sábado, 16 de janeiro de 2021

Religiosidade
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Escolas mudam, mas não abandonam opção pedagógica do ensino religioso

Aline Martins / 14 de maio de 2017
Foto: Divulgação
As escolas católicas sempre foram consideradas as melhores unidades de ensino, pois, além do que o conteúdo programático, ainda ofereciam uma educação pautada na disciplina e no rigor comportamental. Para alguns estudantes foi essencial para a formação pessoal e profissional. No entanto, com o passar dos anos, essa estrutura foi revista e adaptada as mudanças da educação e da própria sociedade. Embora tenham se moldado as mudanças, os colégios mantêm a tradição do ensino religioso e voltado para a valorização dos princípios étnicos e familiares.

Pouco tempo atrás, quem estudou em colégios dirigidos por freiras conviveu em sala de aula apenas com meninas. Porém, aos poucos, as próprias escolas foram se adaptando a tais alterações, porque tudo é questão de uma construção e não uma imposição. O processo de inserção dos meninos aconteceu aos poucos. Na Capital, o Instituto João XXIII, que tem 57 anos de história, é um exemplo disso. A coordenadora da escola, Martha Arcela, comentou que hoje, por incrível que pareça, tem até salas onde há mais meninos do que meninas. “O rigor que a gente tinha 50 anos atrás mudou porque a sociedade mudou, mas nós continuamos com a questão dos valores que nós sempre trabalhamos. Eu acho que é o produto primordial das escolas católicas, a questão dos valores que a gente não mudou nada”, frisou.

Seguindo o tradicional nas escolas católicas, todos os dias, Martha Arcela informou que para as turmas do ensino fundamental II e médio é feita a leitura do evangelho. Dentro da sala de aula, um dos alunos lê a palavra e faz um comentário. “Isso é muito importante porque o evangelho é uma palavra universal. Aqui nós temos alunos cristãos católicos, cristãos evangélicos, nós temos alunos espíritas, mas o evangelho abrange todos esses cristãos”, revelou. Ao chegar, os estudantes vão diretamente para as salas de aula onde é feita a leitura. Enquanto no fundamental I, as crianças fazem filas na área externa da capela para participar da acolhida e posterior ida à sala. Já para o infantil, a oração é mais lúdica, com músicas.

Anteriormente todos os alunos ficavam no salão aguardando a acolhida para depois entrar nas salas. Hoje apenas o ensino fundamental I ocorre isso.

De acordo com a coordenadora do Ensino Fundamental I do Marista Pio X, Fernanda Frasão, a escola antigamente era voltada de forma mais efetiva para os conteúdos e suas dimensões, muitas vezes, não significativas para os educandos. Hoje em dia, percebe-se um ensino voltado para uma aprendizagem mais significativa, no que diz respeito aos valores e, também, às competências e habilidades efetivas no dia a dia do aluno.

Disciplina rígida e organização

A microempresária Fabíola Gondim é ex-aluna do Instituto João XXIII. Ela terminou em 1997 e lembra o quanto foi fundamental para a sua vida. “Era uma das melhores escolas da cidade, tinha uma disciplina muito rígida. As freiras exigiam fardamento completo, de acordo com as cores da escola, questão de organização de material escolar também sempre foi muito rígido. Com relação ao fardamento, elas chegavam ao ponto de inspecionar as meias das alunas, quem estivesse com meia ou tênis de cor diferente do exigido pela escola, não assistia aula. Diariamente, formávamos filas antes de entrar em sala de aula e fazíamos uma oração. As turmas tinham que se deslocar para suas salas de aula de acordo com a ordem das séries. Tínhamos que subir e descer a escada sempre pela nossa direita, porque elas diziam que assim não esbarraríamos em quem viesse do lado contrário”, lembrou.

Em relação ao ensino era bastante rigoroso. “Apesar da média ser 6 na época, as provas eram dificílimas. Lembro de uma vez que um professor de química levou a prova de uma outra escola também religiosa, onde a média era 8 e ficamos impressionadas como era fácil. Sou muito grata a meus pais por terem me colocado lá. Passei pela fase de querer sair, mas muito do que sou hoje, devo ao João XXIII”, comentou. destacando que entende que é necessário mudanças na educação, mas que hoje não é o mesmo ensino e rigidez na disciplina. “Em relação ao ensino vejo sim muitas mudanças positivas, mas com relação à disciplina e organização sinto falta do que vivi”, frisou.

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