sábado, 20 de outubro de 2018
Saúde
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Acompanhantes dormem no chão no Trauma de CG

Wênia Bandeira / 22 de setembro de 2018
Foto: Chico Martins
“Nós estávamos em outra ala e lá eu dormia em cima de papelão. Agora, mudamos de ala e melhorou, agora eu tenho um lençol para colocar no chão e dormir”. O relato é de Valtemar Pedro, que acompanha a esposa, Tatiana Sousa, internada no Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, há um mês, após um acidente. Ele é uma das pessoas que estão passando a noite no chão ao lado do leito dos pacientes.

De acordo com Valtemar, deitar-se no chão é a melhor opção encontrada para conseguir adormecer. Ele explicou que a cadeira disponibilizada pela unidade de saúde não é apropriada para dormir.

“Eu passei a primeira noite na cadeira e não aguentei. A minha coluna doeu muito, então coloquei o papelão no chão e me deitei”, detalhou. Ele ainda salientou que tem medo de contrair alguma infecção e também adoecer.

O temor é compartilhado por Kelly Cristina dos Santos, que está acompanhando a sogra, Rúbia Cristina, também vítima de acidente. Ela passa as noites deitada no chão desde a última terça-feira, quando começou a ajudar Rúbia.

“É um frio nesse chão gelado e ainda tem as infecções que sempre falam que tem em todo hospital. Se ela tiver alta e eu estiver com saúde, serei uma pessoa de sorte”, comentou Kelly Cristina.

Além disso, os pacientes e acompanhantes ainda reclamam de problemas na tubulação de esgoro. Edvânia dos Santos falou que quando alguém toma banho o mau cheiro invade a enfermaria.

“A gente tem sempre que sair da enfermaria, ficam só os pacientes porque eles não podem se levantar, então aguentam o fedor que sobe”, declarou Edvânia.

Hospital responde

O diretor do Hospital de Trauma, Geraldo Medeiros, falou que as pessoas têm preferências e não há como fazer com que mudem suas opiniões. Ele ainda disse que não é comum encontrar a estrutura dada pelo local aos acompanhantes.

“Mesmo com a cadeira cama, têm pessoas que preferem colocar o lençol no chão e aí a gente não tem como impedir”, falou.

Ele informou que o Trauma hoje conta com 80 cadeiras cama e faltam 20 delas para que todos os quartos tenham disponíveis. Quanto ao temor relatado pelas pessoas de adquirir algum problema de saúde dormindo no chão, ele disse que não há motivo para isso.

“Não é recomendável deitar no chão, mas o que pega infecção é tocar no doente, tocar na cama do doente. No ar você praticamente não adquire”.

Sobre o esgoto, o médico declarou que o mau o dor é consequência de problemas causados pelos próprios usuários, de pacientes a médicos.

“Os próprios usuários quebram, rasgam. A gente coloca película para proteger da claridade e eles rasgam. O quebra-quebra faz parte da nossa cultura, é um desperdício enorme, as pessoas pegam o que é público e não procuram conservar”, afirmou.

O diretor informou que o hospital tem 22 mil metros quadrados de área construída e são gastos R$ 800 mil por mês com manutenção. Segundo Geraldo Medeiros, o momento eleitoral que o País vive agora seria a causa das reclamações. Ele afirmou que as pessoas estariam se queixando de um serviço que estaria sendo bem prestado.

“A época é propícia, eu já previa isso, que então vai ser o alvo. Porque nessa época, como o Trauma realça e é quem sustenta a saúde da cidade, as pessoas vão detonando”, acrescentou o diretor do hospital.

Espera por hemodiálise

O Hospital Municipal Doutor Edgley também foi alvo de reclamações, mas por parte de pacientes que usam a hemodiálise. Os usuários disseram que ficam muito tempo esperando ter máquina vaga para que possam utilizar.

“Eu cheguei hoje às 6h da manhã e só fui colocada na máquina às 10h. Eu fiquei esperando quatro horas mesmo após me dizerem que tinha vaga para atendimento”, falou Maiara Kelly de Moraes, que passa por sessões há um ano. Ela disse que marcou a sessão na semana passada.

A diretora do hospital, Ilka Lieta, explicou que a hemodiálise funciona em três sessões. Algumas vezes a pessoa é da segunda sessão e quer entrar na máquina antes do horário marcado.

“O horário é fixo, então ela pediu ao serviço que antecipasse o horário dela. A gente só pode antecipar o horário se tiver máquina disponível. Problemas temos, mas temos excelência do serviço. Vamos averiguar o que aconteceu”, declarou. “Temos um técnico de plantão para qualquer problema que tenha em máquinas”, acrescentou a diretora Ilka Lieta.

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