domingo, 15 de julho de 2018
Saúde
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Alimentação não balanceada pode causar danos à saúde

Aline Martins / 04 de março de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Ter crianças pequenas em casa é enfrentar constantemente a difícil tarefa de fazê-las se alimentar adequadamente. Os constantes diálogos e as negociações entre uma garfada e outra acabam ajudando, mas algumas vezes sem muito sucesso. A irregularidade na alimentação balanceada pode causar sérios danos, um deles a carência de micronutrientes (vitaminas e minerais) que é chamada de ‘fome oculta’.

Esse problema é um fenômeno pouco divulgado, o que é até preocupante, pois ela é silenciosa e quando se encontra em estágio avançado deixa o organismo mais fraco e vulnerável a inflamações e infecções.

Esse desequilíbrio na alimentação é causado pelo consumo insuficiente e alimentos fontes para o desenvolvimento do organismo como frutas, legumes e verduras, peixes e óleos vegetais, além de leite e seus derivados.

“Refere-se à carência de micronutrientes (vitaminas e minerais) e não está relacionada com a oferta calórica ingerida diariamente, ou seja, não se trata da quantidade de alimentos consumidos e sim da qualidade dos mesmos. Ocorre devido à baixa ingestão dos micronutrientes, pela falta de uma alimentação adequada, que atenda todas as necessidades do indivíduo”, explicou a nutricionista Layse Moura.

É necessário distinguir a fome clássica, má nutrição da fome oculta. Essa última pode aparecer mesmo em pessoas que ingerem a quantidade de calorias adequadas ou até mesmo naquelas que apresentam excesso de peso ou obesidade.

Inicialmente, não há sintomas clínicos evidentes da carência de micronutrientes, segundo a nutricionista. “Pois estes só aparecem nos estágios bem avançados da deficiência, mas podem ter sinais semelhantes a diversos outros problemas, portanto o indivíduo deve está atento e submeter-se a exames para fechar um diagnóstico correto”, comentou. A carência de micronutrientes prejudica o desempenho de inúmeras funções no organismo.

De acordo com Layse Moura, a carência de vitaminas e minerais pode afetar as diversas etapas do metabolismo, além de prejudicar o sistema imunológico, a função antioxidante, o desenvolvimento físico e mental do indivíduo.

“Estudos demonstram que além das funções normalmente atribuídas aos micronutrientes, às deficiências dos mesmos estão associadas a terem impacto importante sobre o desenvolvimento de doenças crônicas”, frisou.

A nutricionista especialista em Nutrição Materno Infantil, mestre em Ciências da Nutrição pela UFPB, doutoranda em Nutrição pela UFPB e docente do curso de Nutrição em Materno Infantil na Uninassau, Dayanna Queiroz, pontuou também o ‘silêncio’ dos sintomas, mas que eles podem aparecer quando normalmente a deficiência de um ou mais micronutrientes já estão em um estágio mais avançado.

Mais atingidas



As crianças são as mais afetadas com a fome oculta por conta dos seus hábitos alimentares, que escolhem que tipo de determinado alimento deseja consumir. Isso é prejudicial porque muitas vezes não ingerem os alimentos responsáveis pelo crescimento rápido e a formação dos órgãos vitais.

“A deficiência de micronutrientes pode ocasionar anemias como a ferropriva, a deficiência do zinco está associada à menor imunidade e prejuízo no crescimento. Outra vitamina que tem sido encontrada em altos índices de deficiência é a vitamina D, que tem atuação direta no metabolismo ósseo”, ressaltou.

Prevenção é a melhor forma de tratamento



Para a mestre em Ciências da Nutrição Dayanna Queiroz, a observação a ser feita antes de indicar qualquer tratamento é frisar a importância da prevenção das deficiências. Ainda de acordo com a especialista, mesmo com uma alimentação balanceada, algumas pessoas podem ter as carências de vitaminas e minerais.

Vitamina D. A carência de vitamina D provocada pela falta de consumo de alimentos ricos em vitaminas é um dos motivos da ‘fome oculta’. A nutricionista Dayanna Queiroz destacou que esse tipo de vitamina pode ser encontrado em alguns alimentos de origem animal, peixes gordurosos, leveduras e plantas, por exemplos, ou, pode ser encontrada em suplementos alimentares ou na própria luz solar.

A coordenadora de cursos de nível superior, Thalita Brandão, de 37 anos, está grávida de seis meses e descobriu que estava com deficiência desse tipo de vitamina.

Antes da gestação, ela revelou que não tinha uma alimentação muito boa. “Comia tudo que tinha vontade. Não seguia uma dieta porque no corre-corre do dia a dia não tinha como ter uma alimentação saudável”, comentou.

Ao passar por alguns exames, descobriu a carência da vitamina D.

A médica passou uma suplementação alimentar, mas também um acompanhamento de um nutricionista.

“Como eu tenho 37 anos, a médica disse que eu estava com sobrepeso. Agora estou sendo acompanhada pela Dayanna que me passou uma alimentação saudável”, comentou.

Fonte de vitamina pode ser reforçada



Dayanna Queiroz passou algumas orientações em relação à alimentação. “Para melhorar a biodisponibilidade dos alimentos de origem vegetal fonte de ferro, recomenda-se a ingestão junto de alimentos fontes de vitamina C, como laranja, acerola, abacaxi. Pode pingar gotinhas de limão do feijão por exemplo. Alimentos fontes de vitamina A são encontrados em fígado, gema de ovo, leite e derivados. Mas temos os carotenóides que são precursores da vitamina A que são encontrados em diversos alimentos, principalmente de cores amarelo alaranjadas, como cenoura, abóbora e vegetais folhosos verdes escuros”, recomendou.

Diversidade. Embora se tenha uma alimentação balanceada, a nutricionista Layse Moura explicou que o problema pode estar na falta de diversidade dos alimentos. Ela acrescentou que outro fator pode ser a falta de absorção dos micronutrientes, causada por um fator patológico ou alguma interação entre nutrientes. Neste último caso, deve-se ter uma avaliação detalhada com um nutricionista e em alguns casos consultar um médico.

 

 

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