segunda, 15 de julho de 2019
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Prefeitura de JP desiste de retirar ambulantes das calçadas e vai padronizá-los

Bárbara Wanderley / 07 de agosto de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Depois de anunciar, em janeiro deste ano, que retiraria os vendedores ambulantes do entorno do Parque Solon de Lucena (Lagoa) e receber como resposta um protesto que parou o trânsito nas imediações do Paço Municipal, a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) voltou atrás e deve apenas ordenar as barracas da área.

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) e a Associação dos Ambulantes da Paraíba estão negociando para que as barracas sejam padronizadas e organizadas de modo a não prejudicar o trânsito de pedestres nas calçadas.

A presidente da Associação dos Ambulantes da Paraíba, Márcia Medeiros, explicou que a ideia é que todas as barracas sejam padronizadas no tamanho de 1,30m e sejam organizadas a partir das imediações do Hiper Bompreço até a esquina com a Avenida Desembargador Souto Maior, ponto a partir do qual as barracas seriam retiradas, pois a calçada se torna mais estreita.

Mesmo com a retirada das barracas neste trecho, Márcia acredita que ainda haverá espaço para todos os comerciantes trabalharem, devido ao tamanho reduzido das barracas.

“Hoje sabemos que tem gente que usa três metros, tem gente que usa dois, então se a gente deixar tudo igualzinho e organizado vai caber tudo mundo. Se faltar espaço para alguém, a gente pode virar a esquina e ‘subir’ a outra rua”, disse.

Márcia afirmou, porém, que a mudança só ocorrerá se a Prefeitura liberar crédito para a compra das novas barracas por meio do Banco Cidadão, ou conseguir parceria com alguma empresa privada que possa fornecer as barracas.

A solução, no entanto, seria provisória, segundo o secretário da Sedurb, João Furtado. O vendedor Elisardo Severino da Silva, que é ambulante há 30 anos e trabalha no Parque Solon de Lucena há cinco, diz que não concorda com mudanças temporárias. “Até agora não comunicaram nada pra gente, mas só quero sair daqui se tiver um lugar para ficar fixo, sem ficar pra lá e pra cá”, comentou.

Em vários locais

O Parque Solon de Lucena não é o único local do Centro no qual vendedores e pedestres disputam espaço. A Rua Treze de Maio, na lateral da Agência da Caixa Econômica Federal é outro exemplo, assim como o Viaduto Dorgival Terceiro Neto, próximo ao Terceirão. No viaduto, uma ambulante que preferiu não se identificar afirmou que faz cerca de quatro anos que ninguém da Sedurb aparece na área.

“Acredito que existe um problema maior com os vendedores de frutas, porque muitas vezes eles ocupam a calçada toda, e lá na Lagoa também. Mas aqui a gente só ocupa um lado e deixa todo mundo passar. Às vezes falta consciência nas pessoas”, disse.

Ela não acredita que a Prefeitura tome qualquer atitude para retirar os ambulantes dali. “Tem milhões de desempregados no País, como eles vão tirar daqui 200 pais de família que precisam trabalhar?”, indagou.

O secretário João Furtado contou que, por enquanto, a Prefeitura só tem planos para os ambulantes do Parque Solon de Lucena, que é uma área mais crítica, e que só após a resolução deste caso pode-se pensar nas outras áreas.

Negociação

O secretário da Sedurb, João Furtado, afirmou que aguardava apenas a desmontagem da estrutura da Festa das Neves, na qual os ambulantes estavam trabalhando, para marcar uma reunião e dar continuidade à negociação.

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