor a 33 cm, segundo o Ministério da Saúde). A associação do aumento dos casos de microcefalia ao zika vírus não foi confirmada.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande, um levantamento prévio apontou que, até setembro deste ano foram registrados cinco casos de microcefalia em nascidos vivos no município. No entanto, apenas no mês de outubro último foram três ocorrências. Outros cinco casos de bebês ainda em gestação, identificados durante exames de ultrassonografia no mês passado,  também estão sendo acompanhados.

Apesar do relato do Ministério da Saúde e dos números apresentados pela Secretaria de Saúde de Campina Grande, a Secretaria de Saúde da Paraíba emitiu um relatório afirmando que houve apenas três casos de microcefalia em todo o estado em 2015, sendo um em Cabedelo, um em São Miguel de Taipu e outro em Sapé. Ainda de acordo com o mesmo órgão, de 2011 para cá, foram registrados 16 casos na Paraíba.

A secretaria explicou que "Com a divulgação da nota técnica da Secretaria de Estado da Saúde de Pernambuco sobre possível alteração no padrão de ocorrência de microcefalia em nascidos vivos naquele Estado, a Gerência Executiva da Vigilância em Saúde desta Secretária está iniciando a implantação da vigilância de casos diagnosticados de microcefalia pós-natal e de achados intrauterinos. Portanto, são estes os dados oficiais de que dispomos até o momento".

Estado de emergência

Em entrevista coletiva, o Diretor do Departamento Epidemiológico do Ministério, Cláudio Maierovitch, afirmou que recebeu relatos de ocorrências no Estado, apesar de ainda não ter confirmações. Segundo ele, o único local que elaborou um relatório completo foi Pernambuco, onde foram registrados 141 casos em 44 cidades.

“O único Estado que tem informações organizadas e que foi pioneiro na elaboração de um protocolo foi Pernambuco. Depois disso, nós passamos a receber informações de profissionais, depois recebemos informações oficiais da Paraíba e Rio Grande do Norte, em que parece que houve um aumento. Nós estamos em contato muito próximo com os gestores para uma investigação”, afirmou.

De acordo com Cláudio Maierovitch, o Ministério da Saúde, em conjunto com a Secretaria de Saúde de Pernambuco, fará fechamento semanal com os números de casos de microcefalia. Ele disse ainda que o Ministério não combinou com as secretarias da Paraíba e Rio Grande do Norte, porque ainda não está clara a ocorrência de casos nestes Estados, mas que caso seja comprovado, a ideia é divulgar os dados simultaneamente.

O diretor explicou, também, que não há como apontar as possíveis causas deste aumento registrado e que só as investigações apontarão o que está causando o surto. "Até o momento existe uma coincidência entre a infestação do zika vírus e os casos de microcefalia, mas seria uma irresponsabilidade associar agora", disse.

Ainda segundo ele, o decreto de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional serve para dar maior agilidade nas investigações e que trata-se de um mecanismo previsto em lei para casos de emergências que demandem o emprego urgente de medidas de contenção.

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