terça, 13 de novembro de 2018
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Roubo de placas é a nova modalidade de crime na UFPB

Aline Martins / 12 de setembro de 2016
Foto: Nalva Figueiredo
O Centro de Ciências da Saúde (CCS) do Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, abriu um processo na Seção de Segurança da instituição para apurar o furto de placas de formaturas na instituição. Algumas delas tiveram parte de peças subtraídas, enquanto outras foram totalmente furtadas. Esse crime dentro da unidade surpreendeu a direção do Centro, que nunca registrou caso semelhante e, por isso, pediu apuração do crime pela universidade e também ter mais agentes de seguranças para o local. Seria a nova modalidade de crime no Campus. O furto foi notado na segunda-feira da semana passada (05). Mas do que um valor comercial, que por completo pode sair por em média R$ 3 mil, esse monumento simboliza a história de vida de diversas pessoas que passaram pela instituição.

Muitas das placas tiveram apenas o letreiro – a maior parte em bronze – e o vidro junto com as fotografias levadas, deixando apenas o mármore. De outras não deixaram nada. As mais antigas foram as mais afetadas pela ação criminosa. O diretor do CCS, Reinaldo Nóbrega de Almeida, informou que o Centro assim que notou a ocorrência comunicou o fato a Seção de Segurança da instituição. “Nós documentamos em fotografias e abrimos um processo no Setor de Segurança para que as providências sejam tomadas e apuradas”, revelou.

O diretor considerou o furto de placas inusitado na unidade de ensino. “Isso nunca aconteceu na universidade”, disse. A maioria das placas era feita em mármore e tinha letreiros de bronze, considerados de alto valor no mercado. Hoje, uma letra em bronze, custa em média R$ 3 (o centímetro) de cada uma. Por exemplo: para o letreiro do curso de Medicina (com 8 letras), cada letra com 5 cm, o valor somente desse letreiro sairia por R$ 120, fora outras peças que poderiam ser acrescentadas e que aumentam o custo da placa.

“Isso é complicado porque o valor de uma placa é simbólico e importante para uma turma e isso não tem como recuperar”, ressaltou Reinaldo Nóbrega de Almeida. Ele pediu mais vigias para fazer a segurança do local. No dia do fato, segundo a Seção de Segurança da UFPB, o vigilante precisou se ausentar para fazer a segurança no Hospital Universitário Lauro Wanderley. O diretor do CCS acredita que o furto teria ocorrido durante a noite, pois não há movimentação de pessoas nesse horário devido não ter aulas nesse turno. A placa da mãe do estudante de Medicina, Gabriel Rodrigues de Assis Ferreira, 20 anos, que fez Odontologia há aproximadamente 30 anos, teve o letreiro furtado. “Eu tirei a foto e contei para ela o que tinha acontecido. O pessoal da turma estava pensando em restaurar porque faz parte da história deles”, frisou.

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Alguns preços de peças em loja que fabrica placas de formatura (Cri Marka: Rua da República, no Varadouro, em João Pessoa):

- Bronze: R$ 3 (o centímetro);

- Inox: R$ 2,40 (o centímetro);

- Galvanizado: R$ 1,80 (o centímetro)

Modelo: Uma placa com aço, adesivo, brasão, mármore, vidro e letras gravadas: R$ 3 mil

Furtos de objetos e vandalismo ainda lideram as ocorrências na UFPB

Além do furto de placas de formatura, que seria modalidade criminosa nova no local, uma vez que já é comum nos cemitérios da Capital, a instituição ainda registra em maior quantidade furtos de objetos de terceiros, principalmente no interior dos veículos (o arrombamento do carro) e também de bicicletas, que tem se destacado, mas também o dano por meio do vandalismo contra o patrimônio. No entanto, nem todos os casos são contabilizados pela Seção de Segurança, pois nem todas as pessoas procuram o local para registrar a ocorrência. Pede-se também que se faça um boletim na Polícia Civil para uma investigação criminal, pois a UFPB fará apenas a administrativa.

Estudantes dizem se sentir seguros, mas tomam precauções para não serem vítimas

Apesar de se sentirem seguros, como afirmam alguns estudantes, eles revelam que tomam determinadas medidas para não serem as próximas vítimas. “A gente evita deixar objetos de valores expostos no carro, mas muitas vezes a gente tem que fazer atividade fora do Campus, nas comunidades, não temos onde deixar esses objetos aqui na UFPB e temos que levar tudo”, afirmou o estudante de Medicina Flávio Moura Travassos de Medeiros, 21 anos. Além disso, contou que muitos alunos evitam ficar no início da noite fazendo atividades nos laboratórios porque tem pouca movimentação.

Em um mês, no Centro de Tecnologia, o estudante de Engenharia Mecânica Cesar Augusto, 22 anos, informou que três bicicletas foram furtadas, o que assustou aqueles que utilizam o meio de transporte para chegar até a universidade. Ele informou também que uma amiga teve o veículo arrombado no estacionamento da biblioteca Central há pouco mais de um mês. “Deixou o carro e foi para a biblioteca. Quando retornou percebeu que vários objetos foram levados. Ela disse que teria sido alvo da ação dos bloqueadores de controle porque tinha a certeza de ter fechado o veículo”, revelou.

Não apenas alunos foram vítimas da violência. A estudante de Economia Júlia Freitas, 19 anos, que é de São Paulo, está há poucos meses estudando na UFPB. Ela disse que um professor do seu curso teve um notebook roubado de dentro da sala dos professores. Apesar disso, ela disse que se sente segura pelo menos durante o dia – horário que estuda. O estudante de Odontologia Marcel Alves, 23 anos, disse que evita ficar até as 18h no Campus e quando isso acontece pede carona até uma parada de ônibus. “Fica totalmente esquisito principalmente na sexta-feira. Ninguém quer ficar mais tarde por medo mesmo”, afirmou.

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Ocorrências registradas pela UFPB

Em 2016 (até maio)

- Furto contra o patrimônio: 05

- Dano/vandalismo contra o patrimônio: 07

- Dano/Vandalismo contra permissionário: 01

- Furto de objetos de terceiros (bolsas, celulares, etc): 14 (sendo cinco só de bicicleta)

- Furto de motos: 02

- Furto de som ou objetos do interior de veículos: 02

Total: 31

Ocorrências gerais na UFPB

Em 2014: 39

Em 2015: 76

É necessário aumentar mais 10 seguranças no Campus I, segundo diz Seção

O chefe da Seção de Segurança da UFPB, João de Deus das Neves, informou que o furto teria sido comunicado ao vigilante no início da tarde de segunda-feira (05). O vigilante teria se ausentado para fazer a segurança no Hospital Universitário. Ele revelou que é necessário ter pelo menos dez vigilantes para atender toda a comunidade universitária. Ele vai pedir ao Centro que abra uma sindicância para apurar o caso e também fazer um levantamento do número de placas furtadas.

Ainda de acordo com o chefe da Segurança, as principais ocorrências ainda são de furto de equipamentos e objetos de terceiros. Ele informou que o arrombamento de veículos havia parado, mas este ano retornou com um estilo diferenciado, ou seja, através de bloqueadores de sinal de controles de veículos. “Já houve alguns casos este ano aqui dentro do Campus”, frisou. No entanto, o que João de Deus informou ser crucial para a criminalidade no Campus é o tráfico de drogas. “A própria comunidade acadêmica tem denunciado à Polícia Militar, que pode entrar na instituição para averiguar as denúncias comunicadas”, frisou.

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Câmeras de monitoramento não funcionam e projeto ainda é aguardado

Dentro do Campus há câmeras de monitoramento, mas nenhuma em funcionamento há anos. João de Deus explicou que em 2013 foi feito um projeto para colocar em funcionamento todos os equipamentos, que poderia ajudar, no caso do furto das placas, a identificar os autores do crime. “Estamos no aguardo dessa decisão”, afirmou João de Deus das Neves.

“Isso aí é uma situação preocupante, a gente tem procurado dentro do possível combater, mas não é fácil porque a gente está falando de tráfico que já extrapola e muito a missão da vigilância em relação a isso” - João de Deus das Neves – chefe da Seção de Segurança falando do tráfico de drogas

Em números:

- 30 vigilantes por dia no Campus I, residência feminina, Faculdade de Direito e Teatro Lima Penante;

- 4 agentes de plantão no quadro da Federal;

- 3 motos para rondas no campus;

- 4 motos da segurança da UFPB

Denúncia: Seção de Segurança da UFPB

Telefone: 3216-7120

Entradas da UFPB:

- 4 entradas para veículos;

- 12 entradas para pedestres;

- Apenas uma entrada fica aberta no final de semana porque há atividades de pesquisas em laboratórios e residência no campus.

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