quinta, 26 de novembro de 2020

Saúde
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População da PB envelhece e Alzheimer cresce mais de 55% em 20 anos

Beto Pessoa / 11 de março de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
A Doença de Alzheimer praticamente dobra a cada 20 anos, segundo projeção da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). O cenário é puxado sobretudo pelo aumento da população acima dos 60, que, somente na Paraíba, cresceu em mais de 55% nos últimos 20 anos, segundo dados dos últimos Censos Demográficos do IBGE.

 

Somente em João Pessoa, de acordo com o setor de Saúde do Idoso da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), são 705 pessoas com diagnóstico fechado de Alzheimer cadastrados na Atenção Básica. Seguindo a projeção da ABRAz, em 2038 serão 1.410 e até 2058 quase 3 mil acometidos pela doença na Capital paraibana.

 

Porém, o avanço da doença pode ser freado com uma série de medidas para retardar os efeitos da doença. A prevenção envolve o corpo – já que fatores como hipertensão e diabetes contribuem para um desenvolvimento mais rápido da doença – e a mente.

 

Ginástica cerebral

 

Ler livros, ir ao cinema e viajar são algumas atividades cotidianas que ajudam à saúde do cérebro, mas há também métodos mais específicos, como a ginástica cerebral, um conjunto de exercícios que podem mudar a relação do indivíduo com sua memória, linguagem e organização.

 

A educadora Lutércia da Silva, do Método Supera, explica como essas aulas podem mudar a dinâmica diária daqueles que precisam exercitar o cérebro. “São atividades que trabalham atenção, concentração, memória, criatividade e socialização. Hoje os idosos são 90% do nosso público. Entendemos que o cérebro precisa de variedade, desafio e prazer para ser exercitado e aqui eles desenvolvem tudo isso”.

Um dos instrumentos utilizados pelos alunos é o ábaco. Usado antigamente para cálculo, hoje serve para trabalhar disciplina, memória e concentração. Quem passa por esse tipo de atividade diz que a rotina ganha uma nova dinâmica, explica a aposentada Jerusa de Paiva, 65 anos.

 

“Tem dois anos que estou fazendo essas atividades. Melhorei muito minha concentração e atenção. Percebo que agora estou com mais facilidade para gravar as coisas na memória, coisa que eu já vinha sentindo falta. Quando a gente vai chegando a certa idade precisa de mais estímulos e aqui, além disso, fazemos amizades”, disse.

 

Uma de suas companheiras é Marlene Jácome, de 75 anos, que também percebeu mudanças no dia a dia desde que inseriu a ginástica cerebral na sua rotina. “Dois anos que estou fazendo essas atividades e eu amo isso aqui. Melhorou muito minha memória, minha atenção, fiz ótimas amizades. Esse convívio é maravilhoso, porque a gente não pode ficar em casa parada”, explicou.

 

O médico Paulo Henrique Bertolucci, pesquisador do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defende que esses trabalhos intelectuais devem, antes de qualquer coisa, trazer prazer e bem estar aos idosos.

 

“Ler um livro é uma atividade intelectual importante, mas se o idoso não gosta de ler não adianta forçá-lo à leitura. Tem que ser uma dinâmica prazerosa, que estimule, mas que também traga bem-estar”, explicou.

 

Maquiada, de cabelo pintado de lilás e com os dedos enfeitados com anéis, Dona Telma sabe bem disso. Mesmo convivendo com a doença há 15 anos, insiste em confrontar sua existência. “Eu evito falar o nome dessa doença. Porque o nome machuca, derruba a gente. Sou teimosa e sou mais forte que o nome Alzheimer. Procuro exercitar minha mente e o meu corpo, nem soneca à tarde eu quero tirar, prefiro ir fazer compras no Centro da cidade”, disse.

 

Políticas públicas

 

Neste processo, políticas públicas são fundamentais para a prevenção do surgimento dos sintomas, esclarece o pesquisador da Unifesp, Paulo Henrique Bertolucci. “A prevenção supõe um atendimento primário de qualidade. Para isso, unidades básicas de saúde têm que de fato tratar o usuário, principalmente no rigor à prevenção da diabetes. Atividades físicas e intelectuais também devem ser promovidas pelo sistema público de saúde”.

 

Quem também defende maior participação do poder público no tratamento da doença é a presidente Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) na Paraíba, a neuropsocóloga Regina Neves. “É preciso hospitais preparados, mas também locais de tratamento e reabilitação física e cognitiva. Não temos esses locais, mas hoje eles são urgentes, já que a população idosa aumenta e, com ela, também aumentam as necessidades”.

 

A especialista da ABRAz destaca que o avanço da doença é ainda maior nas populações mais carentes, uma vez que, pela ausência das políticas públicas e falta de poder econômico, não têm acesso ao conhecimento e tratamento da Alzheimer.

 

“Alzheimer é uma doença progressiva, que possui uma complexidade de sintomas, além disso é uma doença cara. Uma família sem estrutura não consegue sozinha cuidar de uma pessoa que está em estágio intermediário e avançado da Alzheimer, porque tratamento não é só tomar remédio, mas sim uma série de atividades que reabilitam sua cognição”, disse Regina Neves.

 

 

Causas da Alzheimer

 



  • A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento de demência da Doença de Alzheimer (DA). Após os 65 anos, o risco de desenvolver a doença dobra a cada cinco anos.




 



  • Fatores importantes referem-se ao estilo de vida. São considerados fatores de risco: hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo.




 



  • Os familiares de pacientes com DA têm risco maior de desenvolver essa doença no futuro, comparados com indivíduos sem parentes com Alzheimer. No entanto, isso não quer dizer que a doença seja hereditária.




 



  • Embora a doença não seja considerada hereditária, há casos, principalmente quando a doença tem início antes dos 65 anos, em que a herança genética é importante. Esses casos correspondem a 10% dos pacientes.




 



  • Pessoas que não tiveram a estimulação cognitiva constante e diversificada ao longo da vida podem ter mais chances de desenvolver a doença




 

Fonte: ABRAz

 

O que é Alzheimer?

 

O Alzheimer é uma doença lenta e progressiva que afeta diretamente o cérebro e leva a degradação e morte dos neurônios, causando um comprometimento da função cognitiva, ou seja, um impacto na memória, linguagem, orientação, compreensão e pensamento. No início, algumas áreas são atingidas e num período de dez anos todo cérebro é acometido pela patologia. Além disso, pode ocorrer degradação do controle emocional e social.

Fonte: ABRAz

 

Novidade no tratamento

 

A memantina está no mercado há mais de 15 anos e é um dos principais medicamentos no tratamento à Alzheimer. Uma nova posologia acaba de ser colocada em circulação, pensando, sobretudo nos pacientes com Alzheimer intermediária e grave: a memantina em gotas, ideal para os que têm dificuldade de deglutição.

 

As alterações na deglutição dos pacientes iniciam-se com queixa de engasgos durante a ingestão de alimentos. O ato, aparentemente simples, como engolir um comprimido de medicação, nem sempre é fácil para esses pacientes.  Fazer o comprimido percorrer a faringe e o esôfago, com precisão, exige coordenação e força muscular, o que muitos pacientes não têm dependendo do nível que esteja a doença.  A posologia em gotas facilitaria este processo.

Fonte: Bayer

 

Estado e Prefeitura

 

A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que o atendimento das pessoas com Alzheimer é todo feito pelos municípios. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disse que não existe um serviço específico para o cuidado do Alzheimer, mas na Rede Municipal de Saúde existem equipes multiprofissionais e neurologistas que podem estar realizando o atendimento e acompanhamento das pessoas acometidas pela doença.

Além da atenção básica, a assessoria da SMS informou que existe Centro de Atenção Integral a Saúde do Idoso, que oferta cuidado e atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos.

 

 

Estágios do Alzheimer

 

Inicial



  • Ter problemas com a propriedade da fala (problemas de linguagem).


  • Ter perda significativa de memória – particularmente das coisas que acabam de acontecer.


  • Não saber a hora ou o dia da semana.


  • Ficar perdida em locais familiares.


  • Ter dificuldade na tomada de decisões.


  • Ficar inativa ou desmotivada.


  • Apresentar mudança de humor, depressão ou ansiedade.


  • Reagir com raiva incomum ou agressivamente em determinadas ocasiões.


  • Apresentar perda de interesse por hobbies e outras atividades.




 

 

Intermediário



  • Pode ficar muito desmemoriada, especialmente com eventos recentes e nomes das pessoas.


  • Pode não gerenciar mais viver sozinha, sem problemas.


  • É incapaz de cozinhar, limpar ou fazer compras.


  • Pode ficar extremamente dependente de um membro familiar e do cuidador.


  • Necessita de ajuda para a higiene pessoal, isto é, lavar-se e vestir-se.


  • A dificuldade com a fala avança.


  • Apresenta problemas como perder-se e de ordem de comportamento, tais como repetição de perguntas, gritar, agarrar-se e distúrbios de sono.


  • Perde-se tanto em casa como fora de casa.


  • Pode ter alucinações (vendo ou ouvindo coisas que não existem).




 

Avançado



  • Ter dificuldades para comer.


  • Ficar incapacitada para comunicar-se.


  • Não reconhecer parentes, amigos e objetos familiares.


  • Ter dificuldade de entender o que acontece ao seu redor.


  • É incapaz de encontrar o seu caminho de volta para a casa.


  • Ter dificuldade para caminhar.


  • Ter dificuldade na deglutição.


  • Ter incontinência urinária e fecal.


  • Manifestar comportamento inapropriado em público.


  • Ficar confinada a uma cadeira de rodas ou cama.




 

Fonte: ABRAz

 

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