terça, 19 de janeiro de 2021

Saúde
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Alteração na frequência das batidas cardíacas pode causar até morte

Alina Martins / 23 de setembro de 2017
Foto: Reprodução
De repente o coração começa a bater mais rápido do que o normal. Isso provoca estranheza e até assusta quem passa por essa situação. É que não é normal o coração sair do ritmo ou o compasso dos batimentos de maneira inesperada. Quando isso ocorre chamamos de arritmia cardíaca – uma alteração na frequência das batidas para mais ou para menos (rápido ou lento).

Em alguns casos esse descompasso não gera danos a saúde, mas em outros pode causar até morte como mortes súbitas, por exemplo, que teve como fator a arritmia. No Brasil, mais de 300 mil pessoas morrem por ano vítimas de doenças cardiovasculares. Na próxima sexta-feira é comemorado o Dia Mundial do Coração. Este mês é dedicado aos cuidados do coração e se realiza o Setembro Vermelho. Pensando em alertar a população sobre os índices de mortes e também a importância de cuidar da saúde, o Sistema Correio aderiu à campanha e está publicando reportagens ao longo do mês.

No ritmo normal do coração, a pessoa não tem a percepção das batidas cardíacas e tem uma frequência cardíaca (número de batidas por minuto) que varia de 50 a 100. Quando ocorre uma aceleração chamamos de taquicardia. Já o oposto, mais lento, é a bradicardia. O cardiologista, coordenador geral do Centro de Referência em Atenção à Saúde da UFPB, pesquisador no Instituto do Coração da FMUSP e pesquisador do Centro de Biotecnologia da UFPB, Valério Vasconcelos, explicou que a frequência cardíaca sai do ritmo tanto para mais quanto para menos como em situações de infartos, por exemplo.  “Muitas vezes essas arritmias se manifestam com o apresentar de sintomas, as palpitações que os pacientes relatam popularmente como batedeira no peito, como se as batidas estivessem pulando para fora da boca”, afirmou, acrescentando que em outros casos podem ser assintomáticos, mas quando ocorrem, os sintomas incluem uma palpitação, dor no peito, desmaios ou tontura. Há casos em que pacientes podem desenvolver arritmias, mas tratar seguindo algumas recomendações médicas como melhorando a qualidade da saúde, adotando uma alimentação mais saudável, livres de gorduras saturadas, praticando atividades físicas e se necessário até tomando medicamentos. Em outras situações, podem ter como causa as mortes súbitas, pois há registros de óbitos, por exemplo, de atletas, que tiveram morte súbita e a causa disso foi arritmia. Para diagnóstico dessa alteração na frequência dos batimentos é necessário passar por alguns exames, mas o eletrocardiograma já aponta a arritmia segundo explicou o médico pesquisador Valério Vasconcelos. Mas ele lembra, que nem toda morte súbita tem como causa a arritmia, da mesma forma o infarto que também pode como causa, mas não necessariamente.

Ainda de acordo com o cardiologista, uma pessoa pode chegar com uma dor no peito em uma unidade de saúde de urgência e ser um infarto, mas também pode ser uma arritmia. É necessário entender que infarto é diferente de arritmia cardíaca. Essa última tem vários tipos. Além de ter o fato hereditário, as doenças cardíacas têm como outros fatores os comportamentais como dietas não-saudáveis, sedentarismo, tabagismo e consumo abusivo de álcool. Os efeitos desses hábitos podem aparecer por meio de sinais como pressão alta, glicose sanguínea elevada, grande número de lipídios no sangue, obesidade ou baixo peso. Setembro Vermelho é comemorado em diversos países com intuito de mostrar a importância dos cuidados com o coração, tendo em vista que o que mais mata no mundo hoje é a doença cardiovascular, de acordo com o cardiologista Valério Vasconcelos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 80% dos casos de ataques cardíacos e infartos prematuros podem ser evitados se ações preventivas forem adotadas. Pressão alta, diabetes e colesterol altos, obstrução das artérias e dos vasos são alguns dos fatores de risco que devem ser tratados para evitar episódios de infarto ou AVC. Cerca de 50% a 60% dos infartos ocorrem em pessoas previamente assintomáticas. Por conta disso, o check-up é tão importante.

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