sexta, 23 de abril de 2021

Saúde
Compartilhar:

Álcool mata oito pessoas por mês na Paraíba

Wênia Bandeira e Katiana Ramos / 16 de fevereiro de 2019
Foto: Imagem ilustrativa
Em dez anos, pelo menos 1.389 pessoas morreram vítimas de alcoolismo na Paraíba. São dependentes que faleceram por transtornos mentais e comportamentais devido ao uso do álcool. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e reforçam um problema real que afeta muitos brasileiros e impacta ainda na vida familiar de quem sofre com a dependência.

Em janeiro deste ano, uma mulher que sofria de alcoolismo perdeu a vida por conta da bebida alcoólica, de acordo com a SES. Em 2018, foram pelo menos oito mortes por mês na Paraíba.

Apesar do número de óbitos em decorrência do alcoolismo ser considerado alto, nos últimos dez anos,pelos profissionais de saúde, o quantitativo no Estado tem apresentado queda anualmente, o que não acontece em outros lugares.

O último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2018, indicou que o uso de álcool foi o sétimo principal fator de risco para mortes prematuras e incapacitação do mundo em 2016, especialmente entre indivíduos entre 15 e 49 anos. O consumo abusivo foi responsável três milhões de mortes em 2016 (5,3% de todas as mortes no mundo).

A OMS estima ainda que 4,2% dos brasileiros apresentem transtorno relacionado ao uso de álcool. O álcool esteve associado, respectivamente entre homens e mulheres, a 69,5% e 42,6% dos índices de cirrose hepática, a 36,7% e 23% dos acidentes de trânsito e a 8,7% e 2,2% dos índices de câncer, em 2016.

“Álcool não deve ser usado como válvula de escape ou alívio de tensões, tampouco consumido sem se avaliar os riscos que traz à saúde. Estamos tratando de uma questão de saúde pública e considerada como prioridade pela OMS, que estipulou como meta a redução de 10% do uso nocivo de álcool até 2025”, explicou o psiquiatra Arthur Guerra.

Tratamento no Caps AD



Campina Grande contabiliza hoje 88 pessoas em tratamento contra a dependência de álcool. No entanto, o número representa apenas 17,05% dos pacientes registrados nos postos de saúde de Campina Grande, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

No município, quem tem dependência de álcool recebe atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), onde há o acolhimento em grupo e até distribuição de medicamentos.

De acordo com a coordenadora do Caps AD, Maristela Kelly, 516 alcoolistas estão registrados nos postos de Campina Grande. São oito unidades de Caps AD que oferecem atendimento. “São feitos trabalhos com uma equipe multidisplinar. Toda segunda-feira pela manhã, temos reunião do Alcoólicos Anônimos (AA) e temos também dois médicos psiquiatras que, se necessário, faz o tratamento medicamentoso”, explicou a a coordenadora do Caps AD, Maristela Kelly.

Os medicamentos receitados nos Caps AD são ansiolíticos, que ajudam os dependentes com queixas de tremores ou insônia, por estar em abstinência. A abstinência provoca ansiedade e o medicamento auxilia neste ponto, segundo explicou a coordenadora do Caps AD.

Além dos oitos Caps AD, o município conta com leitos especializados de saúde mental no Hospital Doutor Edgley, no bairro José Pinheiro. As pessoas atendidas fabricam produtos artesanais, que ficam expostos para venda Vila do Artesão.

“Este é mais um ponto do tratamento. Mexer com artesanato ajuda a acalmar e eles conseguem controlar a ansiedade fabricando e expondo estes produtos artesanais”, acrescentou.

A partir da próxima segunda até o dia 22 acontece a Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo.

Relacionadas