quarta, 18 de setembro de 2019
Saúde
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Alta taxa de sífilis em bebês e PB está longe da meta do Unicef

Lucilene Meireles com assessoria / 13 de julho de 2016
Foto: Divulgação
A Paraíba está longe de atingir a meta em relação à incidência de sífilis congênita estabelecida pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que é de menos de 0,5 caso por 1.000 nascidos vivos até 2015. No Estado, o índice foi de 7,6 casos para cada mil nascidos vivos no ano passado, ou seja, um número 15 vezes maior. A doença só é notificada em gestantes e bebês. Por isso, não se sabe o número real de pessoas infectadas e que podem estar espalhando a doença. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou, em março, uma recomendação para que todos os médicos orientem os pacientes a realizarem o teste para detectar doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis, e iniciar o tratamento o mais cedo possível.

Cabedelo é o 7º município paraibano com maior incidência de sífilis congênita em 2015 e, apesar de não ter a maior incidência da doença em gestantes e em bebês, o município registrou mais de um quarto de todos os casos do Estado e tem aparecido nas estatísticas dos últimos anos. Foram 133 desde 2011, entre gestantes e bebês. Outros municípios que têm taxa maior no ranking e aparecem mais de uma vez entre 2011 e 2015, a exemplo de São Bento de Pombal (taxa de 75,5 em gestantes em 2013), têm poucos casos. Neste caso, quatro. Nos cinco anos, a cidade somou 11, sendo três do tipo congênita.

Desde 2010, segundo a Secretaria de Saúde de Cabedelo (Sescab), foram 371 casos, e o alto índice tem relação direta com o fato de ser uma cidade portuária, com grande movimento de marinheiros. Por conta da situação, a Sescab promoveu, em junho, um curso de Atualização em Sífilis Congênita e Adquirida para 30 médicos e enfermeiros.

“Essa situação ocorre porque Cabedelo é uma porta aberta, uma cidade portuária. Vem muita gente de fora e não só na zona portuária, mas os caminhões que trazem carregamentos”, observou o secretário de Saúde, Jairo George Gama. Ele ressaltou que a situação está sendo monitorada e garantiu que, apesar dos números, o Ministério da Saúde esclareceu, através de nota informativa, que o município está dentro do controle e prevenção das DSTs.

“A sífilis, infelizmente, não está erradicada e é muito presente em todos os municípios. Os casos que estão sendo diagnosticados são tratados, mas os municípios que estão silenciosos podem não estar tendo diagnóstico, mas nós sabemos que há possibilidade de ter muitos casos”, disse a gerente operacional de DSTs/Aids e Hepatites Virais da SES, Ivoneide Lucena. Ela destacou que todos os municípios contam com o teste rápido para Aids, sífilis e hepatite, na Atenção Básica, e a recomendação para quem teve relações desprotegidas é que façam o exame.

Para ela, a vulnerabilidade é para quem passa por alguma situação de risco, fazendo sexo sem preservativo e pode adquirir alguma DST, como a sífilis e HIV. “Se tem rotatividade maior de parceiros, sem vinculação, tem que usar preservativo, porque muitos não têm sintomas e acabam espalhando a doença. O HIV e o teste da sífilis fazem parte do Protocolo da rede cegonha para gestantes e seus parceiros quando elas são diagnosticadas.

Outros municípios. Em Juazeirinho, não houve casos da doença congênita , mas a cidade registrou 23 testes positivos em gestantes entre 2013 e 2015. O ano com maior incidência (25,4) foi 2015, com 8 casos. Nos anos de 2013 e 2014 foram 7 e 8 testes positivos, respectivamente. Já em Emas, também não houve registro de sífilis congênita, mas aparece com incidência de 30,3 em 2012 com apenas um teste positivo, e 2 casos positivos em 2013, o que elevou a taxa de incidência para 55,6.

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