sábado, 28 de novembro de 2020

Saúde
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A via crucis de doentes na PB em busca de remédios

Bruna Vieira e Ana Daniela Aragão / 26 de fevereiro de 2016
Foto: Ilustração
Pacientes com diabetes, esquizofrenia e câncer estão em situação difícil, na Paraíba. Uma aposentada denunciou que não recebeu insulina Lantus, este mês. Já uma assistente social teme que o filho entre em surto psicótico, por falta de olanzapina. A Secretaria de Estado da Saúde reconheceu o problema e diz que depende de licitação e do envio de medicamentos pelo Ministério da Saúde. A aposentada de 68 anos pediu para não ser identificada, mas disse que a última vez que recebeu a insulina foi no dia 7 de janeiro e está sendo obrigada a arcar com os custos. Cada ampola custa R$ 160 e ela precisa de oito por mês. O marido da paciente, de 74 anos, também é diabético e necessita de quatro ampolas mensais.

“É constante faltar a insulina. O que ganho não dá para comprar metade de meus remédios, porque também sou hipertensa. Peço ajuda à família, ao meu filho”, lamentou. A aposentada contou que até janeiro a entrega vinha atrasando. Segundo ela, a medicação deveria estar disponível para os pacientes no início do mês, mas em 22 de fevereiro ainda não tem insulina. “Liguei hoje e já me disseram para ligar na sexta. É sempre assim, ligar na segunda ou na sexta”, reclamou.

Filho pode surtar. A família de um jovem de 24 anos está sofrendo com a falta da Olanpazina, para tratamento de esquizofrenia. “Sem tomar ele pode ter um surto psicótico, alucinações. Isso é gravíssimo. Desde 2011, ele faz tratamento e há um ano conseguiu estabilizar. Já fui três vezes e a resposta é sempre que não há previsão, talvez na semana que vem. Consegui umas amostras com o médico, mas só duram até quarta-feira. Cada caixa custa R$ 700. Ele usa duas por mês”, contou a mãe do jovem que também não quis se identificar, mas pediu que o caso fosse denunciado.

O rapaz que depende da medicação, recebeu o remédio em janeiro. A mãe desabafa. “Eu sei tudo o que eu passei com ele. Cuidei bem para ele não ter uma recaída, porque afeta a parte cognitiva também. Não posso nem imaginar ele ficar sem o remédio. É um problema muito grande”, disse.

Insulina

A SES explicou que houve um atraso na entrega por parte dos fornecedores. Segundo eles, a distribuição será regularizada a partir do mês que vem. São adquiridas pelo Estado, 15 mil insulinas mensalmente.

Atraso do MS

A diretora do Cedmex, Gilcélia Menezes, informou que os medicamentos de responsabilidade do Estado não estão em falta e sim, os distribuídos pelo Ministério da Saúde. “A insulina e o tamoxifeno (oncológico) estão sendo atendidos via judiciais. Já a Olanzapina que está faltando é a de 10 mg”. Foram solicitados em novembro, 116.763 comprimidos e o MS enviou 66.990.

No Cedmex

316 medicamentos são distribuídos

79 patologias abrangidas

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