sexta, 26 de fevereiro de 2021

Religião
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Testemunhas de Jeová sofrem perseguições e ameaças com banimento da religião na Rússia

Rammom Monte / 03 de julho de 2017
Foto: Divulgação
O que era ameaça, virou realidade. E as consequências vieram de forma drástica. Há pouco mais de dois meses, a religião Testemunhas de Jeová está banida na Rússia, o que vem acarretando perseguições, constrangimentos e até espancamentos. A alegação é que se trata de uma organização extremista. Um dos porta-vozes da religião na Paraíba, Victor Menezes, comentou sobre a situação de seus irmãos e as atrocidades que estão sendo cometidas pelo governo do presidente Vladimir Putin, semelhantes a algumas realizadas pelo nazista Adolf Hitler. Comente no fim da matéria.

“De fato foi votado isto. Todos os imóveis de certa maneira foram confiscados, todas as propriedades também. As reuniões que eram livres, foram também proibidas. Foi feito um outro recurso para tentar ver se consegue liberar alguma coisa. Só que de um modo paradoxal, ao mesmo tempo, Putin condecorou um casal de Testemunhas de Jeová por serem pessoas exemplares no país, um premio de âmbito nacional, dizendo que este prêmio era dado para as pessoas que se destacavam em fortalecer o valor da família e a criação dos filhos. Esta mesma família foi incluída como pessoas que promovem uma adoração extremista. Este paradoxo não se consegue explicar. Assim como não consegue se explicar os motivos verdadeiros por trás desta proibição”, disse.

Segundo Victor, a decisão do governo instaurou uma espécie de caça às Testemunhas de Jeová por parte da população. Algumas pessoas passaram a agredir os religiosos e persegui-los.

“O clima continua bastante pesado porque uma vez que as autoridades debelaram esta perseguição religiosa, algumas pessoas, individualmente, se acham no direito de também perseguir nossos irmãos, colocando fogo em casas de irmãos nossos, atacando pessoas individualmente e as autoridades não se manifestam de forma nenhuma, são passivas. Algumas pessoas acabam sendo mandadas embora de seus empregos por uma questão de perseguição, crianças expulsas de escolas, então esta tem sida a consequência desta decisão. Uma verdadeira barbárie”, lamentou.

Apesar da decisão já ter sido tomada, os adeptos da religião entraram com um recurso na Corte Europeia, porém, por mais que tentem reverter a sentença, as Testemunhas de Jeová, de acordo com sua interpretação da bíblia, acreditam que isto é algo que irá ocorrer em todo o mundo com todas as religiões.

“Nós entramos com recurso na Corte Europeia para poder retirar isto, porque assim como já aconteceu em outras situações e países, sobre outros aspectos, onde também o governo havia entendido que nos não teríamos determinados direitos, quando se entrou com uma apelação na grande Câmara da Corte Europeia, o assunto foi revisto e consequentemente foi dado um parecer favorável e os direitos voltaram. Nós entendemos pelo que lemos da bíblia que os governos de fato daqui a pouco vão se posicionar de uma forma unânime contra as religiões, com o objetivo de por fim. Vamos tentar ver os nossos direitos, mas entendemos que não está acontecendo nada diferente daquilo que nós entendemos que a bíblia diz que iria acontecer”, explicou.

Em um documento intitulado de “Impacto Negativo da Proscrição Russa contra as Testemunhas de Jeová”, enviado à reportagem por Victor Menezes, há alguns relatos das atrocidades que estão sendo cometidas. Confira algumas delas:

- “No dia 25 de maio deste ano, a FSB invadiu um serviço religioso das TJ na cidade de Oryol e apreendeu o cidadão dinamarquês Dennis Christensen sob custódia. Ele está sob detenção em pré-julgamento até dois meses, aguardando a finalização da investigação criminal. Ele corre o risco de permanecer preso de 6 a 10 anos por atividade considerada extremista como reza o Artigo 282.2, parte I, do Código Criminal, simplesmente por participar das atividades religiosas das Testemunhas de Jeová”.

- “No dia 17 de abril de 2017, na Vila de Bolshekrepinskaya, Rostov Region, diretor da escola e dois policiais se reuniram em particular na escola com a filha de uma Testemunha de Jeová, de 14 anos, relatando à jovem que sua mãe fazia parte de uma “organização terrorista” cujos membros aprendiam a assassinar pessoas e roubá-las. A linguagem brutal usada para descrever as Testemunhas como terroristas fez a garota chorar”.

- “Em 24/05/2017, em Zheshart, República de Kom, um edifício usado pelas Testemunhas de Jeová para serviços religiosos foi incendiado. Restos de um coquetel Molotov foram achados no local. Em 30/04/2017, em Lutsino, perto de Moscou, a casa de uma família de Testemunhas foi queimada totalmente num incêndio criminoso”.

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