quarta, 23 de setembro de 2020

Religião
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Dia de Finados: uma data e vários conceitos

Rammom Monte / 02 de novembro de 2016
Foto: Assuero Lima
Nesta quarta-feira (2) é comemorado o Dia de Finados em várias partes do mundo. Com uma tradição que começou no fim do século X, algumas religiões passaram a usar esta data como uma forma de celebrar e homenagear os mortos. Porém, cada um lida de uma maneira diferente. Por conta disto, o Correio Online conversou com alguns religiosos para entender a sua crença acerca da data.

O padre Alexandre Magno Jardim, da paróquia de Nossa Senhora da Conceição, afirmou que a tradição vem desde a idade média, mas que só veio a ser instituída de fato por volta do século XII. Segundo ele, é uma característica da Igreja Católica reverenciar os mortos, por acreditarem na ressurreição.

“Isto vem dos primórdios, da idade média, quando se instituiu o Dia de Todos os Santos (comemorado nesta terça-feira (1)) em que se celebrava os santos vivos e mortos. Aí por volta do século 12 institui-se uma data para celebrar os mortos. A igreja tem esta reverencia aos mortos, por acreditar na ressurreição, eles continuam vivos para nós. A morte é encarada com dignidade, respeito.Com a renovação, a morte foi encarada como esperança, claro que é diferente se for natural ou por acidente. O familiar vai encarar de forma diferente, mas o Dia de Finados é encarado como o dia da esperança para os católicos”, resumiu.

Para a celebração do Dia de Finados, haverá no Cemitério Senhor da Boa Sentença várias missas. A primeira acontecerá às 7h, a segunda às 9h, a terceira às 11h, mais uma às 15h e a última às 17h quando ocorre a celebração final dos túmulos.

Espiritismo acredita que a vida não acaba com a morte

Assim como o cristianismo, o Espiritismo tem a sua ligação com a data. Porém, de uma forma diferente. Para um dos diretores do grupo espírita Ave Luz, Homero Jorge, para a religião não há uma tradição no Dia de Finados, já que se acredita que a verdadeira vida é a espiritual e esta é eterna.

“Na verdade, para o espiritismo não é uma tradição. A verdadeira vida é a vida espiritual e é eterna. A questão da morte é apenas a morte do corpo para nós, que chame de desencarne. Após o desencarne, o espírito continua vivo. A gente também entende que temos diversas encarnações, que são necessárias para nossa evolução espiritual. De tempos em tempos reencarnamos e a vida, enquanto encarnado, tem o papel de aprendizagem e de provas, para que o espírito se desenvolva moralmente”, explicou.

Segundo ele não há celebrações e o papel é levar conforto aos familiares. “O nosso papel é de levar conforto as pessoas. Elas mantêm ainda a saudade, e estão tristes. O nosso papel é de amparo emocional e de esclarecimento. E de auxilio aos próprios espíritos. Muitos não têm essa compreensão e precisam de amparo do lado lá, no campo espiritual”, disse.

Assim como os católicos, alguns espíritas irão fazer ações nesta quarta-feira (2). Das 7h às 17h, equipes voluntárias se dividem nas diversas atividades promovidas pelo grupo no cemitério do bairro Cristo Redentor, em João Pessoa. São palestras, leitura de evangelho nos túmulos, distribuição de mensagens, evangelização infantil, aplicação de passe magnético e distribuição de água fluidificada. "Estimulamos a prece como ação consoladora e terapêutica. É um trabalho emocionante. As pessoas fazem fila para serem atendidas", disse André Luiz Lucena, presidente do Ave Luz.

A reportagem também tentou entrar em contato com vários pastores, porém as ligações não foram atendidas.

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