segunda, 24 de junho de 2019
Saúde
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Artrite reumatóide leva quase dois mil paraibanos aos hospitais em cinco anos

Aline Martins / 30 de outubro de 2017
Foto: Divulgação

A artrite reumatoide é uma doença reumatológica inflamatória crônica, de natureza autoimune que compromete articulações, mas também pode afetar órgãos e sistemas do corpo. O organismo erroneamente ataca as juntas saudáveis, causando dor, inchaço, rigidez e, com o passar do tempo, perda da função articular, assim como fadiga e fraqueza geral, causando incapacidade para realizar atividades diárias. Inclusive inabilitando os portadores de cumprirem suas funções trabalhistas e em alguns casos, aposentando. Mulheres são mais afetadas do que os homens e que atinge em maior frequência entre 30 e 50 anos de idade, não sendo exclusiva para pessoas idosas. Este ano, até o mês de agosto, já foram 99 pessoas internadas conforme dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS).



Essa doença geralmente inicia com dores articulares em pequenas articulações, principalmente das mãos, dos punhos e dos pés. “Mas grandes articulações como joelhos, cotovelos também podem ser comprometidos desde o início da doença”, frisou a reumatologista, presidente da Sociedade Paraibana de Reumatologia, membro titular da Sociedade Brasileira de Reumatologia e responsável pelo ambulatório de Artrite Reumatologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley, Ana Karla Guedes de Melo. A especialista ainda destacou que os principais sintomas seriam dores e edema – inchaço nas articulações. No entanto, frisou uma característica marcante da artrite reumatoide que é a rigidez matinal. “Rigidez para movimentar logo no início da manhã e isso chega a durar mais de uma hora, limitando muito a capacidade funcional do paciente”, complementou.



Algum tempo atrás se caracterizava como uma doença de pessoas idosas. “É uma doença que pode comprometer faixas etárias mais jovens, geralmente os primeiros sintomas começam dos 30 aos 50 anos de idade. Não é uma doença de idosos exclusivamente, pacientes mais jovens, principalmente mulheres, podem ter a doença já com 30 anos de idade ou até mesmo essa faixa etária dos 30 aos 50 anos é a faixa de maior frequência, mas os extremos da vida podem ter sintomas da artrite reumatoide”, comentou a médica Ana Karla Guedes, acrescentando que, se as dores começam antes dos 16 anos de idade não é considerada artrite reumatoide, mas artrite idiopática juvenil – é uma doença que tem características clínicas semelhantes à doença no adulto e que o paciente deve procurar um especialista também para tratamento.



Em relação às mulheres serem mais afetadas pela artrite reumatoide do que os homens, a presidente da Sociedade Paraibana de Reumatologia frisou que, geralmente as doenças autoimunes acometem mais o sexo feminino. “Existe essa pré-disposição geneticamente determinada para que o sexo feminino seja o mais acometido”, destacou, acrescentando que também há outros fatores envolvidos para o surgimento da doença. Já o diagnóstico é feito pela situação clínica do paciente (dor e edema em pequenas e grandes articulações associado à rigidez dessas articulações), mas também exames ambulatoriais e de imagem, que auxiliam no diagnóstico preciso e precoce para o início do tratamento.



Para tratar a artrite reumatoide, a médica explicou que é multidisciplinar. “Geralmente farmacológico, através de medicações que auxiliam na dor e na inflamação. E é muito importante que esse paciente desde o início, o tratamento modifique a evolução da doença com drogas específicas para que a doença não progrida e não leve a deformidade e deformidades irreversíveis caso se instalem”, pontuou, destacando que o tratamento não farmacológico segue na linha da fisioterapia, hidroterapia, terapia ocupacional – modalidades não medicamentosas, mas que auxiliam tanto na melhora da dor quanto na capacidade funcional do paciente, evitando deformidades.



Doença pode aposentar, mas caso deve ser avaliado pelo INSS



De acordo com informações da assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), uma pessoa acometida de artrite reumatoide pode se aposentar, desde que tenha comprovada sua qualidade de segurado, ou seja, esteja em dia com as contribuições previdenciárias. Esclarece também, que não é só pelo caso de ter a doença (artrite) que terá o direito a aposentadoria, mas sim pelo estágio em que a doença se apresenta, se estiver incapacitando a pessoa para desenvolver suas atividades laborais.



A orientação do INSS para os segurados nesta situação, é que faça o agendamento de seu atendimento pela Central Telefônica 135, ou pela internet no site www.inss.gov.br, para ser avaliado por um perito médico do INSS, e dependendo da Legislação Previdenciária e da situação de saúde, poderá receber o benefício de Auxílio Doença, ou mesmo a Aposentadoria por Invalidez.





“Não existe uma única razão para explicar a artrite reumatoide. Ela é uma doença que tem vários fatores causais: genéticos, ambientais, histórico familiar, por isso não é possível dizer de forma tão simplória qual fator determina o aparecimento da doença", Ana Karla Guedes de Melo, reumatologista e presidente da Sociedade Paraibana de Reumatologia





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