domingo, 17 de novembro de 2019
Protesto
Compartilhar:

Moradores bloqueiam rua em protesto contra esgotos clandestinos

Lucilene Meireles / 03 de abril de 2019
Foto: Assuero Lima
Moradores do bairro José Américo, em João Pessoa, interditaram parcialmente, no último sábado (30), a Avenida Rosa Paula Barbosa, a ‘rua da Igreja Católica’, em protesto contra esgotos clandestinos estourados que atrapalham o funcionamento de pontos comerciais e obrigam moradores a saírem de casa por conta do mau cheiro. A via, de mão dupla, está com apenas uma pista absorvendo os dois sentidos do tráfego. Revoltados com a situação, a ameaça é de interdição total se o problema não for resolvido até amanhã. A Secretaria de Meio Ambiente (Semam) identificou e multou quem fez as ligações irregulares. Já a Cagepa informou que a obra pode durar até dois anos. Os esgotos clandestinos estourados na Avenida Rosa Paula Barbosa foram tema da reportagem publicada pelo CORREIO, no último mês de março.

“A princípio, interditamos apenas um lado, mas se não resolver vamos interditar tudo”, declarou o barbeiro Carlos Hortêncio Morais, que tem um ponto comercial na via e mora no cruzamento dela com a Rua Edvaldo Toscano. Ele explicou que há três bueiros em sequência que estouraram e os dejetos estavam escorrendo, tornando quase inviável manter a barbearia aberta. Com o caminhão de barro colocado por outro morador, o mau cheiro diminuiu, mas não o suficiente para permitir que os comerciantes trabalhem com conforto.

A situação, que se arrasta há três anos, está tão crítica que a professora Rita de Cássia Furtado não fica mais em casa. “Agora mesmo estou saindo, porque quando o sol começa a esquentar, o odor piora. Não tenho condições de ficar dentro de casa. As pessoas estão ficando doentes”, disse ela, que mora em frente ao ponto interditado. Ela acrescentou que no final da tarde, quando muita gente está chegando do trabalho, o fluxo de esgotos aumenta e a fedentina também.

O autônomo Geraldo José Maia de Souza observou que antes da interdição já estava desviando da rua. “Quando a gente passa aqui de carro, por cima do esgoto, leva para casa toda a sujeira e o mau cheiro”, constatou. Já Michael Santos da Silva, funcionário de um pet shop, responsável por interditar a rua, afirmou que, se até quarta-feira à noite a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) não resolver o problema, vai interditar totalmente a avenida na quinta pela manhã.

Cagepa afirma estar ciente da situação

Através da assessoria de imprensa, a Cagepa informou que está ciente da situação, tanto que estabeleceu uma parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semam) para identificar os autores das ligações irregulares no sistema de esgotamento sanitário que ainda não está em funcionamento. O prazo para conclusão total da obra é de até 24 meses.

Conforme a Cagepa, a rede de esgotamento foi implantada, mas a construção das estações elevatórias - responsáveis por bombear os esgotos até as estações de tratamento – ainda não foi concluída. A obra é considerada complexa e, por isso, demorada. Até o final deste mês, porém, uma das estações fica pronta e parte das ligações à rede de esgotos será liberada, mas só poderão ser feitas após notificação da Cagepa.

A Cagepa ressaltou que a prova de que o sistema de esgotamento sanitário do José Américo não está em operação é que os moradores não pagam a taxa. A empresa acrescentou que está trabalhando para concluir as estações elevatórias. Ao tomar conhecimento dos problemas causados pelas ligações irregulares, a Cagepa acionou a Semam e propôs a parceria para identificar quem estava praticando o crime ambiental.

A Divisão de Fiscalização da Semam identificou, notificou e multou os responsáveis pelas ligações clandestinas de esgotos na área. As equipes trabalham de domingo a domingo.

r$ 500 mil É o valor máximo da multa que pode ser aplicada pela Secretaria de Meio Ambiente de João Pessoa a quem comete crime ambiental, dependendo do dano causado. Geralmente, as infrações que geram as multas com valores mais altos são cometidas por grandes empresas, que provocam danos ambientais graves. O mínimo cobrado dos infratores é de R$ 2 mil e foi o valor aplicado no caso do José Américo.

Relacionadas