domingo, 17 de novembro de 2019
Cidades
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Recicladores falam sobre descaso da população

Ainoã Geminiano / 17 de maio de 2019
Foto: Assuero Lima
Existe uma diferença entre a função do gari e do reciclador que trabalha na Coleta Seletiva. O primeiro é responsável por recolher o lixo comum da cidade e o segundo, recolhe apenas o lixo que pode ser reciclado. Mas, de acordo com relato de servidores da Coleta Seletiva, a população de João Pessoa não tem feito diferença entre os dois serviços e principalmente com os resíduos descartados e colocando lixo comum e até sanitário nas sacolas destinadas a Coleta Seletiva. Fezes de animais, fraldas infantis e geriátricas usadas, absorventes, seringas usadas e peças de vidro quebradas são alguns dos tipos de lixo mais frequentes nas sacolas.

Atualmente existem cinco Núcleos de Coleta Seletiva, que atendem 20 bairros da Capital. Uma estimativa da Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) é que 1,5 mil toneladas de lixo é reciclado todo mês, evitando que garrafas plásticas e outros materiais não biodegradáveis sejam depositados na natureza, o que mostra a importância do serviço para a cidade. Porém, catadores que trabalham no Núcleo de Mangabeira, por exemplo, estão reclamando do excesso de lixo não reciclável que está sendo colocado pelos moradores, nas sacolas da Coleta Seletiva.

“A gente passa a maior parte do dia limpando o material que pode ser reciclado, porque as pessoas não têm consciência. Se você olhar aqui no lixo que trouxemos da rua você vai ver lixo de banheiro, com preservativos, absorventes, fraudas infantis e geriátricas usados. Também tem muito caco de vidro, seringas usadas e coisas que oferecem risco pra a gente”, contou Diones Oliveira, coordenadora do núcleo do Caic. O relato foi acompanhado e endossado por outros catadores que estavam no local. O problema se repete no Núcleo de Mangabeira 7.

“No nosso núcleo a situação é ainda pior. Lá no Caic, por ser um local muito visível e passar muitos carros na porta, eles recebem muitas doações de materiais como equipamentos eletrônicos, livros, ferro velho. Isso enriquece o material deles no geral”, disse o reciclador Marcelo da Silva Januário.

Os recicladores dizem ter um rendimento médio de R$ 600 e afirmam que poderiam triplicar esses ganhos, se não tivessem que fazer a função do gari. Para você ter uma ideia, todo dia sai pelo menos um caminhão de lixo daqui.

Depois que nós fazemos a separação do que é reciclável, o lixo comum que se amontoa aqui rende mais de um caminhão por dia. Se a gente pegasse o material já separado, iríamos direto para o trabalho de prensa, de empacotamento, ficando mais tempo para coletar mais material”, acrescentou Diones Oliveira.

Local sem energia elétrica





Os catadores do Núcleo do Caic também reclamaram que o local está sem energia, há mais de cinco meses, o que tem obrigado, além de limpar o material, a colocar em um caminhão para fazer a prensa e os pacotes na unidade de Mangabeira 7. “Em uma chuva forte dessas aí pegou fogo no quadro de energia e ficamos sem. A Emlur diz que está licitando pra poder ajeitar e estamos tendo mais um trabalho por conta disso”, disse Diones.

Emlur. O superintendente da Emlur, Lucius Fabiani, disse desconhecer que a população está desrespeitando o serviço da coleta. Segundo ele, o lixo misturado é uma questão cultural, que existe desde que a Coleta Seletiva foi implantada.

Na verdade nós temos aumentado o percentual de lixo reciclado. No começo nossa reciclagem era de 1,5% e hoje alcançamos 7,5%. Temos feito um trabalho constante de conscientização, mas sabemos que isso é um processo lento. Mesmo assim, temos um dos melhores percentuais de reciclagem do país, entre as cidades que dispõem do serviço. A população tem cooperado, mas isso de misturar o lixo é uma cultura que precisamos lutar pra mudar”, analisou.

Sobre a falta de energia na unidade do Caic, Fabiani disse que o problema está sendo resolvido e que não são cinco meses. “O problema acontece nessas últimas chuvas fortes”, disse.

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