terça, 01 de dezembro de 2020

Saúde
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Adolescente espera cirurgias no joelho há seis anos

Beto Pessoa / 27 de outubro de 2017
Foto: ASSUERO LIMA
Seis anos. Este é o tempo que Wesley Cavalcanti espera para realizar uma cirurgia ortopédica no Complexo de Pediatria Arlinda Marques, hospital estadual referência em atendimentos às crianças e adolescentes.

O jovem, hoje com 17 anos, espera pelo procedimento desde os 11, quando recebeu o laudo de joelho valgo pela ortopedia do próprio hospital. Por conta da longa espera, o estudante tem adquirido diversos problemas que dificultam sua locomoção, explica a mãe de Wesley, Kelly Cristina do Nascimento. Wesley precisa colocar um fixador no joelho, que vai regularizar a posição da estrutura óssea. De acordo com Kelly, o primeiro processo foi perdido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).

O segundo processo chegou gerar a compra do material para a realização do procedimento, mas pela péssima qualidade foi recusada pelo médico. “O Estado comprou o fixador, mas o cirurgião não aceitou fazer a cirurgia porque disse que o material era de péssima qualidade. Agora o processo foi mais uma vez invalidado e voltou para o Arlinda Marques. Meu medo é porque meu filho já fez 17 anos e já já não terá mais direito a fazer o procedimento lá”, disse Kelly Cristina. O Arlinda Marques atende pacientes de 0 a 16 anos, segundo informações da Secretaria de Comunicação Institucional da Paraíba (Secom-PB).

A situação do adolescente foi denunciada na semana passada pelo vereador Mangueira (PMDB), em sessão ordinária na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP). “Desde os 10, com os joelhos tortos, virados para dentro, ele tenta se submeter a uma cirurgia no Arlinda Marques. Wesley pode sofrer com outros problemas irreversíveis devido à demora na realização da cirurgia. Peço ao Estado, ao Município, aos gestores de hospitais que intercedam por essa criança que pode ficar impedida de andar se não for feito o procedimento”, disse Mangueira. De acordo com a mãe de Wesley, outros jovens e crianças têm passado pelo mesmo problema. “Eu conheço vários pais e mães, com problemas até piores que o do meu filho, esperando pelas cirurgias e nada tem sido feito”, disse Kelly Cristina do Nascimento.

A promotora da Saúde do Ministério Público da Paraíba (MPPB), Maria das Graças Azevedo, disse desconhecer a espera nas cirurgias ortopédicas naquele hospital, uma vez que há um pacto assinado entre o Arlinda Marques e o órgão, mas afirmou que o MPPB investigará as possíveis irregularidades. “Nós precisamos ser notificados sobre esses casos, porque a demanda da Promotoria é alta. Nos causa estranhamento porque nenhuma queixa nos foi passada, mas iremos investigar para saber o que está acontecendo no Arlinda Marques”, disse a promotora. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde (SES) foi procurada, mas até o fechamento desta edição não informou o porquê da longa espera nas cirurgias ortopédicas.

Referências

O Arlinda Marques é um hospital de alta e média complexidade, sendo o único do Estado referência para cirurgias cardíacas e neurológicas. Cerca de 70% destes atendimentos são de pacientes residentes em João Pessoa. A Secom-PB informou que, dos atendimentos nos meses de março e abril deste ano, cerca de 60% são classificados como baixa complexidade e deveriam ser realizados pelas USFs e UPAs.

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