sábado, 27 de fevereiro de 2021

Saúde
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84% dos usuários de planos de saúde já enfrentaram problemas

Maurílio Júnior e Nice Almeida / 07 de outubro de 2015
Foto: Ilustração
De cinco horas a dois meses de espera. Os usuários de planos de saúde enfrentam uma verdadeira peregrinação para conseguir uma consulta médica e, quando chega o dia de ser examinado, são as filas e a demora no atendimento os novos problemas encontrados. A angústia, decepção, revolta e indignação de quem enfrenta tudo isso foram comprovadas em uma pesquisa solicitada pela Associação Paulista de Medicina (APM) e realizada pelo Instituto Datafolha, que revela que 20% desses usuários já tiveram que recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o levantamento, 84% dos usuários que se utilizaram de seus planos de saúde nos últimos dois anos enfrentaram, em média, dois problemas no acesso aos serviços médicos contratados. As filas de espera foram às principais queixas (80% dos entrevistados), seguido da demora para a realização de procedimentos (51%) e as negativas de tratamentos e cirurgias (31%). Por fim, 68% dos entrevistados reconhecem que os “planos de saúde dificultam a realização de procedimentos ou exames de maior custo”.

A atendente Ana Flávia nem precisava desses números para chegar a essa constatação. Ela contou ao Correio Online que já deixou de ir ao médico porque iria demorar até dois meses para conseguir marcar a consulta. “Já cheguei a desistir de uma consulta, pois a marcação dela levou até dois meses de espera. E como estamos no fim de ano já tem clínicas com agendas cheias até janeiro. Essas burocracias, empecilhos faz você desistir, sem dúvidas”, falou.

Não diferente de Ana, a auxiliar de serviços Regiane Santos Leitão relata a peregrinação que atravessa apenas para ser atendida pelo médico. “Há muito demora em sermos atendidas. Você marca um dia e é consultada somente dois meses depois, além do tempo de espera nas clínicas que acontece constantemente. Chego às 2 horas da tarde e sou atendida quatro ou cinco horas depois”, disse.

20% dos usuários já recorreram ao SUS

A pesquisa encomendada pela Associação Paulista de Medicina também indicou que 20% dos usuários buscaram o Sistema Único de Saúde (SUS) para a realização dos procedimentos não autorizados pelo operador e menos de 2% se utilizaram de medidas judiciais para a defesa de seus interesses.

“Estas circunstâncias indicam um cenário em que é mais lucrativo para as operadoras negarem os atendimentos médicos e cirurgias do que autorizarem, pois o que ganham deixando de prestar os serviços a que estão legal e contratualmente obrigadas é infinitamente superior ao que perdem nas poucas demandas judiciais e administrativas que enfrentam (inclusive, 67% dos usuários desconhecem os prazos máximos de atendimento fixados pela ANS)”, diz Diogo Santos, diretor executivo do Instituto Apolo, que combate os abusos das operadoras.

Instituto Apolo em João Pessoa

Tendo em vista a recente publicação dos dados e o número crescente de usuários que vem enfrentando dificuldades por conta da crise econômica vivenciada no setor da saúde suplementar, o Instituto Apolo, que atua no mercado pernambucano há dois anos, instalou-se também em João Pessoa disponibilizando a ferramenta “Análise Prévia”, através da qual o usuário poderá saber qual o valor da mensalidade que efetivamente deveria estar pagando para a operadora de plano de saúde com a qual está vinculado.

A identificação de eventuais aumentos abusivos é feita de forma absolutamente gratuita, sendo enviado ao consumidor um parecer jurídico dentro do prazo de três dias úteis a partir da solicitação.

 

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