domingo, 17 de janeiro de 2021

Saúde
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Alerta máximo contra o consumo de álcool por crianças e adolescentes

Da Redação com assessoria / 07 de fevereiro de 2017
Foto: Divulgação
O álcool é um dos grandes problemas na sociedade moderna e vem atingindo cada vez mais as crianças e adolescentes. Por conta disto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nesta segunda-feira (06), um documento com uma série de recomendações para o estimulo à prevenção ao consumo de álcool entre os mais jovens. O texto, intitulado Guia Prático de Orientação: Bebidas alcoólicas e prejuízos à saúde da criança e do adolescente, tem como público alvo gestores, médicos, pais e educadores e traz alertas sobre os distúrbios causados pelo consumo precoce de bebidas alcoólicas.

“Este é um fenômeno mundial. As mudanças nas relações sociais, o acesso fácil às bebidas e a fragilidade das políticas públicas que se ocupam da questão constroem o cenário ideal para essas distorções que afetam a vida de milhões de pessoas. São crianças e adolescentes e seus familiares que precisam de toda a ajuda possível. Os pediatras esperam que o tema seja colocado em evidência. No debate, a sociedade poderá encontrar uma ou várias respostas”, disse a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva.

Na Paraíba, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 48,3% dos estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental já experimentaram alguma bebida alcoólica alguma vez na vida. Os dados constam na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2015.

No Brasil, a pesquisa apontou consumo de álcool de 27,3%, na edição de 2009, e de 26,1%, em 2012, sendo que cerca de 75% dos adolescentes – de 13 a 15 anos – já haviam experimentado álcool alguma vez. Desse total, 25% haviam relatado uso regular nos 30 dias anteriores à coleta dos dados, inclusive com episódios de embriaguez; e 9% assumiram problemas com a bebida.



Guia Prático

O Guia, elaborado pelo Departamento Científico de Adolescência da SBP, será disponibilizado aos médicos e à sociedade. As conclusões serão também encaminhadas aos Ministérios da Saúde, da Justiça, do Desenvolvimento Social, do Esporte e da Educação, na expectativa de estimular a manifestação do Poder Executivo por meio das ações sugeridas. Os deputados e senadores, bem como a Procuradoria Geral da República (PGR) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também serão acionados.

A concepção e finalização coube ao grupo formado pela dra Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo (presidente); dra Evelyn Eisenstein (secretária); dra Beatriz Bermudez, dra Elizabeth Cordeiro Fernandes, dr Halley Oliveira, dra Lilian  Day Hagel, dra Patrícia Regina Guimarães e dra Tamara Goldberg (membros do Comitê Científico); e dra Carmen Lúcia de Almeida Santos, dr Darlan Correa Dias,  dr João Paulo Lotufo e dra Monica Borile (colaboradores).

Recomendações

Entre as recomendações da SBP aos gestores, constam a adoção de medidas para proibir a efetiva venda de qualquer bebida alcoólica, para crianças e adolescentes; a criação de restrições ao marketing das bebidas alcoólica, inclusive da cerveja; a implementação com urgência das políticas de regulação da propaganda, independente das indústrias e pontos comerciais das bebidas alcoólicas; e a proibição ao patrocínio e venda em atividades e eventos culturais, esportivos e artísticos que envolvam a participação de crianças e adolescentes.

Aos médicos, o texto sugere que abordem o tema durante a consulta, introduzindo a questão do uso de quaisquer drogas e álcool na rotina de atendimento às famílias, como uma oportunidade de estimular o diálogo e a orientação sobre a prevenção dos riscos. Também se pede que expliquem aos pacientes e familiares as possíveis consequências do uso e da mistura do teor/quantidade/qualidade das bebidas alcoólicas, além de esclarecer à sociedade sobre os mitos e mensagens distorcidas de marketing, que envolvem o uso das drogas e do álcool em diferentes contextos sociais e sua relação com violência, mortes precoces e doenças.

Já para os pais e educadores é sugerido evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante todo o período da gestação e amamentação; alertar sobre as consequências do uso precoce do álcool e de outras drogas legais e ilegais no corpo humano, especialmente durante as fases de crescimento e desenvolvimento cerebral das crianças e adolescentes; evitar a glamorização das “bebedeiras” nas festas de família e a noção de que “beber cedo é motivo de orgulho” para os pais, que é a distorção do modelo referencial sobre as culturas das famílias.

Diagnóstico do problema

O álcool é uma substância psicotrópica legalizada e mais utilizada por adolescentes no Brasil e no mundo. O consumo nesse grupo é preocupante, tanto por sua maior tendência à impulsividade quanto pelo prejuízo ao desenvolvimento cerebral, o que causará repercussões na vida adulta. Além disso, a ingestão tende a ocorrer em conjunto com outros fatores danosos para a saúde, como uso de tabaco e de drogas ilícitas, além de comportamentos sexuais de risco.

Papel da família

A falta de diálogo sobre o tema contribui para a incidência do problema. Em muitos lares, tal substância não é vista como fator de risco, mas elemento cultural e agregador, sendo comum que adultos ofereçam vinho diluído com água as crianças.

Os dados revelam ainda que os pais brasileiros não conversam com os filhos sobre o álcool. Quase metade desses pais (48%) considerava o filho muito novo para isso, apesar de a média de idade considerada ideal para a conversa ter sido nove anos. Vinte e dois por cento disseram não saber como conversar, 15% afirmaram confiar nos filhos e 9% alegaram achar estranho ou sentir vergonha de dialogar.

Em situações onde há ausência de limites, descumprimento de regras, carência de hierarquia, de afeto e apoio, existe a fragilização dos adolescentes, que tendem a preencher essas lacunas na convivência com amigos próximos ou novas amizades. O fato de os adolescentes considerarem que 93% dos pais ficariam chateados caso chegassem alcoolizados em casa, enfatiza a família como espaço de proteção.

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