domingo, 09 de dezembro de 2018
Cidades
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Projeto da UFPB quer mudar cenário da depressão

Beto Pessoa / 29 de janeiro de 2018
Foto: Rafael Passos
O Jornal Correio da Paraíba trouxe, nesse domingo (28), em sua versão impressa, uma reportagem que alerta aos profissionais e estudantes universitários para um problema sério da sociedade moderna: a depressão. A doença tem atingido inúmeros estudantes, especialmente os de medicina. O repórter Beto Pessoa, que assina a reportagem, conversou com o Dr. Alfredo Minervino, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e professor do Departamento de Ciências Médicas da UFPB. Minervino concedeu uma entrevista ao jornalista onde fala sobre o o olhar que há de se ter para essa problemática.

Por que a depressão tem atingido tantos jovens dentro da universidade?



É uma população especial, que vive sob grande estresse. Quando você é de outro Estado, por exemplo, além de ter que ser esse bom aluno, tem que ter uma mudança grande de postura, muitos sofrem para se adaptar ao novo, aquilo que chamamos de Transtorno de Ajustamento.  Alguns cursos são extremamente competitivos, tornam esse aluno altamente ansioso, criando transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e depressão.



Sabendo dessas fragilidades, os professores não deveriam ter mais empatia com os alunos?



Sem dúvidas os professores precisam de uma abordagem melhor, ter mais sensibilidade. Enquanto professor, estamos desenvolvendo na UFPB um projeto de extensão para trabalhar essas questões com os docentes. Eles precisam observar a forma de ensino, a quantidade de assunto que está sendo usado, porque muitas vezes a responsabilidade do aluno é muito intensa, eles chegam ao ambulatório de psiquiatria do HU esgotados.



O senhor é um dos responsáveis pelo ambulatório de psiquiatria do HU. Como tem sido a resposta dos universitários atendidos?



Começamos atendendo somente 4 alunos por semana. Hoje atendemos 20 por semana. E a procura continua alta.



Isso significa que tem crescido o número de jovens com depressão e transtornos mentais?



Não sei se tem crescido, se as pessoas estão procurando mais ou se o diagnóstico está melhor. Sabemos que a vida está extremamente competitiva, coisa que 20 anos atrás não era tanto. É verdade que ainda existe um estigma, como se esse problemas fossem uma bobagem de quem sofre, quando na verdade é algo sério e que precisa ser tratado, mas as pessoas estão entendendo a importância de buscar o tratamento.



Qual o papel das universidades nisso? Não deveria existir uma assistência à saúde mental mais forte?



O ideal seria que cada curso ou cada Centro tivesse um espaço onde essas pessoas pudessem se sentir mais a vontade para falar dos seus problemas e, daí, serem encaminhadas ao tratamento psicológico. 99% dos casos de suicídios são de pessoas que sofriam de depressão e não foram tratados. Ano passado, somente em João Pessoa, tivemos 19 suicídios de médicos. Muito provavelmente foram pessoas que já sofriam problemas na época da universidade e não realizaram tratamento.

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